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A minha convidada de hoje eu acho que é bastante inesperada aqui. Vamos ter aqui a Marlene, que nem é conhecida por este nome, que é uma rapariga que com 16 anos começou a cantar covers no seu quarto e lançou uma música chamada "Sushi". Vamos ter aqui hoje a Neni, que vai trazer toda a história de como é que foi explodir uma carreira aos 16 anos, de repente passar da Marlene que ninguém conhecia para uma artista conhecida em todo o país. Como é que ela lidou com isto, estas transformações enquanto ainda está a crescer. Hoje em dia ela está com 23 anos e passou por uma crise de identidade grande. Eu até estava a brincar com ela, a dizer que ela passou pela crise dos 25, com 20 anos de idade, em que se estava a tentar encontrar, mas ao mesmo tempo estava a tentar se encontrar em público. Passou ali por uma fase bem complicada e agora voltou em força com um álbum, que é o "ID", o cartão de cidadão da Neni, em que mostra que o medo que ela sempre sentiu ao longo deste caminho nunca foi impedimento para ela mostrar a sua arte. E neste álbum ela mostra um bocadinho cada uma das suas partes da identidade, cada música é quase como uma peça do puzzle que constrói a Neni como um todo enquanto artista e também a Marlene, que continua a existir em paralelo com a Neni. Ela tem 23 anos, mas honestamente tem uma maturidade emocional que quando eu a ouvi falar pela primeira vez numa entrevista, fiquei completamente chocada, porque eu com a idade dela, eu não falava assim. E vocês já vão perceber por quê, mal começarem a ouvir esta conversa. Não é fácil, eu sei, mas amiga, faz parte. Encontramo-nos domingo à hora do costume. Mas se calhar antes de entrarmos no novo álbum e tudo isso, vamos um bocadinho atrás. O que dizes? Pode ser? Tu sempre soubeste que querias ser artista?
Sempre. Desde criança.
Mas as pessoas à tua volta não acreditavam bem nisso.
Não, elas na verdade não sabiam. Por exemplo, a minha família tem muito aquela mentalidade de que nós temos que estudar para ser médicas e ser advogadas. Então o fato de eu querer ser cantora, eu já sabia que queria ser, para eles não é um trabalho a sério, é um bocado mais um hobby do que um trabalho em que vais ter respeito da sociedade e vais ganhar dinheiro. E eu tinha vergonha, porque eu sabia que eles pensavam assim, então cantava no meu quarto, Disney.
É sério?
Sim, na janela, meter a mão na janela, cantar. Na verdade, eles não sabiam, mas mais tarde eu comecei a fazer covers no meu quarto e a partir daí bateu. "Ok, a Marlene canta." Eu sim, agora assumi.
Mas tu acreditavas que podia ser uma profissão? Como é que tu achavas que isso acontecia? Tiveste exemplos de pessoas à tua volta que criaram a carreira? Então como é que tu lembraste?
Eu vi na televisão e eu sabia que podia ser aquela pessoa ou aquele artista. Eu não tinha referência na minha família. Não há nenhum músico ou alguém que esteja dentro das artes, mas eu via na televisão e eu sabia que podia estar ali dentro da televisão.
É preciso ter muita confiança para acreditares que eu também consigo fazer aquilo que está ali.
Sim, eu acho que também quando nós fazemos aquilo que nós realmente gostamos e quando tu visualizas, tu acreditas, no fundo, que tu podes estar ali e eu acho que o universo vai trabalhar para que isso aconteça. E foi o que aconteceu.
Tu achas que os artistas têm de ter todos assim um quê de loucura, de acreditar numa coisa que não exista? Não é?
Sim. E muita gente diz "you gotta be delusional". Tens que ser mesmo "delulu", acreditares no impossível para acontecer o possível.
E muitas vezes acreditar sozinha, porque as pessoas à tua volta não acreditam. Tens de acreditar por ti e pelos outros e provar aos outros que é possível.
