Eleitorado no exterior chega a 919 mil, alta de 32% em quatro anos | G1

O aumento foi de aproximadamente 221,8 mil eleitores em quatro anos, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (20) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A distribuição destes brasileiros no exterior também mudou nos últimos 4 anos. De acordo com os dados da Justiça Eleitoral, a cidade que registrou maior aumento no número de brasileiros aptos a votar em relação às eleições de 2022 foi Lisboa, em Portugal. Passou de 45,3 mil para mais de 78 mil, crescimento de 74,1%.

Isso acontece principalmente por causa da imigração. De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE) de Portugal, os brasileiros são a maioria entre os imigrantes regulares do país. Até o fim de 2025, eram pelo menos 574.195, conforme relatório divulgado em junho deste ano.

Ainda assim, considerando todas as cidades, os Estados Unidos continuam sendo o país com o maior número de eleitores brasileiros cadastrados. Eram 182.986 em 2022, e neste ano são 265.437.

Veja as 10 cidades no exterior com maior eleitorado brasileiro:

  • Lisboa, Portugal: 78.833 eleitores (aumentou 74,1% em relação ao pleito de 2022)
  • Boston, Estados Unidos: 53.406 (aumentou 43,7%)
  • Porto, Portugal: 47.676 (aumentou 58,4%)
  • Nagóia, Japão: 44.570 (aumentou 25,0%)
  • Miami, Estados Unidos: 40.104 (diminuiu 0,21%)
  • Nova York, Estados Unidos: 39.026 (aumentou 39,7%)
  • Londres, Inglaterra: 37.564 (aumentou 8,9%)
  • Tóquio, Japão: 30.062 (aumentou 4,6%)
  • Paris, França: 27.062 (aumentou 19,6%)
  • Orlando, Estados Unidos: 26.411 (sem informação)

Das 186 cidades no exterior com registros de brasileiros, 144 tiveram aumento na quantidade de eleitores, 3 continuaram com a mesma quantidade e 34 tiveram queda no eleitorado.

Apoiadores de Lula e de Bolsonaro em Londres demonstram apoio político ao votar na Inglaterra — Foto: Gabriel Araujo von Winckler/Arquivo Pessoal

O crescimento do eleitorado não significa, necessariamente, que o número de brasileiros que vivem no exterior tenha aumentado na mesma proporção. A variação também pode refletir novos alistamentos, transferências de domicílio eleitoral e atualizações cadastrais.

A faixa de 40 a 44 anos é a mais numerosa, com 124.782 pessoas. O campo de raça ou cor aparece como “não informado” em 556.966 cadastros, o equivalente a 60,6%.

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Orçamento para organizar a votação

Geralmente, as seções eleitorais (locais de votação) no exterior são montadas em embaixadas ou escritórios consulares. Mas nem sempre os espaços dão conta de toda a movimentação.

Um documento obtido pelo g1 mostra que o Itamaraty trabalha com 66 endereços a mais no pleito deste ano: 14 deles são nos Estados Unidos, e, destes, 3 deles estão na cidade de Boston.

O Japão é o segundo país com mais seções alugadas, com 8 locais previstos. Destes, 5 são em Nagóia, quarta cidade com mais eleitores brasileiros em 2026.

As regras no exterior são as mesmas do Brasil. O voto é obrigatório para pessoas alfabetizadas e maiores de 18 anos, e opcional para analfabetos, maiores de 70 anos e pessoas entre 16 e 17 anos.

A diferença é que, fora do país, os brasileiros votam apenas para presidente, e não para governador, senador e deputado.

Mulheres são maioria, mas eleitorado masculino cresce mais

As mulheres continuam sendo maioria entre os eleitores cadastrados fora do país. O número passou de 408.055, em 2022, para 527.734, em 2026 — um crescimento de 29,3%.

Entre os homens, o total subiu de 289.023 para 391.142 no mesmo período, uma alta de 35,3%.

Mulheres continuam como maioria no eleitorado no exterior e no eleitorado total de 2026 — Foto: Kayan Albertin - Arte/g1

Em 2022, elas representavam 58,5% dos eleitores no exterior. Em 2026, essa participação passou para 57,4%. A parcela masculina aumentou de 41,5% para 42,6%.

Faixa de 40 a 44 anos é a mais numerosa

Os eleitores de 40 a 44 anos formam o maior grupo etário no exterior, com 124.782 pessoas. Em 2022, eram 100.481 — uma alta de 24,2%.

A segunda faixa mais numerosa passou a ser a de 45 a 49 anos, com 116.267 eleitores. Esse grupo cresceu 44,6% na comparação com 2022, quando reunia 80.419 pessoas.

Faixa etária do eleitorado brasileiro no exterior — Foto: Kayan Albertin - Arte/g1

Na sequência aparecem os eleitores de 35 a 39 anos, com 115.044; de 30 a 34 anos, com 97.966; e de 50 a 54 anos, com 88.917.

Entre as faixas mais jovens, o grupo de 21 a 24 anos registrou crescimento de 66,6%, passando de 39.131 para 65.195 eleitores.

Raça ou cor não foi informada em 61% dos cadastros

A raça ou cor aparece como “não informada” no cadastro de 556.966 eleitores no exterior, o equivalente a 60,6% do total.

Entre os registros com essa informação, a categoria "branca" é a mais frequente, com 233.202 eleitores. Em seguida aparecem "parda", com 89.277; "amarela", com 21.170; "preta", com 17.661; e "indígena", com 600.

Na base de comparação de 2022, todos os 697.078 registros apareciam sem raça ou cor informada. Por isso, não é possível medir a evolução de cada grupo racial entre as duas eleições.

Grande maioria brasileiro do eleitorado no exterior não informou sua raça ao TSE — Foto: Kayan Albertin - Arte/g1

Número de eleitores com deficiência aumenta 86%

O número de eleitores no exterior que declararam alguma deficiência passou de 3.561, em 2022, para 6.614, em 2026. O crescimento foi de 85,7%.

Esses registros representam 0,72% do eleitorado no exterior. Os números correspondem às informações declaradas no cadastro eleitoral e podem não representar a quantidade total de brasileiros com deficiência que vivem fora do país.

A base também contabiliza 369 pessoas que utilizam nome social — usado por pessoas trans para se identificarem e serem reconhecidas socialmente. Em 2022, eram nove registros.

Variações nessas categorias podem refletir não apenas o crescimento do eleitorado, mas também atualizações e novos preenchimentos do cadastro.