Trump acusa a China de ter levado a cabo "a maior violação de dados" da história

O muito aguardado discurso do presidente dos Estados Unidos foi, como se esperava, sobre a alegada interferência eleitoral em 2020

Os Estados Unidos são o maior e o melhor país do mundo e, desde que Donald Trump regressou à Casa Branca, isso é cada vez mais óbvio. Trabalha-se mais e melhor, a inflação está no nível mais baixo em seis anos, os norte-americanos estão a ganhar milhões e milhões de dólares e por aí fora. Uma América mais segura, mais forte e mais rica, na visão da Casa Branca.

O início do tão aguardado discurso do presidente dos Estados Unidos podia perfeitamente ter sido uma qualquer publicação na Truth Social, com críticas a quem veio antes e glória a quem está agora, ainda que com feitos não comprovados e algumas mentiras pelo meio.

Foram minutos de autoelogio de Donald Trump até chegar ao tema que o fez convocar com grande antecedência um discurso à nação norte-americana e ao mundo.

Só por volta dessa altura é que o presidente dos Estados Unidos começou a ir direto ao assunto: foram confirmadas "vulnerabilidades chocantes" no sistema eleitoral norte-americano, embora os documentos mostrem que pode não ser bem assim. A CNN fez já uma primeira análise ao que foi divulgado e pode encontrar essa análise aqui.

São documentos agora desclassificados que a Casa Branca está a divulgar não para desacreditar as eleições que já aconteceram, mas para confrontar as vulnerabilidades das que ainda vão acontecer, de acordo com Donald Trump, que nunca aceitou oficialmente a derrota para Joe Biden em 2020.

E estes problemas começaram, claro, nesse mesmo ano, quando ocorreu “a maior violação de dados” na história, com a República Popular da China a ter acesso, de acordo com Donald Trump, a dados de 220 milhões de norte-americanos.

Um plano traçado, de acordo com o próprio, pelo governo chinês, numa tentativa de Pequim de minar a primeira presidência de Trump, com os documentos a sugerirem evidências de que a China tentou influenciar o resultado eleitoral por desconfiar daquela administração norte-americana.

É a isso que Donald Trump chama, repetimos, “a maior violação de dados eleitorais da história”, e que permitiu à China ter acesso a nomes, informações de contacto, preferências partidárias e “outros dados sensíveis” dos tais 220 milhões de cidadãos dos Estados Unidos.

Um “pesadelo de segurança eleitoral sem precedentes”, na ótica do presidente norte-americano, que vê tudo isto como um plano orquestrado pela China para “minar a minha primeira administração e a nossa campanha para 2020”, além de esforços para influenciar as eleições intercalares de 2018, que terminaram com a vitória do Partido Democrata na Câmara dos Representantes.

O objetivo, claro, era impedir a vitória de Donald Trump em 2020, ano em que Joe Biden venceu as eleições presidenciais. Como relata a CNN Internacional, as informações disponibilizadas pelas agências de informação admitem que a China teve a intenção e a capacidade de interferir, mas preferiu não o fazer para não prejudicar as relações entre os países. Essa mesma conclusão surgiu em 2021, mas é reiterada nos vários documentos agora divulgados pela Casa Branca.

“O governo chinês queria que o presidente dos Estados Unidos perdesse as eleições. A razão pela qual queriam que eu perdesse é porque eles sabiam que eu os podia enganar”, afirmou Donald Trump.

É ainda preciso perceber exatamente o que consta em todos os documentos revelados, mas uma primeira análise dos meios de comunicação dos Estados Unidos, incluindo a CNN, indicam que esta visão é partilhada apenas por uma minoria da comunidade de serviços secretos.

Passando depois para o ataque interno, tendo até referido todo o nome do seu primeiro antecessor, Barack Hussein Obama, Donald Trump acusou as autoridades do “deep state” de "suprimir e minimizar ativamente a informação sobre a extensão da sinistra interferência da China nas eleições, encobrindo-a tanto do presidente como do povo norte-americano de uma forma que ninguém imaginava ser possível".

Os culpados são os responsáveis das mais variadas agências de espionagem que não revelaram estas informações à Casa Branca, o que, na ótica de Donald Trump, ajudou a comprometer as eleições de 2020.

“Aqueles responsáveis ​​por fazer soar o alarme mantiveram a informação em segredo e escondida”, alegou o presidente dos Estados Unidos. “Não me revelaram nada como presidente, nem a mais ninguém, e, tanto quanto sabemos, não informaram o Congresso.”

A CNN vai continuar a trabalhar sobre os documentos desclassificados e a CNN Portugal promete trazer-lhe todas as novidades nas próximas horas. Importa também conhecer a reação da China, que até agora tem, naturalmente, negado quaisquer intenções de interferência eleitoral.