A urgência de abrandar e de regressar à natureza, conhecendo-a melhor, deram mote à peça Entre as Árvores, que a Companhia de Teatro de Sintra – Chão de Oliva estreia no dia 17, na Quinta da Ribafria, naquela vila.
Com direção artística de Susana C. Gaspar, Entre as Árvores é um espetáculo site specific que convida o público a uma “experiência única, pensada especialmente para aquele espaço”, disse esta segunda-feira Susana C. Gaspar à agência Lusa.
A peça interativa visa “aproximar o público de diferentes modos de conhecer e habitar a natureza, numa abordagem poética, visual e documental”, frisou.
Entre as Árvores é também “uma forma de ativar a proteção da natureza por parte dos seres humanos; estamos a usufruir deste planeta e, cada vez mais, a colocá-lo em risco”, enfatizou a também diretora artística do Chão de Oliva.
Alegando o papel “fundamental” que as árvores desempenham no ecossistema e na vida, e o facto de continuarem a ser maltratadas, “o espetáculo faz uma abordagem documental, científica e poética” do espaço, acrescentou a criadora.
Pensada para a Quinta da Ribafria, em Sintra, a peça “pode ser adaptada a qualquer outro bosque ou floresta”, afirmou, acrescentando que no espetáculo é partilhado “algo que poderíamos ouvir em qualquer floresta, identificando esses mesmos sinais ou informações”.
Munidos de auscultadores, os espetadores acompanham Isabel Costa e Susana C. Gaspar, autoras e intérpretes da peça, desde o portão da quinta, num percurso relativamente curto, ao longo do qual escutam histórias sobre árvores, “desde as estratégias de como se protegem, às relações que entre elas se estabelecem”, acrescentou Susana C. Gaspar.
Com dramaturgia inspirada em obras como A sabedoria das árvores, de Peter Wohlleben, Como ler uma árvore, de Tristan Gooley, e A utilidade das árvores, de Mário de Azevedo Gomes, o texto da peça baseia-se também em relatórios científicos e testemunhos de pessoas com atividade relacionada com as árvores e florestas, observou.
Susana C. Gaspar citou o livro Como ler uma árvore para sublinhar que, “no fundo”, a peça destina-se a que o público fique “com alguns segredos sobre as árvores, possa pegar neles, olhar para as árvores e perceber um bocadinho melhor aquilo que elas nos revelam sobre a sua história”.
“Como elas comunicam, como se alimentam. E poder olhar para esses sinais um bocadinho em maior cumplicidade com a natureza e perceber que ela é vulnerável”, frisou, lembrando que o espetáculo tem uma versão para adultos e outra para a infância.
Devido à linguagem “muito codificada” de algumas obras científicas sobre as árvores, as coautoras da peça decidiram adaptá-la, permitindo que “quem não seja biólogo ou não estude ciências naturais há muito tempo” possa “ouvir e compreender pormenores científicos sobre as árvores”.
Para a infância adaptaram uma versão “muito mais leve, mais solta e mais brincada, em cumplicidade com as crianças”, permitindo-lhes, todavia, “uma experiência partilhada com o mesmo gosto e fruição”.
Susana C. Gaspar frisou ainda que o que mais a fascinou no processo de criação – e admitindo “esperar que o mesmo aconteça com o público” – é que depois de passarem por esta experiência “nunca mais vemos uma árvore da mesma maneira”.
Podemos “estar com elas e sem medo de as tocar, de as conhecer, de voltar a cheirar a terra e de sentir as folhas das árvores”, disse, realçando a importância de se tratar bem a natureza e lembrando a frequente “ameaça dos incêndios”.
“Sabemos que a desflorestação é um problema no mundo e precisamos, rapidamente, de ativar este conhecimento coletivo e respeito coletivo pelas árvores para protegermos as nossas florestas, no fundo tão essenciais”, concluiu.
O espetáculo contempla uma versão em inglês e medidas de acessibilidade, entre as quais audiodescrição, folhas de sala em Braille e uma sessão com interpretação em Língua Gestual Portuguesa.
Com sonoplastia e desenho de som de Madalena Palmeirim, e Ton Bonassa no apoio técnico e nos equipamentos de som, Entre as Árvores tem apresentações aos fins de semana, às 17h00, até 26 de julho.
Estão também previstas sessões para grupos organizados, num máximo de 20 a 25 participantes, mediante marcação prévia e com a possibilidade de se realizarem durante a semana, nos períodos da manhã ou da tarde.
Entre as Árvores é uma criação apoiada pela Direção-Geral das Artes e pela Câmara Municipal de Sintra, com acolhimento da Fundação CulturSintra.
O Chão de Oliva – Centro de Difusão Cultural em Sintra é uma associação cultural sem fins lucrativos, em funcionamento desde 1987, com atividade centrada na criação teatral, programação cultural e no serviço educativo.