Número de vítimas de acidentes de moto cresce 57% no Grande Recife | G1

Dados do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) mostram que, entre 2022 e 2025, houve um aumento de 57,69% nos atendimentos de urgência a vítimas de acidentes envolvendo motocicletas no Grande Recife. Só no ano passado, o Samu registrou 11.231 casos, incluindo atropelamentos (veja vídeo acima).

Na capital pernambucana, o maior número foi registrado em dezembro do ano passado. Ao todo, 600 pessoas ficaram feridas, com cerca de 20 atendimentos diários.

Segundo o coordenador geral do Samu Metropolitano, Leonardo Gomes, o aumento no número de casos tem impactado o atendimento prestado pela instituição porque, em muitos casos, esse tipo de ocorrência envolve pelo menos duas vítimas.

"Tem aumentado muito o número de feridos [com motocicletas]. Antigamente, nós atendíamos uma pessoa guiando uma motocicleta. Hoje, nós temos duas pessoas ou às vezes até uma terceira, se for um atropelamento. Então, isso ocupa mais equipes do Samu ao mesmo tempo. Uma ambulância que conseguia atender uma vítima. Hoje são necessárias duas ou até três ambulâncias", afirmou.

Leonardo também explicou que os acidentes de trânsito afetam outros atendimentos de urgência realizados pelo Samu. Como os chamados são priorizados de acordo com a gravidade, pacientes com traumas graves acabam tendo preferência no atendimento, como costuma acontecer nesse tipo de ocorrência.

"O Samu não atende só a sinistros, então as outras causas, as causas clínicas, como as doenças e o envelhecimento, vão acontecer. Esses atendimentos podem ter menor gravidade naquele momento inicial, quando você compara com alguém com a fratura exposta do sinistro de motocicleta, um traumatismo craniano. Essa pessoa pula na frente daquela pessoa que está com uma crise de hipertensão, uma dor torácica, algo menos grave para aquele momento", disse.

O motociclista de aplicativo Wellington da Silva se envolveu num sinistro de trânsito na Avenida Caxangá, na Zona Oeste do Recife, há cerca de um ano e oito meses, enquanto tentava fazer uma ultrapassagem pela direita. Considerada arriscada, a manobra é classificada como uma infração de trânsito.

"Fui passar pela direita e o cidadão me fechou. Eu peguei e sobrei na pista e tive umas escoriações na pele. Eu fui socorrido nesse dia pelos próprios parceiros do aplicativo que me ajudaram, me auxiliaram para levar para [o Hospital da] Restauração. [...] O pessoal não respeita moto, mas eu sei que a gente tem horas que também dá os vacilos da gente, mas é porque a gente já ganha por meta, por corrida", disse.

Trânsito na área central do Recife — Foto: Day Santos/TV Globo

Fator humano

Para reduzir o número de sinistros envolvendo motocicletas, algumas medidas podem ser adotadas. Entre elas, mudanças no comportamento dos próprios condutores, o chamado fator humano.

Para o especialista em segurança viária Rodrigo Aguiar dos Santos, uma das explicações para o aumento dos sinistros é o crescimento do uso de motocicletas em aplicativos de transporte e de entrega.

"Temos hoje entrega de mercadorias, entrega de alimentos, inclusive, a circulação com pessoas, com passageiros, que é um grande perigo porque, aliado a esse crescimento, nós tivemos o crescente número de sinistros", afirmou.

Segundo o especialista, cerca de 90% dos sinistros têm relação com o fator humano, embora outros aspectos também contribuam para as ocorrências.

"Temos as condições da via, condições do veículo e, principalmente, o fator humano. Esse fator humano é considerado 90% dos casos dos sinistros. Então, a conscientização para quem vai dirigir, para quem vai pegar a moto, é justamente você evitar o excesso de velocidade, o uso de bebida alcoólica, que são grandes fatores que contribuem para o aumento de sinistro. Além disso, tem o fator da via, os buracos na pista, a pista escorregadia... A junção de todos esses fatores acaba ocorrendo um sinistro que pode ser fatal", disse.

Rodrigo Aguiar dos Santos é especialista em segurança viária — Foto: Day Santos/TV Globo

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