Neves a derreter e falta a água em Almada

Querem começar o dia com boa disposição? Então vamos lá. O Supermercado Público de Bens Essenciais é uma proposta do Livre, apresentada no congresso do partido, que prevê a criação de uma rede de supermercados estatais, sem fins lucrativos, para vender bens essenciais a preços controlados. Hã? Gostaram da ideia? A Justiça está ótima, não mexe. A Saúde? Perfeita! A Educação? Tudo resolvido! Portanto, segundo o Livre e Rui Tavares — passe a redundância — o Estado já não tem mais nada para fazer. Está finalmente pronto para nos dar a papinha à boca.

Sei que às vezes não parece, mas o meu intuito é que estas crónicas tenham um cariz humorístico — juro. Acontece que, chegados a este ponto, nomeadamente vindos directo do século XX, só me restam duas hipóteses para justificar não só esta proposta, como a própria existência do Livre (e do resto da cangalhada socialisto-comunista). E nenhuma delas é especialmente engraçada. A primeira é que as pessoas do Livre — ou seja, Rui Tavares — sejam estúpidas. A segunda é que as pessoas do Livre — ou seja, Rui Tavares — achem que nós é que somos estúpidos.

Por mera precaução, caso se confirme esta segunda hipótese, a minha única exigência para o Supermercado Público de Bens Essenciais é que tenha sempre o bem mais essencial de todos: que esta malta do Livre (e restante cangalhada socialisto-comunista) jamais volte a ter qualquer espécie de poder neste país. Mas espera… Se estou a exigir que o Supermercado Público de Bens Essenciais tenha um determinado produto, é porque o Livre (e restante cangalhada socialisto-comunista) já voltou a ter poder neste país: o suficiente para criar o próprio Supermercado Público de Bens Essenciais.

Além de que, se já existisse o Supermercado Público de Bens Essenciais, é certo que não só nunca teria stock do bem mais essencial de todos, como não teria stock de chicha, nem de peixe, nem de pãozinho. Afinal, é isso que define qualquer Supermercado Público de Bens Essenciais. O Continente tem “A vida passa a comer”; o Supermercado Público de Bens Essenciais teria “A vida passa muito mais depressa sem o comer”.

A propósito de enclaves soviéticos, Almada continua com falhas no fornecimento de água. Mas também só passaram, quê, duas semanas? Calma, pessoal. De certeza que a administração dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento de Almada, onde pontifica a Presidente da Câmara-actriz, está a tratar do assunto. Afinal, estamos a falar de um trio de especialistas em questões de águas. Nomeadamente do ponto de vista do bebedor de água e do tomador de duches e banhos de imersão, também eles com água. Portanto, é fazer as contas: lá para outubro, novembro a situação deve estar regularizada, logo que comece a chover e os munícipes ponham uns alguidares à janela.

Agora, se é verdade que a irmã da Presidente da Câmara de Almada, Maria de Medeiros, foi estrela do mega-sucesso de Quentin Tarantino, Pulp Fiction, não é menos verdade que a líder camarária, Inês de Medeiros, não lhe fica nada atrás enquanto protagonista desta Poop Reality que é a de Almada por estas semanas. Parece que a estou a ver, a embarcar para Paris, à porta do avião, a entregar a sua fala: “Não têm água? Tomem banho com Moët & Chandon!”

É por isto que, nesta fase, a sul do Tejo o sítio mais certo para encontrar água é a piscina — ou melhor, o tanque — do monte do Ministro da Administração Interna, em Odemira. Receio que o aumento das dúvidas sobre as obras que o empreiteiro da Polícia Judiciária está a executar em dois montes de Luís Neves acabe por reforçar a percepção de insegurança quanto à sua continuidade no MAI. Acaba por ser um bocadinho irónico: Neves a derreter e, mesmo assim, falta a água em Almada.

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