Mirelle Pinheiro
Helen Kelly foi presa nessa quarta-feira (22/7). Ela estava em um jantar com José Maria Alexandre no seu apartamento momentos antes da morte
25/07/2026 04:00

A investigação sobre a morte do cabo da Polícia Militar de Pernambuco (PMPE) José Maria Alexandre da Silva Junior (foto em destaque), de 40 anos, ganhou um novo rumo nessa quarta-feira (22/7). Helen Kelly de Lima Pedrosa, de 45 anos, ex-companheira do policial e beneficiária de uma medida protetiva concedida pela Justiça após denunciar episódios de violência doméstica, foi presa preventivamente no âmbito das apurações sobre a morte do militar.
Durante o cumprimento do mandado de prisão, no entanto, Helen se jogou da janela do apartamento onde mora, em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife.
Segundo a Polícia Civil de Pernambuco (PCPE), ao receber voz de prisão, ela pediu autorização para subir ao quarto para trocar de peça íntima. Em seguida, pulou da janela do imóvel, localizado no quarto andar do edifício, e caiu sobre um carro que estava estacionado no local.
Ela foi socorrida por equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhada ao Hospital da Restauração, onde permanece internada sob escolta policial. O estado de saúde dela não foi divulgado oficialmente, mas, segundo apurou a coluna, é grave.
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À coluna, o advogado Rafael Nunes, que representa Helen, afirmou que ainda não teve acesso integral aos fundamentos da decisão judicial.
“Ela colocou o apartamento à venda um dia após o fato e a polícia entendeu isso como possibilidade de fuga. A base jurídica é essa. Porém, não tem nada que a coloque no cenário como acusada”, afirmou.
Investigação
A morte de José Maria foi registrada em 11 de junho, depois que o cabo passou mal dentro do apartamento da ex-companheira, no bairro de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife.
Documentos obtidos pela coluna e veiculados à época mostravam que Helen havia conseguido uma medida protetiva contra o policial na Justiça após relatar episódios de agressão física, perseguição e comportamento possessivo.
Algumas mensagens indicavam que José Maria pressionava a ex-companheira para retirar a medida judicial e retomar o relacionamento. Em uma delas, escreveu:
“Eu sei que você ainda só. Coisa boa pode não acontecer. O que você vai perder eu não sei. Mas você vai perder. Tire as medidas na moral.”
Segundo o depoimento prestado por Helen, o casal havia decidido encerrar definitivamente o relacionamento poucos dias antes da morte. Apesar disso, os dois continuaram mantendo contato e voltaram a se encontrar na noite do ocorrido.
Conforme os relatos reunidos pela investigação, José Maria chegou ao apartamento após deixar o trabalho. Embora estivesse impedido de frequentar o imóvel em razão da medida protetiva, teve a entrada autorizada por Helen.
Durante a madrugada e parte da manhã, os dois consumiram energético. Foi durante esse período que ocorreu a suposta troca de taças, um dos principais pontos investigados pela polícia.
À época, a defesa de Helen afirmou que ela utilizava taças identificadas porque alugava quartos no apartamento. Segundo essa versão, ao voltar da cozinha após buscar gelo, percebeu que os copos pareciam ter sido trocados. Desconfiada, teria recolocado cada taça na posição original enquanto José Maria estava na varanda.
Horas depois, o policial começou a passar mal. Conforme os relatos, ele apresentava espuma na boca e os lábios arroxeados. Equipes da PM foram acionadas, mas o óbito foi constatado no local.
As taças e amostras das bebidas consumidas foram apreendidas para perícia. Os exames toxicológicos realizados no cabo não apontaram a presença de substâncias entorpecentes, mas também não esclareceram a causa da morte.
Defesa aponta falhas
O advogado Rafael Nunes afirma que a investigação foi conduzida, desde o início, com foco exclusivo em Helen.
“A polícia, desde o início, investigou direcionando para ela. Não teve outra linha investigativa. O delegado se convenceu, desde o começo, de que foi ela e procurou investigar para provar isso.”
Segundo ele, há defeitos importantes na perícia. “Não foi feita perícia do local do crime. Foi periciado o líquido que estava na taça, mas não a taça. A perícia tanatoscópica não é conclusiva, não sabemos a causa da morte. A perícia toxicológica é deficiente, porque apenas informa que havia cafeína e clonazepam, mas não diz a quantidade. O inquérito é deficiente e direcionado para incriminar.”
A Polícia Civil de Pernambuco prossegue com as investigações para esclarecer as circunstâncias da morte do cabo José Maria Alexandre da Silva Junior.