Sem mencionar diretamente líderes ou governos estrangeiros, como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusado de tentar interferir nas eleições do Brasil, a ministra disse que os brasileiros devem definir os próprios rumos e alertou contra tentativas de fragilização das instituições democráticas.
A declaração foi feita durante participação na reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Niterói, na Região Metropolitana do RJ, em um discurso marcado por referências ao período da ditadura militar, à importância da participação popular e à defesa do sistema eleitoral brasileiro.
"Há que haver espaços como este, reuniões como essa, que dão a demonstração daqueles vetores, daqueles temas mais importantes para que a gente caminhe e fortaleça a democracia no Brasil e em todos os lugares do mundo, para que ninguém queira também interferir e fragilizar a nossa democracia."
Em seguida, a ex-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reforçou que cabe aos próprios brasileiros decidir o que desejam para o país:
"Somos nós que temos que falar o que é para nós no Brasil, o que nós queremos", disse.
Ao longo do discurso, Cármen Lúcia relembrou sua experiência durante a ditadura militar e afirmou que instituições como a SBPC funcionavam como espaços de resistência e debate em um período de restrições às liberdades.
"Eu, no período em que fui estudante, algumas instituições eram nossa voz, porque estávamos com a boca amordaçada. Proibidas de pensar", declarou.
Segundo a ministra, as eleições da entidade científica mobilizavam a sociedade porque representavam uma oportunidade de manifestação em um período de repressão política.
"As eleições da SBPC eram aguardadas por nós, eram de conhecimento do Brasil inteiro. Cumpria a voz de ser daqueles que não podiam levantar sua voz", afirmou.
Defesa das urnas eletrônicas
Cármen também associou a democracia ao exercício do voto e voltou a defender a confiabilidade da urna eletrônica.
Ao comentar o lançamento de um livro sobre a Constituição, ela disse que, diferentemente dos regimes em que as decisões eram tomadas por monarcas, na democracia a vontade popular se manifesta por meio das eleições.
"Antes era por um rei. Hoje o povo, pela sua mão, diz o que quer", afirmou. "Aqui na democracia, a urna brasileira precisa só de um dedo na urna eletrônica confiável, transparente e auditável. Feita pelo Brasil e pelo povo."

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Ministra Cármen Lúcia em evento no Rio — Foto: Reprodução/GloboNews