PS acusa: "Desigualdade nas condições para o acesso ao Ensino Superior"

O secretário-geral do Partido Socialista (PS) disse, esta sexta-feira, que o Governo "tem de agir" face ao que se passou com os exames nacionais, cujos resultados estavam previstos ser afixados hoje. José Luís Carneiro falou ainda na criação de "desigualdade nas condições de inscrição para o acesso ao Ensino Superior".

"O primeiro-ministro desvalorizou o que se estava a passar, como, aliás, o ministro [da Educação] fez também na Assembleia da República", afirmou, em entrevista à SIC Notícias, referindo-se até à 'chamada' feita a 1 de julho.

Falando dos adiamentos sobre a publicação das notas por parte do ministro, Fernando Alexandre, para o dia de hoje, Carneiro considerou: "Adiou sempre com uma certa sobranceria, que caracteriza este Governo. E qual foi essa sobranceria? Dizer que iriam adiar para dia 17 - não que fosse necessário, mas por uma questão de tranquilidade do processo de classificação".

E quanto à possível atuação de Luís Montenegro Carneiro explicou o que faria no seu lugar: "O primeiro-ministro tinha o dever de, mal regressou do Mundial, chamar o ministro da Educação, os secretários de Estado, os titulares de responsabilidades nos diferentes níveis no ministério da Educação e fazer um ponto de situação".

Face aos constrangimentos neste caso, o líder do PS apontou que se o ministro decidiu avançar com o processo "fê-lo de modo imprudente, como, aliás, se está a ver".

"Para mim, o que foi sempre surpreendente é responsabilizar todas as outras partes e não haver um momento em que as pessoas assumem a sua própria responsabilidade política por aquilo que se passou", apontou.

Confrontado sobre como vai agir face à situação, Carneiro sugeriu que Montenegro tinha de assumir a responsabilidade pelo convite feito a Fernando Alexandre para ocupar o cargo. "Nós não bloquearemos nenhuma comissão de inquérito", afirmou, dando conta de que na terça-feira o ministro estará na Assembleia da República: "Aguardamos pelas explicações que vai dar e admitimos que, em sede de comissão de educação, possam ser desenvolvidos instrumentos de escrutínio de todo este processo".

Recorde-se que Fernando Alexandre vai ser ouvido na Comissão de Educação e Ciência sobre o processo de digitalização e avaliação dos exames nacionais, a requerimento do PCP e do Livre. 

O socialista falou ainda da inexistência de planos de contingência neste processo, onde houve "irresponsabilidade que colocou em causa a vida de milhares de jovens".

"O ministro não quis relatar as falhas", acusou, apontando que as falhas em causa dizem respeito a folhas de continuação em falta, folhas com caligrafias distintas e itens que foram classificados - e outros que não. "Há desigualdade nas condições de inscrição para o acesso ao Ensino Superior. Isto é inaceitável", acusou ainda.

Carneiro criticou também a falta de uma palavra de Montenegro em relação ao assunto no debate do Estado da Nação, que se realizou ontem, assim como na tentativa de responsabilização de outros - pais, professores e diretores escolares.

O ministro da Educação, Fernando Alexandre, disse esta sexta-feira de manhã, ouvido em debate, que, nesta fase, a responsabilidade da publicação das notas é do Júri Nacional de Exames, que teria de enviar às escolas as classificações.

Pela primeira vez este ano, os exames nacionais do ensino secundário foram corrigidos em formato digital, mas o processo registou falhas técnicas desde o início, obrigando o Ministério da Educação a adiar os prazos inicialmente previstos.

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