Próximas horas prometem ser decisivas para se voltar a estar perto de um acordo ou para regressarmos à guerra total
Explosões em Teerão, claro, mas também no Iraque, no Kuwait, no Bahrein, no Iémen e até na Arábia Saudita, com mortes pelo meio e navios civis atacados. A guerra no Médio Oriente parece estar mais perto de voltar do que nunca, com o Irão a resistir de forma clara às ameaças dos Estados Unidos.
De acordo com as Forças Armadas norte-americanas, começa a partir desta terça-feira, às 21:00 de Portugal Continental, um bloqueio total à navegação de e para o Irão.
É a fase um daquilo dos Estados Unidos a tentarem efetivar-se como “guardiães” do Estreito de Ormuz, figura criada por Donald Trump, que atirou com a possibilidade de portagens na ordem dos 20%.
O Irão nem fingiu que isso podia ser uma hipótese, respondendo com o mesmo termo dos “guardiães”, mas para dizer que era ao seu país que cabia esse papel numa das zonas estratégicas mais importantes do mundo.
Ato contínuo, a guerra atingiu um novo pico de tensão, com navios atacados no Estreito de Ormuz. Para já estão confirmados disparos contra dois petroleiros dos Emirados Árabes Unidos.
Num dos casos um tripulante de nacionalidade indiana acabou mesmo por morrer, com o país onde ficam cidades como Abu Dhabi e Dubai a prometer uma resposta.
Estão ainda confirmados oito feridos, seis de nacionalidade indiana e dois de nacionalidade ucraniana. Ambos os navios acabaram por pegar fogo, mas os incêndios foram, entretanto, controlados.
Já depois da notícia da morte, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irão anunciou que tinha “atacado e desmantelado” aquilo a que chamou de “superpetroleiros desonestos”.
As autoridades iranianas acusaram os navios de desligarem os sistemas de navegação e de ignorarem todos os avisos emitidos a partir de terra, insistindo na passagem pelo Estreito de Ormuz através de uma “rota minada”.
Os petroleiros, que agora já sabemos que se chamam al-Bahiya e Mombasa, estavam em águas territoriais de Omã, o que mostra a dimensão que a guerra está a ganhar nestas últimas horas.
Outra prova disso é a presença de pelo menos uma dúzia de aeronaves militares dos Estados Unidos no Golfo Pérsico. Foram vistas nas aplicações de rastreamento de aviões, sendo que os aparelhos detetados vão desde reabastecedores e aparelhos de vigilância.
A presença das aeronaves também coincidiu com a altura em que o Comando Central dos Estados Unidos anunciou que estava em curso mais um ataque contra o Irão. Foi a terceira noite consecutiva e, até por aí, a guerra parece estar em risco de escalar.
E se no mar a tensão parece estar elevada, também em terra há relatos de explosões. Cidades como Bushehr ou Bandar Abbas voltaram a ser atacadas, mas ilhas como Qeshm, por exemplo, tudo localidades no Irão.
Só que do outro lado do Golfo Pérsico tiveram de ser ativadas as defesas de Kuwait ou Bahrein, locais de importantes bases dos Estados Unidos. Se a isso acrescentarmos ataques a posições iranianas em Erbil, no Iraque, ou trocas de disparos entre Arábia Saudita e os rebeldes Houthis do Iémen, de repente envolveram-se sete países em disparos ou conflitos militares. E Israel até ficou de fora.
Donald Trump ainda prometeu que esta fase “vai ser muito rápida”, já que os Estados Unidos “demoliram o Exército” do Irão, mas devem continuar a atacar nas próximas horas.
O fim, rápido ou não, não se percebe exatamente como vai ser.