Trump notifica Congresso dos EUA sobre retomada da guerra com Irã | G1

“Ordenei essa ação militar em consonância com minha responsabilidade de proteger os norte-americanos e a segurança nacional dos Estados Unidos, bem como os interesses de política externa do país”, afirmou Trump na carta, datada de 10 de julho e vista pela Reuters nesta segunda-feira.

Segundo a Reuters, a carta descreve as ações de Trump durante a guerra, incluindo a ordem de um cessar-fogo em 7 de abril —que inicialmente estava prevista para ter duas semanas, mas foi prorrogada— e os esforços de seu governo para alcançar uma solução diplomática para o conflito.

Na carta, Trump também descreveu o acordo de paz preliminar que assinou com o Irã em 17 de junho e afirmou que o regime iraniano havia violado o memorando ao atacar navios comerciais que transitavam pelo Estreito de Ormuz, o que o levou a ordenar novos ataques contra o país.

Donald Trump discursa no Salão Oval ao lado do vice-presidente JD Vance e do secretário de Estado Marco Rubio, em 23 de abril de 2026 — Foto: REUTERS/Kylie Cooper

Os Estados Unidos começaram a guerra contra o Irã em 28 de fevereiro, quando realizaram bombardeios conjuntos com Israel contra o território iraniano.

A Constituição dos EUA estabelece que apenas o Congresso, e não o presidente, tem o poder de declarar guerra. No entanto, os presidentes dos EUA há muito reivindicam o direito de ordenar intervenções militares de curta duração sem a aprovação dos parlamentares, a fim de preservar a segurança dos EUA.

Congresso dos EUA limita ataques de Trump

Em junho, o Congresso norte-americano passou uma lei inédita que limitou Donald Trump de fazer novos ataques contra o Irã sem sua aprovação.

Trump criticou a decisão, que segundo ele dificulta seu trabalho. "Esses senadores tornaram meu trabalho mais complicado, mas eu vou alcançar o objetivo de qualquer jeito, porque eu sempre consigo", afirmou.

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Lei dos poderes de guerra

A Lei dos Poderes de Guerra nos Estados Unidos exige que o presidente informe o Congresso dentro de 48 horas após o início das hostilidades e determina que ações militares iniciadas sem a aprovação do legislativo devem ser encerradas em até 60 dias.

No caso da atual guerra contra o Irã, o primeiro prazo de 60 dias terminou em 1º de maio, porém Trump continuou o conflito sem o aval do Congresso. Para isso, o republicano afirmou que a lei não se aplicava porque as hostilidades haviam sido encerradas por um cessar-fogo, e o que continuava eram ataques esporádicos e o bloqueio naval aos portos iranianos.

Democratas e republicanos contrários à guerra em curso afirmaram que o governo estava interpretando erroneamente a lei.

“O presidente não pode simplesmente ignorar meses de guerra que ele mesmo disse que durariam apenas quatro a seis semanas”, afirmou um assessor sênior democrata da Câmara dos Deputados, comentando sob condição de anonimato.

Além disso, tanto o Senado quanto a Câmara aprovaram no mês passado uma resolução instruindo Trump a retirar as forças norte-americanas das hostilidades com o Irã, apesar da estreita maioria de seus pares republicanos em ambas as casas.

As votações refletiram a crescente preocupação com o conflito que já dura meses.

Trump reagiu com veemência após a votação, acusando aqueles que votaram a favor de dar “conforto” ao Irã e de tornar seu trabalho “mais difícil”.