Rui Tavares discursava no 17.º Congresso do Livre, que decorre este fim de semana em Sintra, distrito de Lisboa, na sua última intervenção enquanto porta-voz do partido.
O dirigente e fundador do Livre disse que foi "um enorme privilégio" ocupar o cargo de porta-voz nos últimos quatro anos, em dupla, primeiro com Teresa Mota e depois com a líder parlamentar, Isabel Mendes Lopes.
Numa intervenção de cerca de meia hora, Tavares visou principalmente o Governo e a extrema-direita, primeiro sobre o processo de revisão constitucional, cuja entrega de projetos está suspensa até dezembro, a pedido do PSD e Chega.
Considerando que o país está "num limbo" constitucional, Tavares voltou a criticar a situação: "Se os constituintes quisessem que a revisão fosse uma moeda de troca de uma lei de burcas, da lei das bandeirinhas, de um Orçamento do Estado ou do que quer que eles inventem daqui para a frente, os constituintes tinham estabelecido prazos diferentes".
Tavares defendeu que "não se brinca com a Constituição e não se começa um processo de revisão já a violar a letra e o espírito da Constituição".
"Não deixaremos que a Constituição seja esvaziada", afirmou.
Noutro momento, o porta-voz cessante criticou as novas medidas de arrendamento, anunciadas pelo Governo, acusando o executivo de preconizar uma "política do egoísmo, da agressividade e falta de solidariedade".
"Derrotaremos estas ideias como derrotámos o pacote laboral e estaremos na linha da frente de derrotar estas ideias que são desumanas e cruéis para a vida das pessoas", sublinhou.
No balanço do mandato do Grupo de Contacto, Tavares realçou que os últimos dois anos foram muito exigentes devido aos sucessivos atos eleitorais, mas disse acreditar que o partido já tem "um estilo de jogo reconhecível", no qual os cidadãos reconhecem um eleito do Livre.
Internamente, o dirigente realçou o crescimento do partido, que já conta com cerca de cinco mil membros e apoiantes e vários núcleos territoriais.
Tavares deixou ainda uma palavra ao dirigente João Manso, que em março deste ano se demitiu da direção do partido, acusando Rui Tavares e Isabel Mendes Lopes de "decisões unilaterais": "Obrigada João Manso, por nos manteres acordados".
Antes, no balanço do mandato da Assembleia, a presidente deste órgão e deputada, Patrícia Gonçalves, considerou que este foi um dos "mandatos mais exigentes da história do partido", dizendo que foram criados 15 novos núcleos territoriais.
"O Livre deixou de ser apenas um partido em crescimento para se afirmar como um partido em consolidação", afirmou.
A dirigente avisou que sobre o próximo mandato recaem "muito maiores expectativas do que há dois anos" e que o grande desafio dos próximos órgãos eleitos será o de "continuar a fazer crescer o Livre".
Pedro Mendonça, até agora presidente do Conselho de Jurisdição, realçou que desde 2022 entraram no partido mais quatro mil membros e apoiantes o que representa "85% de toda a base humana atual" do Livre.
O dirigente queixou-se de falta de participação neste órgão dos membros eleitos e deixou propostas para organização futura, como uma alteração dos estatutos para aumentar o numero de elementos do Conselho de Jurisdição, atualmente composto por 11 eleitos.
Pedro Mendonça pediu ainda "apoio jurídico permanente assegurado pelo partido a quem exerce funções neste órgão".
[Notícia atualizada às 13h31]
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