Sim, eu lembro-me de estar na escola e estar a cantar Violeta e muitas músicas e os meus colegas diziam: "Ok, nós sabemos que tu cantas, mas será que vais realmente ser artista?" "Ya, eu vou sair de casa aos 18 anos, vou me inscrever no The Voice e depois vou conseguir um contrato e cantar em inglês."
Tu dizias isto?
Sim, eu dizia isto. Na verdade, eu até pensava "eu tenho que realmente aprender inglês para depois começar a cantar e ser uma artista internacional. Eu tenho que conseguir", porque na verdade, eu nunca pensei cantar português e ser uma artista em Portugal desta forma, o que aconteceu super cedo e de uma forma inesperada. Mas eu já sabia que de uma forma ou de outra eu ia conseguir.
Com que idade é que isto acontece, a ver o clique de a Marlene vai ser mais do que aquilo que é, do que aquilo que acham que ela pode ser?
Nove, 10 anos.
Meu Deus!
Sim, nove, 10 anos. Eu já sabia. Só que lá está, eu tinha muita vergonha, tinha aquelas incertezas. Apesar de tudo, eu tinha aquela confiança que ia ser e que ia fazer de tudo para ser uma artista, mas depois temos aqueles momentos em que: "Será que isto vai resultar, será que vai mesmo dar certo?" E eu lembro-me nove, 10 anos, de escrever a minha primeira música. Eu até tenho o vídeo. Encontrei o vídeo há uns dias.
Jura?
Sim, e eu apresentava-me. Metia o vídeo, a câmera, apresentava-me, dizia: "Olá, eu sou a Marlene, tenho 10 anos."
Tens de partilhar isso, que fofo!
Vou partilhar, não agora.
É sobre o quê a música?
A primeira música que eu escrevi era sobre racismo. Eu sofri de racismo e disse: "Ok, deixa-me escrever aqui sobre isto." E escrevi, gravei um vídeo Mostrar aos meus amigos, ignoraram-me mais uma vez, mas eu sabia que eu queria ser. E depois pensei: "Ok, deixa-me tentar aprender inglês e escrever em inglês, que eu sei que aí vão me dar muito mais valor."
Isto com 10 anos?
Sim. Mas depois fui pra França aos 11, fiquei lá um bom tempo, fiquei lá cinco anos. Escola, estava sempre a estudar, então não tinha muito tempo para me dedicar a escrever as minhas próprias músicas. Então disse: "Olha, vou só fazer covers e postar." E foi a partir daí que começou a Neni.
E foram resultando essas covers?
Sim, imagina, eu fiz covers, fiz músicas do Bob Marley, Coldplay e fiz o cover da música "Devia Ir" dos Wet Bed Gang, e foi a partir daí que tudo começou, aquilo tornou-se viral. E os Wet Bed Gang, como são também do meu bairro, eles mandaram uma mensagem ao meu irmão a dizer: "Olha, nós não sabíamos que a tua irmã cantava." E ele: "Sim, ela canta." E disseram: "Olha, quando vieres cá para Portugal de férias, em 2018, vamos ao estúdio, gravamos, experimentamos coisas." E eu: "Ok, bora." Super excited. E depois vim cá no verão, gravei, eu testei minha voz.
Em estúdio?
Em estúdio, saí da cabine e estava assim.
Afinal, se calhar, não sei cantar.
Imagina, as pessoas estavam dentro do estúdio.
Estavam a gostar. Tu é que estranhavas.
Sim, estavam a gostar, estavam a dizer: "Olha, tens uma voz muito bonita, continua, tens que ficar mais vezes, gravar." E eu: "Ok, estranho." Mas depois fui aprendendo a gostar e começamos a escrever, encontrar beats e melodias para lançar e eu me tornar a Neni de hoje.
E é aí que tu dizes que o universo está a trabalhar pra ti pra te dar esta mensagem dos Wet Bed Gang, estes clipes virais.
Sim, porque eu acho que quando tu realmente acreditas no potencial que tu tens e no teu talento e fazes com que as pessoas à tua volta vejam isso, eu acho que o universo trabalha um bocadinho por si e traz-te oportunidades que nunca imaginavas, mas que vão realmente fazer ser aquilo que tu realmente sempre quiseste ser.
