Selic alta mantém ETFs pós-fixados em evidência; veja como esses fundos capturam os juros

Negócios

Guilherme Serrano Silva

A expectativa de que a Selic permaneça entre 13,50% e 14% até o fim de 2026 tem mantido os investimentos pós-fixados entre os principais destinos dos recursos de investidores conservadores. Isso porque as aplicações atreladas ao CDI e ao Tesouro Selic oferecem uma forma de acompanhar o atual patamar dos juros sem a necessidade de aumentar o risco da carteira.

Selic alta mantém ETFs pós-fixados em evidência; veja como esses fundos capturam os juros
Taxa Selic. Foto: iStock.

Nesse contexto, os ETFs de renda fixa vêm ganhando espaço como uma alternativa para acessar esse tipo de estratégia. Ao reunir diferentes títulos públicos em um único fundo negociado em bolsa, esses produtos permitem ao investidor capturar o rendimento dos juros, ao mesmo tempo em que oferecem diversificação, transparência e liquidez.

Por que a Selic alta favorece os ETFs pós-fixados?

Enquanto os juros permanecem elevados, ativos pós-fixados acompanham esse movimento, mantendo uma remuneração elevada para o investidor. Na avaliação de Rodrigo Araujo, head de ETFs da Itaú Asset, esse cenário continua favorecendo estratégias com exposição predominante ao Tesouro Selic.

“No atual ambiente de juros, uma estratégia como a do CDIB11 segue cumprindo um papel importante nas carteiras. Com cerca de 90% da carteira alocada em Tesouro Selic, o ETF oferece previsibilidade e baixo risco, enquanto a parcela restante, investida de forma controlada em Tesouro IPCA+ de prazo longo, contribui para viabilizar o enquadramento tributário na alíquota de 15% de Imposto de Renda”, afirma.

Segundo o especialista, produtos desse tipo permitem que o investidor permaneça exposto ao atual nível da Selic sem abrir mão da liquidez, característica importante em um cenário em que o mercado ainda não espera uma queda expressiva dos juros.

CDIB11 combina Tesouro Selic e Tesouro IPCA+

Entre os ETFs disponíveis nesse segmento está o CDIB11, da Itaú Asset. O fundo mantém aproximadamente 90% da carteira aplicada em títulos do Tesouro Selic, enquanto uma pequena parcela é destinada a títulos do Tesouro IPCA+ de prazo mais longo.

De acordo com Araujo, essa estrutura foi desenhada para preservar o perfil conservador da estratégia e, ao mesmo tempo, oferecer uma estrutura tributária mais eficiente ao investidor.

“O CDIB11 passa a ser mais uma alternativa dentro da gestão de liquidez, ao combinar exposição majoritária em Tesouro Selic e pequena parcela em Tesouro IPCA+ de longo prazo. Ele permite ao investidor permanecer exposto ao nível atual dos juros, preservando a liquidez e, ao mesmo tempo, aproveitando uma estrutura tributária diferenciada: a alíquota fixa de 15% desde o início da aplicação”, diz.

Além do rendimento proporcionado pelos títulos atrelados à Selic, a pequena exposição ao Tesouro IPCA+ também pode influenciar o desempenho do ETF.

“Na prática, além de acompanhar o rendimento diário da Selic, o CDIB11 também pode se beneficiar de ganhos associados à mudança nas expectativas do mercado”, explica o head de ETFs da Itaú Asset.

Segundo a gestora, a combinação busca atender investidores que desejam manter recursos em uma estratégia conservadora enquanto a Selic permanece elevada, utilizando uma carteira formada majoritariamente por títulos públicos federais e negociada em bolsa.