Copa do Mundo: quem apostou no ataque se deu bem - 14/07/2026 - Coluna FolhaStats - Folha

A ousadia e a eficiência ofensiva valeram a pena nesta Copa do Mundo. Os quatro semifinalistas estão entre as seleções com mais gols (parece óbvio, mas não é). E mais chances criadas.

A Argentina chegou a essa fase na artilharia geral, com 17 gols. A França veio logo atrás, com 16. Inglaterra aparece isolada em quarto. Espanha, a mais discreta das quatro no quesito gol, ainda assim está em sexto lugar.

Mas não ganha quem faz mais gols? Sim, mas não raro fazem sucesso times que se preocupam mais em não levar gols que em atacar.

Na Copa de 2022, também nas semifinais, apenas a França estava entre os melhores ataques (terceiro lugar, com 11 gols até ali).

A Argentina estava em quinto. Croácia e Marrocos, os outros dois semifinalistas daquele ano, estavam ainda mais atrás (9ª e 11ª colocação).

Ou seja: em 2022, só um dos quatro semifinalistas era, de fato, um ataque de elite. Em 2026, são três (Argentina, França e Inglaterra).

Um outro indicador mostra que o sucesso desses semifinalistas em 2026 não é obra do acaso. Os quatro times lideram em xG (gols esperados). Essa métrica mede a "qualidade" das chances ofensivas criadas. Um chute de dentro da área tem um xG maior que um de longe, por exemplo.

A análise fica mais interessante quando se considera uma variação desse indicador, a "eficiência do xG". Esse indicador mede se a seleção está fazendo mais ou menos gols que o esperado.

Se estiver fazendo mais, pode ser que o fator sorte esteja ajudando (por exemplo, um chute de longe, que tem um xG baixo, desvia num zagueiro e entra, contrariando a expectativa). Ou que a equipe tem atacantes que, apesar de estarem numa equipe que cria chances de "baixa qualidade", conseguem converter (este é o caso de Haaland, por exemplo; o xG dele indicava que deveria ter marcado entre quatro e cinco gols no torneio todo, mas conseguiu converter sete).

Nenhum dos quatro semifinalistas está entre os líderes desse indicador (o primeiro nessa métrica é o Japão, que esperava algo entre dois e três gols, mas marcou oito).

O que isso quer dizer? Que Argentina, Espanha, França e Inglaterra estão efetivas na criação de boas jogadas ofensivas, com pouco espaço para sorte ou para atacantes que fazem gols improváveis.

E essas quatro seleções criam não apenas chances de boa qualidade mas também as criam em quantidade. Em finalizações no alvo, as quatro semifinalistas ocupam exatamente as quatro primeiras posições do torneio: França (47), Argentina (41), Espanha (40) e Inglaterra (39).

Também vale notar o que parece não ter grande peso no sucesso dos semifinalistas. Na posse de bola, só a Espanha lidera (60%, a maior média do torneio). Argentina, França e Inglaterra estão todas no meio da tabela geral de posse.

Entre as melhores defesas, a Espanha (apenas um gol levado) e a França (dois) são duas das equipes menos vazadas. Mas Argentina e Inglaterra estão no meio da tabela, na 19ª posição, com seis gols sofridos. Eficiência defensiva claro que ajuda, mas estas duas seleções conseguiram compensar deficiências nesse setor com ataques poderosos.

A Copa tende a ditar padrões para o futebol no geral. Tomara que a busca pelo gol seja o caso. Até porque o Brasileirão está prestes a voltar.

Copa 2026

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