É isso, ou seja, desde cedo a expor a 100%: "Esta sou eu. Isto é tudo aquilo que eu consigo fazer."
Sim, aliás, antes de começar a fazer os covers, eu já estava num grupo de dança, porque eu também desde pequena dancei muito. Imagina, todas as quartas eu tinha aula de dança e todos os sábados eu tinha aulas um bocadinho mais rígidas, de física, para conseguir começar a fazer breakdance. Então foi ali intenso. Eu já estava na dança, já estava a buscar ali a minha arte, mas depois eu disse: "Olha, se eu quiser realmente ser cantora, eu vou ter que mostrar ao mundo como é que eu vou conseguir fazer isto." Como a maior parte dos bons artistas fazem, são covers de outros artistas postas na internet e vamos ver se algum deles cria uma reação. E eu até lembro-me de fazer um do Richie Campbell e ele responder com emoji. E eu: "Ah, consegui a atenção do Richie."
Mas isso foi ideia tua? Só tua?
Sim, só minha.
Tu no teu quarto, deixa ver.
Eu no meu quarto, deixa ver, porque eu também seguia outros artistas e eu via, estudava um bocadinho a caminhada deles. Se eu não conseguir ir ao The Voice, deixa-me gravar covers e postar na internet e perceber se realmente um dia vai dar certo ou não. É que eu não posso ficar parada sem tentar.
Com que idade é que tinhas quando começaste a postar os covers?
Portanto, covers tinha 14, 15.
Meu Deus. E os teus pais eram super ok com toda essa exposição?
Sim, na verdade, sim, os meus pais estavam supertranquilos com isso. Na verdade, eles tinham outras prioridades. Eles tinham que sair de casa cedo, trabalhar pra me sustentar, então também estavam atentos, sim, viam, mas eles tinham outras prioridades.
Deixa a Marlene brincar no quarto.
Deixa a Marlene ser a Marlene e está tudo bem.
Está tudo bem. Olha, e depois vem "Sushi".
Sim, depois vem o "Sushi".
16. Yes. E leva tudo à frente.
E aí começa mesmo a história da Neni. Portanto, eu gravei o "Sushi", tinha 15, que foi no verão de 2018, quando os Wet convidaram pra eu ir ao estúdio gravar. E depois em 2019, foi quando eu lancei o "Sushi", "On You", "Bússola". E a partir daí, depois em 2020, é que eu lanço, março de 2020, mesmo um dia antes, literalmente, do Covid, é que eu lanço o EP "Aura". Yes.
E como é que foi todo esse, de repente, esse feedback, essa explosão com 16 anos?
Olha, foi superbom. Não estava de todo à espera, mas também foi estranho, porque eu ainda estava em França. Portanto, eu já tinha lançado as músicas, mas eu não estava a ter noção da repercussão que estava aqui em Portugal. E os meus primos ligavam: "Olha, estás a passar na rádio, estás superviral." E eu: "Ah, é?" E eles: "Já, tens que vir pra Portugal, está toda a gente Neni, Neni dos pompons, Neni Sushi, Neni Sushi." E eu: "Ok, tenho que ir aí." Vim cá também verão de 2019. E as pessoas viam-me na rua: "Será que é ela? Será que não é?" Ou seja, era muito bom, porque eu tinha finalmente aquele reconhecimento. Ou aquela visão, aquela oportunidade. "Ah, ok, as pessoas realmente estão a ver a artista."
É tipo, eu tinha razão, é isto.
Exatamente. Eu realmente consegui me fazer conhecer e o meu nome. E depois foi aquela situação de "Ok, estou a viver isto, mas não estou realmente a ter noção de quem está a ouvir, de quem não está a ouvir." Depois eu em França via as visualizações. Os meus colegas em Portugal: "Mas quem é que bate em Portugal?" E eu: "Não, mas vê, mas olha as visualizações, olha, está toda a gente a comentar." Só que eles também, como eram de lá, não tinham noção e não conseguiam ter esse prazer.
