A polícia russa deteve esta segunda-feira Boris Nadezhdin, opositor à guerra na Ucrânia e antigo candidato presidencial que tentou concorrer contra Vladimir Putin nas eleições de 2024. A informação foi divulgada pelo próprio político através das redes sociais.
“A polícia chegou. Estão a levar-me para a esquadra de Dolgoprudny”, escreveu Nadezhdin na sua conta no Telegram, citado pelo ‘El Español’. A cidade situa-se na região de Moscovo, onde o opositor desenvolveu parte significativa da sua atividade política.
Não foram imediatamente divulgadas as razões da detenção nem esclarecido se o político ficou formalmente acusado de algum crime ou infração. Também não era conhecido, no momento do anúncio, durante quanto tempo permaneceria sob custódia.
A detenção acontece poucos dias depois de o Ministério da Justiça russo ter incluído Nadezhdin no registo de “agentes estrangeiros”, uma classificação que impõe fortes restrições à atividade pública e impede os visados de se candidatarem a cargos eletivos.
As autoridades russas acusam o político de divulgar informações que consideram “não fiáveis” sobre decisões do Governo e sobre o sistema eleitoral do país. O Ministério da Justiça atribui-lhe ainda apelos à participação em manifestações e piquetes não autorizados e colaboração na produção de conteúdos ligados a organizações declaradas indesejáveis.
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A mesma classificação foi aplicada à associação “Quartel-General dos Candidatos”, à jornalista Yekaterina Voropai e ao ativista e empresário Timofei Rogozhin. Ao contrário destes dois colaboradores, que vivem no estrangeiro, Nadezhdin permaneceu na Rússia.
O antigo deputado preparava uma candidatura às próximas eleições legislativas e procurava recolher milhares de assinaturas nos círculos de Mytishchi e da região de Moscovo. A inclusão no registo de “agentes estrangeiros” inviabilizou essa intenção a pouco mais de dois meses das eleições para a Duma.
Nadezhdin tentou concorrer às eleições presidenciais russas de março de 2024 com uma plataforma contrária à invasão da Ucrânia. A Comissão Eleitoral Central recusou, porém, registar a candidatura, alegando irregularidades nas assinaturas apresentadas pela sua equipa.
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O político foi deputado da Duma entre 1999 e 2003 e esteve ligado ao movimento liberal liderado por Boris Nemtsov, opositor assassinado em Moscovo em 2015. Nadezhdin tem comparado a classificação de “agente estrangeiro” ao rótulo soviético de “inimigo do povo”.
A detenção reforça a pressão sobre uma das poucas figuras críticas do Kremlin que continuavam a viver e a desenvolver atividade política dentro da Rússia. Nadezhdin defendia negociações para terminar a guerra e criticava a condução política do país, embora evitasse frequentemente ataques pessoais diretos a Putin.