Os ataques russos deste mês causaram a morte de, pelo menos, 377 civis e feriram 2.129
A Ucrânia registou este mês o maior número de vítimas civis na guerra com a Rússia dos últimos mais de quatro anos, de acordo com dados do governo.
Os ataques russos deste mês causaram a morte de, pelo menos, 377 civis e feriram 2.129, tornando este julho o mês mais mortífero da guerra desde abril de 2022.
Os ataques deste mês incluíram um elevado número de mísseis balísticos, que são difíceis de intercetar, e tiveram como alvo a capital ucraniana, Kiev, em várias ocasiões.
A Rússia utilizou cerca de 1.700 drones, mais de 1.630 bombas aéreas guiadas e mais de 50 mísseis balísticos na última semana, segundo o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky.
"Temos de minar a aposta da Rússia no terror balístico", afirmou Zelensky numa publicação no X, no domingo. "Cada míssil intercetor, neste momento, está literalmente a ajudar a salvar vidas se estiver aqui, nos sistemas ucranianos, e não nos armazéns dos nossos parceiros", acrescentou.
Para reforçar o argumento de Zelensky, as autoridades afirmaram que uma criança de 10 anos e um adulto morreram e outras três pessoas ficaram feridas num ataque com drones russos a um supermercado em Chernihiv, no domingo, segundo as autoridades locais.
Zelensky tem apelado frequentemente para que sejam fornecidos mais sistemas Patriot e outros sistemas de defesa aérea capazes de interceptar mísseis balísticos.
A Ucrânia continuou a sua campanha com drones e mísseis contra as infraestruturas energéticas russas na última semana, tendo várias refinarias sido alvo de ataques. Esta campanha levou a Rússia a prolongar a proibição das exportações de gasóleo até ao final do ano.
O vice-primeiro-ministro russo, Alexander Novak, afirmou no sábado que o governo irá considerar o levantamento da proibição das exportações de gasóleo "à medida que o mercado recuperar".
"Muitas regiões da Rússia e da Ucrânia ocupada continuam a debater-se com a escassez de combustível, embora as autoridades russas afirmem cada vez mais que a situação económica e a crise do combustível estão a estabilizar", afirmou no sábado o Instituto para o Estudo da Guerra, em Washington.
A Rússia retaliou atacando postos de abastecimento no norte da Ucrânia e intensificou também os seus ataques aos portos ucranianos no Mar Negro e no rio Danúbio.
Pelo terceiro dia consecutivo, a Força Aérea romena abateu, no domingo, um drone russo sobre o Mar Negro. O Ministério da Defesa afirmou que o drone foi abatido sobre as águas territoriais romenas.
O presidente romeno, Nicusor Dan, afirmou que era "inadmissível e intolerável" que a Rússia violasse o espaço aéreo romeno.
O embaixador russo em Bucareste foi chamado ao Ministério dos Negócios Estrangeiros no domingo.