A prévia da decisão da Copa do Mundo entre Espanha e Argentina tem sido pautada além de aspectos técnicos e táticos. Em especial na mídia espanhola, fala-se se o aspecto físico do jogo sul-americano, como foi visto na semifinal contra a Inglaterra, será novamente uma tônica na final. Em entrevistas antes da partida, o técnico Luis de la Fuente e o zagueiro titular Aymeric Laporte abordaram o assunto.
O primeiro tempo entre ingleses e argentinos terminou com 19 faltas, muitas divididas e discussões. Só Lisandro Martínez foi amarelado ao matar um ataque no meio-campo, enquanto Enzo Fernández poderia ter sido ao menos advertido por uma entrada com o cotovelo logo nos primeiros minutos.
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Copa do Mundo 2026
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Ao jornal “Sport”, o comandante da seleção espanhola jogou a responsabilidade para a arbitragem do esloveno Slavko Vincic ao ser questionado se teme que o jogo contra a Albiceleste vá para um lado mais violento, de entradas fortes e catimbado. “Aí há muito a dizer sobre a atuação do árbitro”, iniciou.
— O árbitro não pode agir com permissividade e permitir que se exceda o regulamento e que se ultrapassem esses limites da legalidade. Então, eu tenho confiança cega nos árbitros, mas também tenho confiança cega de que nós sabemos claramente que tipo de partida temos que fazer — disse.
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Para De la Fuente, uma partida com muitas disputas físicas e de provocações não extrai o melhor da Espanha, um time de muita posse de bola e trocas de passes para buscar o gol.
— Nós, em determinados cenários, não nos sentimos confortáveis. Sentimo-nos confortáveis no cenário do futebol, do jogo, de sermos fiéis à nossa ideia, de não entrarmos em provocações. Não quero dizer com isso que a Argentina vá fazer isso, eles vão jogar o seu futebol. Mas nós temos que nos concentrar única e exclusivamente no nosso, em potencializar o nosso estilo, em melhorar o nosso estilo.
— Se estivermos próximos da nossa ideia, próximos da proposta que nos trouxe até aqui, tudo o que nos aproximar disso nos dará mais garantias de lutar pela vitória. Se nos afastarmos da nossa ideia e do nosso modelo, sofreremos — completou.
Laporte também espera árbitro participativo em Espanha x Argentina
Laporte foi em uma linha bem mais dura que seu treinador. Em entrevista ao jornal “Marca”, assumiu que ficou surpreso com uma arbitragem mais permissiva em jogos da Argentina, afirmando que não acha errado a agressividade do adversário, desde que seja no contexto do futebol. “Se ela for permitida e o árbitro fizer o seu trabalho, não tenho problema nenhum.”
— É verdade que, nas últimas partidas, vimos coisas que nos surpreenderam bastante, ações que acabam sendo deixadas passar. Principalmente com a Argentina, que é uma equipe que deixa ‘muitos recados’ [em campo]. Isso não deveria ser permitido no futebol, especialmente em competições tão grandes, porque pode te desestabilizar e te irritar — reclamou.
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Como Luis de La Fuente, o defensor também espera que o árbitro coíba esse tipo de comportamento e evite que a final vá para outro caminho. O assunto, inclusive, já foi abordado pelo elenco. “Falamos sobre isso. O problema é que, nesse aspecto, não depende de nós. Tem que haver uma pessoa que controle essas ações e determine que isso seja futebol”.
— Faz parte do trabalho do árbitro controlar essas coisas para que não deixem a situação fugir do controle. Se um ou dois jogadores puderem fazer isso, a partida vai virar um descontrole. […] Vai depender muito da arbitragem — completou Laporte.
A Argentina é o terceiro time com mais cartões amarelos na Copa do Mundo (9), só atrás de Canadá (11) e Egito (12) — mas não teve nenhum expulso –, e com média de 12.6 faltas cometidas por jogo (14º em toda competição), segundo dados do “SofaScore”.
A ver se o lado disciplinar, físico e até agressivo a depender do ponto de vista será a tônica da final contra a Espanha, neste domingo (19), a partir das 16h (horário de Brasília).
Carlos Vinicius AmorimRedator
Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.