Da dimensão que era em Portugal.
Exato.
E nas redes tu sentias isso também?
Sim, de certa forma. Só que eu tinha vários comentários, vários likes. Só que uma coisa é veres na internet e outra coisa é sentires cá fora, quando chega cá, o que o público está realmente a sentir em relação a isso. Então foi meio estranho. E depois, em 2019, a minha mãe puxa-me à parte e diz: "Olha, queres ir morar para o Luxemburgo?" E eu: "Sim, quero." E vamos para o Luxemburgo em 2019, vou para a escola.
Mas por que querias?
Eu queria sair de França. Eu acho que tenho síndrome do nômade.
Queres mudar.
Sim, eu adoro viajar, estar noutros países, viver outras experiências. E eu já estava assim: "Olha, quero sair de França." E eu até já pensava quando tinha 16 anos.
E pensavas em voltar para cá?
Sim, eu pensava. Eu dizia: "Eu se calhar com os 16 vou voltar para Portugal, que eu tenho saudades, o tempo não tem nada a ver. As pessoas também, tenho a minha família, os meus amigos em Portugal."
E a carreira a começar a bater aqui.
Exatamente. Só que a minha mãe: "Tens de estudar, não podes ficar só a pensar em fazer música, também tens de estudar e ver."
Terminar os estudos antes de decidires.
Exatamente, perceber qual é o teu futuro e depois decides. E eu: "Ok". "Luxemburgo, queres ir?" E eu: "Sim, vamos." Fui, entrei na escola, muita gente reconheceu-me, obviamente, porque o Luxemburgo tem uma comunidade portuguesa enorme e palope também. E reconheceram, e eu: "Ok." "És a Neni." E eu: "Não, sou a Marlene." E eles: "Tens a certeza? É que és muito parecida com ela." Eu: "Se calhar deve ser uma prima."
Vida "Hannah Montana" total.
Vida "Hannah Montana" total. E depois eu contei aos meus amigos, os primeiros amigos que eu fiz na escola, e eles: "Olha, vai chegar um momento que vais ter que contar, não vais conseguir esconder isto por muito tempo."
Mas tu tentavas mesmo esconder.
Eu tentava mesmo esconder, porque eu ali só queria ser uma adolescente normal e queria estudar e fazer amigos. Por isso é que eu disse que foi estranho, porque eu a vida toda esperei por este momento, mas ao mesmo tempo não sabia lidar, porque era muito nova e queria experimentar ter a privacidade de uma adolescente normal. E uma semana depois eu digo: "Sim, finalmente, ok, sou a Neni." Os meus colegas que estavam na sala a ligar a dizer: "A Neni está na nossa turma e ela agora vai ficar na escola e está mesmo aqui a viver no Luxemburgo." Intervalos, filas, mas literalmente filas de pessoas para tirarem foto. O que é fixe, mas ao mesmo tempo é:
"Ena, estou na escola, então sou uma pessoa normal."
Exato. E foi supersurpreendente para mim, por quê? Porque aqui em Portugal, na escola, eu era um bocado a menina fraca. Fraca no sentido em que não era superboa na escola, mas também não era supersocial com as outras pessoas, não era nada popular, era muito invisível. E eu até no segundo ano cheguei a sofrer de bullying, o que foi supercurto, mas marcou ali um bocadinho também a minha infância. Depois fui para o quinto, super ali no meu canto, invisível. França, a mesma coisa na primeira escola e do nada eu sou completamente popular.
Toda a gente te conhece.
E toda a gente conhece.
Toda a gente quer ser tua amiga.
Toda a gente quer ser amiga da Neni, toda a gente quer falar com a Neni, sentar com a Neni. Sabes meio aqueles momentos de escola americana em que vão lá com o tabuleiro e sentam ao lado e querem falar contigo e eu estou: "Sim, ok."
"Eu quero sentar na mesa dela."
