Professores sem trabalho atribuído foram convocados no final da tarde de sábado para corrigir exames nacionais, a três dias do prazo para concluir o processo de classificação, denunciou hoje a Missão Escola Pública.
Segundo a porta-voz do movimento, Cristina Mota, vários professores foram informados pelos agrupamentos do Júri Nacional de Exames (JNE) no sábado, cerca das 18:00, de que iriam receber itens para classificar na plataforma eletrónica.
“Sei de um professor que estava convocado para Literatura Portuguesa e, entretanto, telefonaram-lhe a avisar que iria passar para Português. Ainda está a aguardar itens”, relatou Cristina Mota.
Na mensagem enviada à Missão Escola Pública, a que a Lusa teve acesso, o professor explica que, desde o início do processo de classificação dos exames nacionais do ensino secundário, nunca chegou a receber provas de Literatura Portuguesa para corrigir.
Noutro caso, a informação de que teria de corrigir exames de Português do 12.º ano só chegou hoje de manhã, com cerca de 200 itens atribuídos.
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“Esta é a situação mais grave”, sublinhou Cristina Mota, explicando que a professora em causa está a corrigir provas de Português do 9.º ano, com mais de 1.800 itens atribuídos.
Os casos foram partilhados pelos próprios em grupos de professores, mas, segundo a porta-voz, os docentes pedem para não ser identificados.
A três dias do prazo para concluir as classificações, que deverão estar finalizadas na terça-feira, Cristina Mota continua a manifestar preocupações quanto ao cumprimento dos prazos e ao rigor das avaliações, uma vez que muitos dos constrangimentos se mantêm.
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Além das folhas de continuação ainda em falta, alguns professores receberam, durante o fim de semana, centenas de itens por classificar.
No caso do exame de Português do 12.º ano – aquele que Cristina Mota acredita ser o mais problemático – uma professora disse-lhe que só consegue classificar, em média, cerca de seis composições por dia, muito abaixo do necessário para conseguir concluir o trabalho com rigor.
Por outro lado, os classificadores aguardam ainda os critérios de avaliação definitivos, que só deverão ser publicados na segunda-feira, ao final da tarde, restando apenas o dia de terça-feira para rever o trabalho.
“E muitos professores nem sequer estão a conseguir aceder aos itens que já tinham classificado”, acrescenta Cristina Mota, alertando que, mesmo depois de concluído o processo, poderão continuar a surgir problemas.
Em particular, a MEP está preocupada com a forma como os exames serão unificados, uma vez que, depois de digitalizadas, as provas foram “partidas” entre os vários itens de resposta, depois distribuídas por diferentes classificadores.
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“Se têm existido tantos problemas a fazer associar aos itens as respetivas folhas de continuação, até que ponto é que se vai conseguir juntar os itens referentes a um aluno para dar a classificação final?”, questiona, lembrando que após concluídas as classificações, no dia 14, as pautas deverão ser afixadas no dia 17.
Após ter denunciado, na sexta-feira, que supervisores estão a recomendar aos professores classificadores que recebem respostas incompletas que as classifiquem tal como estão, caso as folhas em falta não cheguem até ao fim do processo, a MEP refere que os docentes continuam a aguardar instruções oficiais do Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA) e do JNE.
Num esclarecimento publicado no sábado, o EduQA refere que “implementou um sistema de reporte de eventuais desconformidades dos itens (botão “Reportar”), permitindo aos professores classificadores a sua sinalização centralmente”.
No entanto, não esclarece como deverão proceder os docentes se ainda tiverem folhas de continuação em falta no final do processo, uma vez que os professores só conseguirão dar o trabalho como concluído se todos os itens tiverem uma classificação atribuída.
A Lusa questionou o Ministério da Educação, Ciência e Inovação sobre as situações relatadas hoje pela MEP, sem resposta até ao momento.