A história do Renault Clio começou em 1990, tendo em 2025 um novo capítulo com a chegada da sexta geração do citadino do segmento B francês - que é já um clássico da gama.
Sucessor do Renault 5 original (o modelo voltou em 2024 com uma proposta elétrica), assume a forma de um hatchback de cinco portas com tração dianteira. E, agora, cresceu em dimensões, tornando-se mais espaçoso e mais imponente na estrada.
Atualmente, há quatro opções de motorização já disponíveis em Portugal: TCe 115 cv a gasolina com caixa manual, TCe 115 cv a gasolina com caixa automática de dupla embraiagem, full hybrid E-Tech 160 cv e, mais recentemente, surgiu o Eco-G 120 cv EDC - uma opção bifuel gasolina/GPL com caixa automática de dupla embraiagem.
O Auto ao Minuto teve a oportunidade de conduzir durante alguns dias o Renault Clio VI TCe 115 cv com caixa manual de seis velocidades. É um motor tricilíndrico 2,0 litros com 115 cv de potência alimentado a gasolina, cujo binário chega aos 190 Nm. Reivindica uma aceleração dos 0 aos 100 km/h em 10,3 segundos, sendo a velocidade limitada aos 180 km/h.
Para o TCe 115, há dois níveis de equipamento: Evolution e o intermédio Techno com o qual contactámos. Noutras motorizações, pode encontrar-se Esprit Alpine no topo de gama. O Clio está atualmente disponível a partir dos 21.990 euros (23.690 euros com o pacote Techno), ao passo que os extras fizeram a unidade ensaiada subir para 26.530,64 euros. Preços que não consideramos nada descabidos para o segmento, recursos e tipologia de veículo.
Condução
Zona do condutor© Notícias ao Minuto
Ao longo dos últimos meses, temos testado sobretudo automóveis elétricos ou com caixas automáticas - no fundo, é o que é cada vez mais é comum no mercado e não há como fugir disso.
Que bom é retomar contacto com a clássica caixa manual, com alavanca e pedal de embraiagem a serem operados pelo condutor. Retomar esse "prazer de condução" clássico - mesmo se não é o automóvel mais entusiasmante em termos de desempenho. É que o Renault Clio VI propõe uma simbiose entre humano e máquina. Por exemplo: com cruise control adaptativo ativado, fazemos um trabalho combinado com o carro, em que o sistema gere a velocidade e o condutor tem de tratar das passagens da caixa de seis velocidades.
O condutor segue numa posição algo baixa sem haver má visibilidade para a estrada, agarrando um volante com boa pega e ergonómico, revestido em TEP. Consideramos, no entanto, que o centro é um pouco pequeno demais relativamente ao aro - o que impacta mais visualmente do que a condução.
O conta-rotações é em barra, pelo que sentimos falta do mostrador circular convencional num veículo com o pedal de embraiagem e a alavanca. Está disponível no painel de instrumentos digital de 10,25 polegadas de fácil leitura.
Há os modos de condução Renault Multi-Sense, para melhor adaptar o comportamento do Clio: Eco, Comfort, Sport e Personalizado. Num uso que não puxe verdadeiramente pelo carro, as diferenças são mínimas, mas sente-se por exemplo uma maior contenção de desempenho em Eco.
A direção do Clio VI é precisa e competente. O comportamento, no geral, é equilibrado, seguro, previsível e transmite confiança ao condutor, sem desequilíbrios e reações estranhas do carro. Os ocupantes não são castigados pelas irregularidades do piso, exceto se forem muito pronunciadas.
O automóvel enfrenta bem as autoestradas, os centros das cidades e estradas mais sinuosas, sem se tornar desconfortável ou pouco capaz. E as dimensões, apesar de maiores do que noutras gerações, ainda tornam este modelo apto ao trânsito urbano. Estacionar não é difícil e, para ajudar, ainda há câmara e sensores de marcha-atrás.