"Eu quero falar com ela, eu quero sair com ela, eu quero ser amiga dela." E eu também tinha este lado um bocado reservado.
Mas não te chocava um bocadinho a Marlene com a Neni? Quem é que é uma, quem é que é outra?
Sim, elas estavam um bocado ali desencontradas no sentido em que a Marlene é uma menina superreservada, super no canto dela, quer estar ali a estudar, quer fazer amigos novos, viver a vida. Mas também a Marlene queria ser a Neni, mas não tinha coragem para ser a Neni em muitos momentos. E na escola ela não tinha coragem para ser a Neni, ela só conseguia ser a Marlene. Como a Neni também às vezes quer ser a Marlene e não consegue, porque está ali naquele momento artístico. Olha, foi uma loucura, mas também foi superbom, porque finalmente consegui seguir os meus sonhos e as pessoas conseguiram ver isso.
Mas achas que foi demasiado cedo? Achas que se calhar se tivesses esperado uns dois, três anos para bater, terias já outra maturidade para lidar com isso?
Sim, teria outra maturidade para lidar com isso. Mas também ainda bem que aconteceu quando aconteceu. Eu acho que não me arrependo de nada, porque também o facto de ter acontecido aos 16 é que me permite estar aqui hoje com os 23, aqui a falar contigo. Amiga, faz parte.
É verdade. Mas ao mesmo tempo tiveste que crescer em público.
Sim, eu tive que crescer muito cedo. E se eu tivesse batido agora, eu acho que ia estar com uma maturidade completamente diferente. Sem dúvida.
E eu acho que tu tiveste de crescer muito mais rápido do que pessoas da tua idade, porque as pessoas estavam todas olhos postos em ti e mesmo dentro da indústria, acredito que tenhas sentido também muita pressão para todos os lados, de: "Tem de ir para ali, tem de fazer aquilo". E tu estás numa idade em que ainda hoje estás a descobrir. Então eu não imagino passar ali dos 16 aos 20. Passar por tudo isso.
Ainda mais sendo mulher numa indústria completamente dominada por homens. Que eu cheguei com o "Sushi", ou seja, um trap, uma mulher negra de 16 anos a fazer trap em Portugal. Obviamente que foi um choque enorme para muitas pessoas. Mas eu acho que também faz parte agora do meu processo, eu vou ter que estar ali constantemente a provar-me e a continuar na indústria, a dizer que realmente eu consigo estar aqui e mereço estar aqui, para também conseguir inspirar outras mulheres a estarem neste posicionamento.
Mas tu sentes que tens essa pressão constante?
Sim.
Ou seja, mesmo atingindo tudo aquilo que já atingiste, continuas a sentir essa--
Continuo a ter essa pressão e essa responsabilidade, o que é completamente normal. Eu acho que todos os pioneiros em aspectos diferentes têm esta responsabilidade e esta pressão, porque são os primeiros a conseguirem atingir uma certa notoriedade na área em que eles estão a trabalhar ou que eles estão a divulgar a sua arte. E é completamente normal. Eu acho que esta pressão e esta responsabilidade nunca vai desaparecer, mas vai se acalmando com o tempo e eu também com esta maturidade que tenho agora, consigo controlar muitas situações.
Se calhar quando te deixas influenciar por isso, não é?
Sim.
Com 16 anos, se calhar eras mais facilmente manipulável.
Sim, muito mais. Eu não tinha muita voz no que eu queria fazer. E agora aos 23, tenho a voz toda para mim e tenho toda essa independência e por isso é que lancei este meu novo álbum "ID".
Para também mostrares um bocadinho de todas essas facetas e tudo aquilo que já foste construindo.
Eu acho que cada som representa um traço da minha personalidade, da minha origem, o que a Neni representa, o que a Neni diz, as ideologias dela, e é sobre a minha identidade.
E começas o álbum também muito a falar desta miúda de 16 anos, não é?
