"Pressão portista deu pouca margem ao Aston Villa"

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Relatório de jogo na Rádio Observador. Nos próximos minutos, vamos falar do jogo entre o Futebol Clube do Porto e o Aston Villa, que terminou 2-1 a favor da equipa portista. William Gomes e Pepe marcaram para a equipa portuguesa e, para os ingleses, marcou Lynch. Faz-me companhia o Filipe Coelho, que esteve a acompanhar este encontro. Filipe, vamos, antes de mais, às primeiras notas a retirar deste encontro de preparação do Futebol Clube do Porto.

Sim, um jogo de pré-época, pode mesmo dizer-se assim, tendo em conta que, sobretudo na segunda parte, houve um abaixamento claro do ritmo da partida. A primeira parte foi diferente e aí há, sobretudo, que destacar a proatividade do Porto na forma como foi buscar o Villa muito acima no terreno, como se lançou constantemente num pressing fortíssimo sobre os ingleses. Deu muito pouca margem à equipa do Unai Emery para trocar a bola e, nesse aspeto, é um Porto que se mantém fiel aos princípios que lhe deram sucesso na última temporada, a forma como se dispõe para pressionar, nomeadamente numa primeira linha do William Gomes e do André Silva, depois o Gabri Veiga e o Franholt a encaixarem no Barkley e no Boga, os dois médios-centro da equipa inglesa, e com isso acabaram por reduzir o Villa a muito pouco. O Porto, além de manter essa pressão alta, é uma equipa que, do ponto de vista da bola parada, continua a ser bastante eficaz. Aliás, os dois gols surgem precisamente de lances de bola parada, até com muitas semelhanças, ambos em situações de ressaca. Não consegue ter sucesso no primeiro momento, mas depois, no 1x0, William Gomes, no 2x1, o Pepe, a terem remates que terminaram em gol, sem hipótese para o Marco Bizot. Mas é um Porto que, em termos de ataque organizado, creio que ainda tem de dar um salto, e tem que dar um salto não só em termos coletivos, para ser uma equipa mais ameaçadora, de forma mais constante, mas também em termos de perfisia. E há que realçar que, apesar do gol do William e de Pepe, são jogadores que continuam a ser bastante irregulares em termos de tomada de decisão e acabam por desperdiçar algumas situações que a equipa do Porto consegue criar de forma vantajosa desde trás, mas que depois desperdiça no último terço.

Filipe, é caso para dizer que Farioli é crente na ideia de que equipa que ganha não se mexe? Porque pareceu um Futebol Clube do Porto muito semelhante à da época passada. Pouco mudou na forma de jogar deste Porto.

Sim, absolutamente. Há uma ideia de continuidade geral, quer a nível de plantel, com muito poucas mexidas. Só perdeu os jogadores que estavam emprestados, o Seko Fofana e o Taremi, e depois também os casos do Thiago Silva e do Luuk de Jong, que foram saídas rapidamente anunciadas. De resto, o plantel está praticamente intacto. Entra o André Silva para colmatar a lesão do Samu. Entra também o Wang para ser uma espécie de um backup ao Franholt, mas a nível de plantel, de facto, retoques muito curtos e a nível de modelo de jogo, mantém-se a ideia que vem da temporada passada. E é natural, porque o Porto chegou ao título nacional precisamente a partir desta ideia de muita compactação defensiva, de uma equipa que defende em bloco, que pressiona o adversário de forma constante, que reduz muito as possibilidades para o adversário ter conforto nas partidas. Essa é a grande mais-valia coletiva do Porto. Depois, é uma equipa que, como disse, creio que ainda tem de crescer em termos de ataque organizado. Por mais que os médios trabalhem bem a bola, depois no último terço acaba por haver ainda bastante desperdício.

Filipe Coelho, vamos também falar um pouco sobre a forma como Farioli mexeu no jogo. A verdade é que é um jogo de pré-temporada, há muitas alterações a serem feitas. Ainda assim, deu muito tempo de jogo a quem esteve de início, o Francesco Farioli.

70 minutos, basicamente. Farioli mexe ao minuto 69 com a entrada de Rodrigo Mora, Borra Sáenz e Danny Sagoo. Portanto, de facto, foram praticamente 70 minutos com a equipa inicial a ter ritmo, com uma novidade a nível de lateral-direito. O Pablo Rosário foi escalado para essa posição também fruto de algum condicionamento físico do Alberto Costa e do Martim Fernandes, mas creio que a ideia do técnico italiano foi dar ritmo a esta equipa na antecâmara dessa Supertaça contra o Torreense. Portanto, diria que com 99% de certeza será este o 11 inicial, aquele que vai arrancar a partida frente ao Torreense. Depois, há a questão do lateral-direito. Diogo Costa, se calhar, também pode chegar à baliza do Porto. Veremos durante a semana, mas de resto, pouca margem para surpresas.

Filipe, também uma palavra para os reforços do Futebol Clube do Porto, algum que tenha chamado particularmente a atenção?

Sim, não há muitos para chamar a atenção, mas gostei do André Silva na forma como se dispôs para pressionar o adversário, ou seja, como abraçou essa ideia da equipa. Ele que ficou muito na vigilância do Cissokho, o central pela direita do Villa, mas incorporizou essa vontade da equipa do Porto em pressionar alto e foi importante para condicionar o Villa na saída para jogo. Depois, o Wang, que entrou só na reta final, jogou cerca de 10 minutos, mas é um médio com um perfume diferente. É um jogador de um toque de bola muito refinado, que tem bastante critério. É um jogador de enorme cultura tática e eu creio que pode ser uma mais-valia importante para o Porto. Há apenas e só a dúvida em relação à sua condição física. É um jogador que teve alguns problemas nas últimas temporadas, mas em termos de mais-valia puramente futebolística, é um jogador que tem tudo para acrescentar ao plantel portista.

Filipe Coelho, vamos ao melhor e ao pior, a começar pelo melhor deste encontro.

O melhor, as mais-valias coletivas do Porto, que se repetem em relação à temporada passada, a forma como a equipa pressiona alto, como pressiona em bloco, como reduz os espaços ao adversário. Depois também consegue interpretar os momentos em que tem necessidade de baixar e muitas vezes coloca o Alan Varela ao lado dos centrais e forma uma linha defensiva com cinco homens, fica em 5-4-1 no seu meio-campo defensivo e reduz muitos espaços ao Aston Villa. Portanto, nesse aspecto, é uma equipa que mantém todos os traços gerais da temporada passada e essa é uma grande base competitiva com que o Porto arranca para abordar 26/27.

E o pior?

O pior, duas notas. A irregularidade do Porto no último terço mantém-se em relação à temporada passada e creio que é um risco que o Porto tem se abraçar esta nova época com a sua capacidade de desequilibrar no último terço a ficar dependente de Pietro Zevski, porque o Pepe e William Gomes continuam a ser jogadores irregulares, errôneos, não dão tudo aquilo que o Porto mereceria em termos de criação, depois de uma equipa que tem bastante capacidade para elaborar desde trás, nomeadamente entre os centrais e os médios. E depois, nota final para o gol do Aston Villa, que acabou por nascer de desconcentração de Zaidu e Quive, era ali a meias, acabaram por entregar o gol à equipa do Unai Emery.

O relatório de jogo está entregue, autoria do Filipe Coelho sobre este jogo do Futebol Clube do Porto com o Aston Villa. Vitória portista por 2-1 no jogo de apresentação da equipa portista. Pepe e William Gomes marcaram os gols da equipa de Francesco Farioli.