
O ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, alerta que Portugal não pode ser “a lixeira” dos centros de dados da Europa. O Governo está interessado em atrair investimento nestas infraestruturas, mas investimentos que “sejam produtivos” e que “tenham tração” sobre a “realidade de desenvolvimento do país”.
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Escolher“Queremos absorver, atrair investimento, mas não queremos ser quase a lixeira da Europa”, avisou o governante, intervindo na Conferência .IA, uma iniciativa do ECO que decorre esta terça-feira no Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa.
Numa altura em que surge oposição aos data centers em várias partes do mundo, uma tendência que tem vindo a ganhar expressão nos EUA, Pinto Luz lembrou que os data centers sobre os quais assenta a economia digital e a inteligência artificial (IA) representam um “consumo energético absolutamente astronómico e, muitas vezes, sem externalidades positivas”.
Pinto Luz sublinhou que “não há IA sem infraestrutura”, incluindo “cabos submarinos”, “gigafábricas” e “as próprias redes de comunicações de última geração”, destacando-se os “milhares de quilómetros de fibra” existentes no país.
Dito isto, o ministro indicou que “na próxima década” será necessário “fazer transformações que noutras alturas foram feitas em várias décadas”. “A nossa plasticidade enquanto seres humanos é colocada em causa”, tal como “os nossos modelos de vida”. Por isso, é essencial assegurar que existem “modelos de governo” compagináveis com este “ritmo mais acelerado”.
De resto, há aspetos da IA que ainda não são “absolutamente” claros, indicou ainda o ministro das Infraestruturas. “Temos casos em que a produtividade até diminui (…) Temos muito essa vontade de experimentar o que é novo, e muitas vezes o que é novo não traz necessariamente maior produtividade. Temos de ter capacidade de medir e medir com rigor”, alertou.
Miguel Pinto Luz também abordou o setor das comunicações eletrónicas nesta intervenção, criticando o facto de a regulação na Europa não permitir “ganhar massa crítica” numa área da economia que requer “capitais intensivos”. “Se [os investimentos] não forem bem remunerados, não teremos empresas saudáveis”, indicou.
O Governo tem em curso o Plano Nacional de Centros de Dados, que inclui medidas para simplificar licenciamentos e permitir que mais empresas deste setor instalem infraestruturas no país. Adicionalmente, está a ultimar uma candidatura ibérica à captação de uma gigafábrica de IA, juntando também financiamento europeu e capital privado, na qual prevê investir até 200 milhões de euros de fundos nacionais.
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