A aceleração é linear e suave. O desempenho é mais do que suficiente para o que pedimos do automóvel a cada momento - incluindo em ultrapassagens nas autoestradas. O pedal do travão pareceu um pouco rígido, o que não consideramos negativo - nunca sentimos problemas ou lacunas em travagem.
Existem várias ajudas à condução para diferentes contextos de condução: desde o cruise control adaptativo à prevenção de saída da faixa de rodagem; desde o arranque em subida, à travagem ativa de emergência com deteção de peões, ciclistas e motociclos, passando até pelos já referidos sensores e câmaras de marcha-atrás.
Num carro que combina a experiência de condução "analógica" com algo de digital, há controlos físicos para várias funções de condução e do carro bem acessíveis ao condutor no volante: no tablier, na consola central e no painel esquerdo, incluindo ar condicionado, luzes, modos de condução (botão no volante). O ecrã central inclinado ligeiramente na direção do condutor, tal como noutros Renault.
Os retrovisores exteriores parecem estar um pouco baixos relativamente ao condutor. É algo que pode custar a habituar, mas que não compromete a boa visibilidade para o que está atrás.
O automóvel surge com deteção da atenção do condutor, mas os seus avisos são, por vezes, despropositados. Nada que prejudique a experiência da viagem, uma vez que não consideramos demasiado intrusivos. Acaba por ter impacto é no Safety Score (66/100, assinalando a necessidade de melhorar a vigilância quando, manifestamente, não foi o caso de ter de o fazer).
Por falar em Safety Score, o Renault Clio VI surge com as pontuações e recomendações para o estilo de condução - não só ao nível da segurança, como também da economia de combustível (Eco Score). É uma mais-valia para perceber o que melhorar a conduzir, até porque são exibidos conselhos.
Consumos
Ao longo do nosso teste, fomos registando consumos entre cerca de 5,5 litros e pouco mais de seis litros por cada 100 quilómetros - com o natural aumento ao conduzir em autoestrada.
Não adotámos uma condução poupada, nem mesmo ao nível de modo de condução. Aliás, isso mesmo mostrou o Eco Score com que terminámos (69/100, assinalando "mais esforço nas mudanças de relação").
Ainda assim, consideramos que neste aspeto o Renault Clio VI deixou um pouco a desejar, já que o consumo combinado WLTP anunciado é de 5,1 litros aos 100 km.
Experiência a bordo
Por dentro do Clio VI© Notícias ao Minuto
Ao entrarmos no Renault Clio, encontramos bancos ergonómicos e confortáveis, com estofos num padrão distinto em relevo. São em tecido 100 por cento reciclado Jacquard em acetinado preto. Há sistema de fixação Isofix para os bancos de trás e o banco do passageiro da frente é regulável em altura na unidade ensaiada - que conta com Pack Winter. Nesse âmbito, também tem aquecimento de ambos os bancos frontais.
Parece baixo por fora, mas o espaço e a habitabilidade são satisfatórios - quer para o condutor, quer para os passageiros. Atrás, um adulto cabe bem, mas para três torna-se um pouco mais apertado. O hatchback francês parece-nos confortável e possuidor de um espaço muito razoável - exceto no que toca à bagageira, que se fica pelos 309 litros.
Também é um carro com materiais, no geral, agradáveis - longe de serem premium, até porque não seria de esperar neste modelo. E a construção é competente.
A iluminação interior muda conforme o modo de condução, vendo-se no tablier e painéis das portas - parcialmente revestidos a um tecido que dá um aspeto retro.
Ao centro, encontra-se um ecrã tátil de 10,1 polegadas, que permite aceder ao infoentretenimento - na forma do sistema openR Link da Renault com serviços Google integrados (incluindo navegação Maps e assistente de voz Assistant). Outro recurso é a replicação dos smartphones, que podem ser ligados sem fios via Android Auto ou Apple CarPlay.
No automóvel que experimentámos, contámos ainda com um sistema de som Arkamys Auditorium de seis altifalantes - que, sem impressionar, é muito competente. Usufruímos, também, de duas entradas USB-C à frente e de ar condicionado automático, havendo ainda carregador sem fios de smartphones.
