➡️ O movimento é liderado por jovens e busca reformas na educação e a renúncia do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan.
Os protestos ganharam ainda mais impulso na terça-feira (21), quando líderes do principal partido de oposição da Índia, o Congresso Nacional Indiano (INC, na sigla em inglês), se juntaram às manifestações, apesar das fortes chuvas que atingem a capital.
Um movimento político satírico, o CJP foi inspirado por declarações feitas no início deste ano pelo presidente do Supremo Tribunal da Índia, que usou o termo "barata" para descrever jovens desempregados que se dedicam ao jornalismo e ao ativismo.
Após a repercussão negativa dos comentários, o presidente da Corte disse que se referia apenas àqueles com "diplomas falsos e fraudulentos".
Além da renúncia do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, os integrantes do CJP denunciam irregularidades relacionadas a um exame nacional de admissão para faculdades de medicina, realizado em maio. O governo cancelou a prova devido a um vazamento de questões. A decisão afetou milhões de estudantes e provocou indignação em todo o país.
Mas o movimento rapidamente se expandiu e se tornou uma das expressões mais visíveis nos últimos anos de dissidência pública contra o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi.
A polícia arrastou o líder do INC, Rahul Gandhi, e o colocou em um ônibus depois que ele protestou em frente à casa de Modi. — Foto: Reuters via BBC
Os protestos da terça também foram uma reação à brutal repressão policial às manifestações organizadas pelo CJP no dia anterior, segunda-feira (20), que resultou em dezenas de manifestantes e policiais feridos.
Na segunda-feira, dezenas de milhares de pessoas tomaram as ruas do centro de Déli depois que CJP convocou uma marcha até o Parlamento, no início da Sessão das Monções — que é o segundo dos três períodos legislativos anuais da Casa.
Pelo menos 60 pessoas ficaram feridas depois que a polícia usou cassetetes e gás lacrimogêneo para dispersar a multidão.
Os policiais também desmontaram o palco e as tendas improvisadas em Jantar Mantar, um antigo observatório astronômico que se tornou a principal base da demonstração. Mas os manifestantes se recusaram a sair, mantendo um protesto permanente.
O INC compartilhou vídeos de seu deputado Rahul Gandhi e outros sendo arrastados para ônibus e levados para centros de detenção durante a confusão (veja na imagem acima). Eles foram posteriormente libertados.
Após a violência de segunda, os manifestantes do CJP receberam a visita de vários líderes da oposição, como o ex-ministro-chefe de Déli, Arvind Kejriwal, e o político veterano Sharad Pawar. Mais tarde, na terça-feira, o presidente do INC, Mallikarjun Kharge, e o deputado Rahul Gandhi lideraram uma marcha surpresa até a casa de Modi, exigindo a sua renúncia e de outros ministros.

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Gandhi disse que o governo deveria pedir desculpas aos estudantes pela repressão, acrescentando que o seu partido decidiu realizar o protesto em frente à casa de Modi porque não foi autorizado a levantar a questão no Parlamento.
Ele disse que se encontrou com o presidente da Câmara, Om Birla, para solicitar uma discussão, mas "o presidente disse que precisava da permissão do governo". "Ficou muito claro para nós que o governo não tinha interesse em debater o assunto", disse Gandhi.
Mais tarde, Pradhan, o ministro da Educação, criticou o INC por "explorar descaradamente os estudantes como ferramentas políticas".
"Mesmo depois de o governo ter manifestado sua disposição para uma discussão abrangente, o CJP optou pelo espetáculo político em vez do debate democrático. Seu objetivo nunca foi encontrar soluções para os estudantes, mas sim causar perturbações para gerar manchetes políticas", disse ele em uma postagem no X.
Pradhan admitiu que o governo deve "respostas, reformas e responsabilização" aos estudantes do país, ascrescentando que "é exatamente isso que nosso governo continua comprometido em entregar."
👉 A renúncia de Pradhan tem sido uma das principais exigências dos manifestantes, e o CJP ainda não respondeu aos seus comentários.
A polícia usou força, incluindo cassetetes e gás lacrimogêneo, para dispersar os manifestantes. — Foto: EPA/ Shutterstock via BBC
Os manifestantes, que estão acampados há um mês em Jantar Mantar, ganharam atenção global depois que o ativista e educador Sonam Wangchuk se juntou a eles em 28 de junho e iniciou uma greve de fome por tempo indeterminado em apoio às suas reivindicações.
Ele foi retirado à força do local do protesto pela polícia no sábado (18) e levado ao hospital, onde continua em jejum.
Nos últimos dias, o apoio ao CJP cresceu além de Déli, com protestos também sendo realizados em outras grandes cidades como Mumbai, Hyderabad, Bengaluru e Ahmedabad.