PSD não vê "portas fechadas" e está aberto ao diálogo sobre arrendamento

"No desenho e nas reações recentes ao novo regime para o arrendamento urbano, que visa sobretudo proteger os mais idosos e imprimir uma nova dinâmica ao mercado, nós não vemos, não encaramos, portas fechadas a uma negociação que rume a bom porto, e julgo que todos concordaremos que isso é positivo", disse Sebastião Bugalho, em conferência de imprensa na sede do PSD, em Lisboa.

Segundo Sebastião Bugalho, "é possível governar com diálogo, não dependendo de nenhum parceiro único", mas clarificou que o PSD não toma "nenhum voto de ninguém por garantido".

"Tendo em conta a reação recente de um dos maiores partidos da oposição, nós não interpretamos, nós não lemos, na resposta institucional do PS à nossa proposta, uma recusa de diálogo, não a vimos", apontou.

O porta-voz do PSD também não antecipa por parte de partidos como o Chega ou a IL "que não estejam interessados em participar nesta reforma" que, segundo os sociais-democratas, "pretende dar um novo impulso ao arrendamento urbano".

"Estamos, portanto, conscientes, otimistas, mas não triunfalistas. Há trabalho para fazer e contamos com todos para o fazer. Para travar a escalada de preços, como vos dizia há pouco, que todos queremos combater, tal exigirá de todos um esforço negocial", pediu.

Confrontado com as críticas feitas na véspera pelo dirigente do PS André Moz Caldas, quer ao conteúdo quer à forma pelo facto de ser por "proposta de lei de autorização legislativa" - que segundo os socialistas impede que seja "maduramente discutida na especialidade" - Sebastião Bugalho respondeu que para o PSD "a autorização de lei não nega ou impede o debate e o diálogo entre os partidos".

"E, como aliás foi reiterado pelo PS, que tem, na sua liberdade, a prerrogativa de chamar a autorização de lei ao parlamento. Acho que o futuro dirá. Neste momento, a nossa disponibilidade para o diálogo, como lhe digo, é total", disse apenas.

Quanto ao conteúdo, o eurodeputado do PSD considerou "natural que haja diferenças entre o partido do Governo e os partidos da oposição". 

"Nós não vamos ter todas as ideias idênticas no que diz respeito à habitação ao PS, nem idênticas ao Chega, nem idênticas à Iniciativa Liberal. Estamos disponíveis para ouvir todos, estamos disponíveis para dialogar com todos e que temos noção que todos temos interesse em estabilizar o mercado e em dar mais oferta para que possamos responder à crise da habitação", reiterou.

Na sexta-feira, o PS acusou o Governo de avançar com medidas que transformam "o acesso ao arrendamento num leilão" e estimulam o aumento dos preços, criticando que seja retirado "o único mecanismo que moderava os preços dos novos contratos".

Depois de uma primeira apreciação negativa feita na quinta-feira pelo líder do PS, José Luís Carneiro, às novas medidas para o mercado de arrendamento, o dirigente socialista André Moz Caldas criticou as propostas do Governo e a forma, referindo que uma futura apreciação parlamentar "nunca poderá deixar de estar em cima da mesa".

Perante "os preços mais altos do que há memória", segundo o PS, aquilo que o Governo propõe é "antecipar em três anos o fim do travão às rendas nos novos contratos" que tinha sido criado pelo Mais Habitação.

"No mercado a subir 9% no trimestre, o Governo decide retirar o único mecanismo que moderava os preços dos novos contratos. Não é uma medida de habitação, é um estímulo ao aumento dos preços", condenou.

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