Governo venezuelano pondera apoiar portugueses afetados por sismos

O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, diz que o Governo venezuelano está a ponderar apoiar economicamente os portugueses afetados pelos sismos, um processo que será acompanhado por Portugal.

“Tive a oportunidade de falar com a presidente [interina] Delcy Rodríguez, que agradeceu imenso a Portugal, todo o trabalho que estávamos a fazer. Disse que da comunidade portuguesa [local] tinha a melhor das impressões, que era uma comunidade que tocava o coração dos venezuelanos, e que, por isso, o próprio governo da Venezuela iria pensar no apoio aos negócios e às vidas que ficaram afetadas“, disse.

O SEC falava à Agência Lusa em Caracas, onde este sábado terminará uma visita de quatro dias, centrada em reforçar a atenção e solidariedade de Portugal para com os afetados pelo duplo sismo que abalou a Venezuela e durante a qual manteve contactos com diversas autoridades locais, representantes da comunidade portuguesa e do movimento associativo português, assim como com parceiros internacionais presentes no terreno.

“Portanto, nós vamos agora trabalhar nesses processos com as autoridades venezuelanas, vamos ver a sua evolução, e nos próximos tempos vamos estar muito atentos a ver o que é possível fazer”, disse, sublinhando que foi a própria presidente Delcy Rodríguez que o convidou a reunir-se com ela.

Emídio Sousa sublinhou que Portugal está “a fazer” o que entende ser “apropriado e que era necessário”.

“Na primeira fase, foi a busca e salvamento e tivemos as nossas equipas altamente especializadas no terreno, que tiveram um trabalho notável”, elogiou, e a ajuda humanitária constitui a segunda fase do processo, que Portugal está a fazer “com o transporte de diferentes bens nos aviões da Força Aérea, mais um transporte na próxima segunda-feira, no avião da TAP. Mais 8 toneladas”.

Emídio Sousa explicou ainda que Portugal vai permitir que muitos dos apoios financeiros dados aos movimentos associativos e sociais luso-venezuelanos sejam realocados para a ajuda humanitária.

“Há uma verba de 400 mil euros que o Instituto Camões disponibiliza para estes projetos de apoio às famílias (…), que nós esperamos que ajude as famílias portuguesas, não só, mas em especial as famílias portuguesas, a enfrentarem este drama tão terrível”, disse.

Os sismos registados na Venezuela em 24 de junho causaram pelo menos 4.118 mortos e 16.740 feridos, segundo o mais recente balanço oficial.

Entre os mortos, há pelo menos 107 portugueses e lusodescendentes, e outros 57 estão desaparecidos ou incontactáveis.

Vários países, incluindo Portugal e outros Estados da União Europeia, enviaram equipas de busca e salvamento para a Venezuela.

Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo, e foram seguidos por centenas de réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.