Há vários portugueses a residir nas zonas afetadas pelos incêndios florestais em França. As autoridades portuguesas adiantaram ter recebido, até ao momento, "apenas dois pedidos para emissão de títulos de viagem de portugueses que, no pânico e aflição, deixaram para trás a sua documentação".
De recordar que tanto França como Espanha estão a ser assolados por incêndios de grande dimensão em várias regiões.
No domingo, Valdemar Félix, antigo conselheiro da comunidade portuguesa na região e atual vereador da câmara de Lormont, avançou à agência Lusa que no departamento francês da Gironda, uma das zonas mais afetadas, vivem cerca de três mil portugueses.
Ora, de acordo com a informação partilhada, cerca de três mil portugueses dos mais de 20 mil portugueses que vivem em Gironda residem nas áreas afetadas pelo incêndio que já consumiu 42 mil hectares e obrigou à retirada de aproximadamente 220 mil pessoas.
De salientar que o incêndio em Gironda é o mais grave atualmente em combate em França, mas existem também focos ativos nos departamentos de Var, Landes, na ilha da Córsega e na região dos Altos Alpes, entre outras zonas.
Segundo Valdemar Félix, a região está transformada "num cenário de guerra", com várias estradas cortadas - como a A63, que liga Bordéus a Bayonne, na fronteira com Espanha.
Embora não se tenham registado vítimas civis, 75 bombeiros ficaram feridos, dos quais dez tiveram de ser retirados do terreno.
MNE acompanha "calamidade" em França e Espanha
O Ministério dos Negócios Estrangeiros, através do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, afirmou ao Notícias ao Minuto estar "a acompanhar a calamidade que assola as regiões de França e Espanha".
Adiantou ainda que, no que se refere à comunidade portuguesa em França, "alguns cidadãos nacionais" tiveram de ser retirados das zonas onde habitam, havendo "casos de perdas materiais e danos à propriedade".
"Até ao momento, apenas chegaram dois pedidos para emissão de títulos de viagem de portugueses que, no pânico e aflição, deixaram para trás a sua documentação", informou.
Incêndios (também) em Espanha
Incêndios de grandes dimensões também estão a assolar a Espanha, onde o primeiro-ministro, Pedro Sánchez, antecipa "momentos difíceis", anunciando que irá deslocar-se esta segunda-feira à zona afetada de Castellón, perto de Valência, onde o fogo já consumiu mais de 4.300 hectares e obrigou à retirada de mais de 16 mil pessoas de quase uma vintena de municípios, confirmaram à agência noticiosa espanhola EFE fontes do governo.
Entre as regiões mais afetadas estão Valência, Madrid, Ávila e Toledo, com os três últimos a terem uma evolução positiva no domingo, apontou o ministro da Administração Interna espanhol, Fernando Grande-Marlaska.
Recorde-se que Espanha declarou a situação de emergência nacional nas províncias de Madrid, Ávila e Toledo por causa dos fogos florestais, que já levaram a confinar ou a retirar de casa mais de 90.000 pessoas desde quinta-feira.
Área ardida em Madrid, Ávila e Toledo é de 77.000 hectares
A ministra para a Transição Ecológica e o Desafio Demográfico de Espanha, Sara Aagensen, adiantou, no domingo, que os incêndios que estão a atingir Madrid, Ávila e Toledo já consumiram 77.000 hectares, descrevendo o fogo em Ávila como o "maior incêndio florestal" da história recente do país.
No seu conjunto, os incêndios em Madrid, Ávila e Toledo somam 77.000 hectares de área ardida, dos quais 50.000 hectares em Ávila, mais de 25.000 hectares na Comunidade de Madrid e mais de 2.000 hectares em Toledo.
A governante salientou que Espanha está a atravessar uma época de incêndios "extraordinariamente complicada".
Também no município de Vall d'Uixó (Castellón), o incêndio que deflagrou no sábado já obrigou à retirada de mais de 16 mil pessoas de 15 municípios, tendo já ardido cerca de 4.300 hectares.
O Governo de Espanha revelou já terem ardido este ano mais de 150.000 hectares no país e há registo de 32 grandes fogos florestais desde janeiro, multiplicando seis vezes os números do mesmo período de 2025.
O Governo de Pedro Sánchez vai aprovar na terça-feira, em Conselho de Ministros, um decreto-real que declarará como zonas gravemente afetadas os territórios que estão a ser devastados pelas chamas.

"Estamos perante maior incêndio florestal da história recente de Espanha"
Os incêndios que estão a atingir Madrid, Ávila e Toledo já consumiram 77.000 hectares, segundo a ministra para a Transição Ecológica espanhola, que aponta o fogo de Ávila como o "maior incêndio florestal" da história recente de Espanha.
Lusa | 18:49 - 26/07/2026