Rutura no design
O Renault Clio VI marca uma revolução no design© Notícias ao Minuto
O novo Renault Clio cresce em dimensões face à anterior geração, mas nem é preciso andar com uma fita métrica para perceber que o design marca uma revolução.
Mas comecemos pelas dimensões - cujas diferenças são de uns centímetros a mais face ao Clio V: 4.116 milímetros de comprimento, 1.768 milímetros de largura e 1.451 milímetros de altura, com distância entre eixos de 2.591 milímetros. O peso é de 1.202 kg.
O desenho é, no geral, mais assertivo e agressivo, com uma energia mais desportiva até. Encontramos capô esculpido com dois grandes vincos, uma grande grelha frontal preta, com vários losangos pequenos e o logótipo em ponto grande ao centro. O tema dos losangos continua na grelha inferior. Há faróis estreitos e angulares, assim como as luzes diurnas que parecem um losango não fechado.
As óticas traseiras são de pequenas dimensões e angulares. Aqui, a Renault resistiu à tendência das barras luminosas contínuas ou dos faróis de grandes dimensões. Também atrás, há um spoiler no fim do tejadilho em preto contrastante com a decoração em Cinzento Shiste.
Contraste esse que é também marcado pelas capas dos espelhos retrovisores e pelas jantes de 16 polegadas - que, neste caso, são em liga leve diamantadas em preto Dynamo.
Depois, encontramos os puxadores das portas discretos embutidos no pilar C preto (como noutros modelos Renault), uma linha de cintura alta e um vinco inferior lateral acima do friso. As cavas das rodas são pronunciadas e realçadas pelo preto contrastante.
De referir ainda que o carro tem vias mais largas. Para além disso, admite rebocar 900 kg com travão e 615 kg sem travão.
RENAULT CLIO TECHNO TCe 115
MOTOR
| Posição | Central Dianteira, Transversal |
|---|---|
| Arquitetura | 3 cilindros em linha |
| Distribuição | 12 válvulas |
| Alimentação | Inj. direta, turbocompressor e intercooler |
| Capacidade | 1.999 cm3 |
| Potência | 115 cv |
| Binário | 190 Nm |
TRANSMISSÃO
| Tração | Dianteira |
|---|---|
| Caixa de velocidades | Caixa manual de seis velocidades |
CHASSIS
| Suspensão | FR: Independente McPherson; TR: Independente, eixo de torção |
|---|---|
| Travões | FR: Discos ventilados; TR: Discos |
| Direção | Assistência elétrica |
DIMENSÕES E CAPACIDADES
| Comp. x Larg. x Alt. | 4.116 mm x 1.768 mm x 1.451 mm |
|---|---|
| Distância entre eixos | 2.591 mm |
| Capacidade da mala | 309 l |
| Capacidade do depósito | 39 l |
| Rodas | FR/TR: 195/60 R16 |
| Peso | 1.202 kg |
PRESTAÇÕES E CONSUMOS
| Velocidade máxima | 180 km/h |
|---|---|
| 0-100 km/h | 10,3s |
| Consumo misto | 5,1 l/100 km |
| Emissões CO2 | 115 g/km |
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0-10
ANÁLISE
O Renault Clio VI TCe 115 cv é um bom carro para famílias pequenas e para quem faz um uso pendular diário, sendo bem apto quer para cidades, quer para deslocações interurbanas ou até alguma viagem mais longa. No entanto, se vai de férias com muita bagagem, talvez não seja o ideal, pois o porta-malas tem uma capacidade muito contida. Alia recursos tecnológicos digitais com a experiência de condução analógica, o que nos dias de hoje é cada vez mais difícil de encontrar. Apesar de nos ter desiludido um pouco nos consumos por ficarem muito acima dos combinados anunciados, ainda assim não gasta "horrores" de combustível. Também é uma boa proposta de preço para o que encontramos.

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Bernardo Matias | 08:20 - 22/06/2026