Rússia desvaloriza mudanças no governo ucraniano

Um dia após Mykhailo Fedorov se ter demitido do cargo de ministro da Defesa devido a desentendimentos com o chefe das Forças Armadas, Oleksandr Sirsky, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou hoje, numa conferência de imprensa em Moscovo, que "não importa quem está à frente do Ministério da Defesa ucraniano".

"Não importa quem seja, mas sim que atue com a responsabilidade necessária para tomar as medidas que levem à conclusão da operação militar especial ou à obtenção de um acordo", disse, citado pela agência de notícias russa TASS.

Peskov acrescentou que o Kremlin continuará a "monitorizar todas as notícias relacionadas com o regime de Kiev, especialmente no contexto da operação especial", a designação dada por Moscovo à guerra lançada contra a Ucrânia.

"É claro que estamos a monitorizar estas questões, como as reformas e as mudanças no executivo", disse, referindo-se também à nomeação de um novo primeiro-ministro, o antigo diretor do grupo energético público Naftogaz, Serhiy Koretskyi, confirmado na quarta-feira pelo parlamento ucraniano.

"Estão a ocorrer algumas mudanças na estrutura do regime de Kiev, mas, para nós, nenhuma delas tem uma importância fundamental. O que nos importa é resolver a situação e salvaguardar os nossos próprios interesses", insistiu, apontando que as autoridades ucranianas estão "plenamente conscientes das decisões que devem tomar para chegar a um acordo".

De acordo com o porta-voz do Kremlin, "em Kiev, eles sabem muito bem que decisões têm de ser tomadas".

Dmitry Peskov salientou, no entanto, que "a Rússia ainda não vê perspetivas de uma retoma rápida das negociações" com vista ao fim do conflito

"A Rússia continua aberta ao processo negocial relativamente à situação na Ucrânia e agradece à Turquia a sua disponibilidade para continuar a facilitar uma solução pacífica para o problema ucraniano", concluiu.

Na quarta-feira, o ministro da Defesa ucraniano cessante, Mykhailo Fedorov, acusou hoje o comandante das forças armadas, Oleksandr Syrskyi, de procurar dividir a Ucrânia, regressando a uma querela entre ambos que terá levado à sua demissão.

"Em vez de procurar uma forma de derrotar a Rússia de forma assimétrica, o que faz parte da missão do comandante em chefe, ele [general Syrskyi] encontrou uma forma de dividir o país em que vivemos hoje", disse Fedorov.

O agora ex-ministro da Defesa falava aos jornalistas durante uma conferência de imprensa em Kiev, pouco depois de se terem realizado manifestações em várias grandes cidades ucranianas a favor da sua permanência no Governo.

Face a esta situação, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, apelou à preservação da unidade no comando militar.

"Um presidente em tempo de guerra não devia ter de escolher numa situação destas, honestamente. Desejaria muito vivamente a unidade. Ambas as partes não a encontraram", declarou o chefe de Estado ucraniano.

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