Portugal extradita homicida de jornalista brasileiro. "Alívio", diz filho

O homicida de um jornalista brasileiro detido pela Polícia Judiciária (PJ) nas Caldas da Rainha, no passado mês de janeiro, já foi extraditado para o Brasil, onde vai cumprir agora pena pelo crime.

Ao Globo, o filho de Valério Luz, o radialista assassinado em Goiânia, no verão de 2012, disse que a extradição para o Brasil de Marcus Vinícius Xavier é um "alívio".

"Alívio porque foi um processo muito longo até a condenação dos perpetradores desse homicídio", salientou Valério Luiz Filho.

A extradição do homicida, que aconteceu este mês de julho, aumenta assim o sentimento de justiça da família, ainda que um dos condenados continue foragido.

"O facto de o Marcus ter sido capturado e começar a cumprir a pena de 14 anos aumenta o sentimento de justiça da família. Agora esperamos que o último foragido seja capturado em breve", adiantou.

Detido nas Caldas da Rainha, onde vivia legalmente com família (após ser expulso 2 vezes de Portugal)

Foi em janeiro que a Polícia Judiciária (PJ) deteve nas Caldas da Rainha, distrito de Leiria, Marcus Vinícius Pereira Xavier, de 41 anos.

Segundo o que escreveu o Correio da Manhã na altura, o assassino vivia legalmente em Portugal há cerca de uma década, apesar de, já ter sido expulso duas vezes do país.

A primeira vez ocorreu, segundo o matutino, em 2004, antes do violento assassinato de Valério Luiz. Nessa altura, Marcus foi expulso pelo extinto SEF após ser detido por agredir um sócio.

Posteriormente, já depois de ser detido no Brasil, por mandar matar o jornalista brasileiro e ter sido libertado, fugiu para Portugal, em incumprimento das medidas de coação.

Acabou por se estabelecer nas Caldas da Rainha, com a mulher e os dois filhos, cidade esta onde foi novamente detido no início deste ano.

Em agosto de 2014, 10 meses depois de regressar a Portugal, o homem que trabalhava como talhante viu-se encurralado pelo SEF num prédio, ainda de acordo com o Correio da Manhã, e saltou de um terceiro andar para fugir aos inspetores.

Apesar disso foi apanhado e extraditado para o Brasil para responder pelo assassinato. Pouco depois, terá regressado às Caldas e conseguido, inclusive, título de residência, em 2018, ano em que ainda não tinha sido condenado nem era alvo de um mandado de captura.

Homicida brasileiro das Caldas já tinha sido expulso 2 vezes de Portugal

Homicida brasileiro das Caldas já tinha sido expulso 2 vezes de Portugal

O homicida de um jornalista brasileiro detido pela Polícia Judiciária nas Caldas da Rainha já tinha sido expulso de Portugal duas vezes. Uma antes do crime e outra depois. No entanto, vivia legalmente com a família há cerca de uma década na cidade do distrito de Leiria.

Natacha Nunes Costa | 16:08 - 15/01/2026

Desde essa altura que, apesar de estar a viver regularmente em Portugal, mudava frequentemente de morada e trabalhava em biscates na construção civil.

Trabalhava em Portugal como pedreiro e pastor

Revela também O Globo que, em Portugal, Marcus era pedreiro e pastor,  "uma ocupação que vem crescendo entre a comunidade brasileira" a viver em Portugal.

Mal chegou ao Brasil, o brasileiro iniciou o cumprimento da pena de 14 anos em Goiás. Enquanto isso, a sua Defesa tenta anular o julgamento no Supremo, para que este possa ser libertado.

O caso

Marcus, que trabalhava como talhante no Brasil, foi condenado a 14 anos de prisão, em 2022, 10 anos após o crime que chocou o país. Além dele, outros três arguidos foram também condenados pelo homicídio do jornalista Valério Luiz.

O brasileiro foi morto com sete tiros a 5 de julho de 2012, em frente à rádio onde trabalhava como comentador desportivo e enquanto estava sentado no carro.

Segundo a imprensa brasileira, o jornalista teria criticado a gestão do clube Atlético Goianiense, dirigido na altura por Maurício Sampaio. Este não terá gostado e terá mandado matar Valério.

Maurício e o polícia militar Ademá Figueiredo, que foi quem premiu o gatilho, foram condenados a 16 anos de prisão.

Já Urbano Malta, que terá contratado Ademá e Marcus, que terá ajudado a elaborar o plano, foram condenados a 14 anos.

Marcus, que já tinha fugido para Portugal nessa altura, estava em liberdade. mas violou as medidas de coação. Após vários recursos, o Supremo Tribunal brasileiro acabou por confirmar as penas e emitiu um mandado internacional de captura para o brasileiro.

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