Sim, é como se eu tivesse a fechar um capítulo de uma página em que foi superboa. Tive muitas pessoas que me apoiaram e continuam a apoiar hoje. Aliás, temos a intro, que é a voz de três pessoas, portanto a voz do Charlie Beats e do Gsan, que foram as duas pessoas que me introduziram à indústria e mostraram, me ensinaram tudo. E depois tem a minha voz no fim da intro, que é, pronto, estou a dizer que a minha coragem tem que ser mais forte que o meu medo. E depois temos o "ID", em que eu estou literalmente a mencionar os meus sons antigos, "Tequila", "Bússola", todas essas músicas que as pessoas conhecem, a encerrar um capítulo, mas a começar outro.
Tiveste medo de fazer essa transição, mostrar outro lado teu?
Tive, eu todos os dias tenho medo.
E como é que vais na mesma? Como é que isso se faz?
Eu tenho que ir na mesma, porque o medo, na verdade, é um aviso, é até uma energia positiva, porque quando tens muito medo de fazer algo que sempre quiseste fazer, é quando estás na reta final para conseguires realmente alcançar aquele objetivo que sempre tiveste. E eu acho que o medo eu vejo de uma forma positiva, que é só um aviso de como as coisas podem dar certo. Obviamente, há sempre um lado negativo, mas eu acredito que o positivo e o negativo estão sempre juntos. É um equilíbrio que todos os humanos têm.
Têm de existir, sim. Os dois polos têm de existir.
Os dois têm que existir. E eu tenho medo, mas eu vou, porque é aquilo que vai me fazer conseguir atingir o caminho que eu sempre quis.
Aquilo que manifestas. Aquilo que tu idealizas.
O caminho que eu sempre quis, a meta que eu sempre quis chegar. O medo vai sempre permanecer, mas vais ter coragem para ser aquilo que sempre sonhaste.
E achas que este novo álbum é mais isso, é uma representação mesmo daquilo que tu és, enquanto Neni ou enquanto Marlene, ou os dois?
Os dois. Eu acho que elas agora se encontraram numa fase muito melhor. Elas estão ali juntas, de mão dadas, bora. Já não estão tanto naquele debate dos 16 anos.
Só uma é que pode existir, se a outra desaparece.
Exatamente, uma é que pode existir e depois a outra...
A outra tira a peruca e já não existe. Não é assim.
Anna Montana mesmo. Eu acho que hoje em dia elas estão assim muito mais ligadas, muito mais conectadas em tudo que faço, seja profissionalmente, seja na minha vida também pessoal. Portanto, eu acho que este álbum vem mostrar a Neni e também uma fase de autoconhecimento. Que eu acho que é superimportante enquanto mulheres aprendermos a conhecer e a saber aquilo que nós gostamos, que não gostamos, os nossos limites, our standards para o mundo e tudo aquilo que nós queremos transmitir.
Portanto, é um reflexo daquilo que foste aprendendo ao longo destes últimos anos a crescer.
E também do que eu me quero tornar. Eu acho que é como tu disseste, estou constantemente a descobrir-me e a perceber quem é a Neni, portanto, é um processo.
Como é que nesta fase em que tu estavas a crescer e provavelmente tinhas muitas pessoas também a tentar influenciar esse caminho, como é que tu conseguiste manter: "Não, é por aqui, é a minha intuição." Aquela intuição que tu tinhas quando tinhas 10 anos. Como é que conseguiste manter isso vivo?
Eu acho que eu olhava pra mim e ouvia música e dizia: "A música é tua terapia. No final do dia, a tua terapia é ouvir música." E eu digo sempre, eu antes de ser artista, eu sou ouvinte. Então eu ouço muita música, inspirou-me muito, influenciou muito a ser a pessoa que eu sou hoje. E é também o meu propósito enquanto artista, ajudar outras pessoas a terem coragem de serem elas mesmas. E eu ouvi esta voz dentro de mim a dizer: "Be yourself, sê tu mesma, se tiveres que parar, vais parar, se não tiveres que parar e continuar e lidar com isto tudo, também vais lidar com isto tudo. Ouve música e tem como se fosse a tua terapia de sempre."
É o teu trabalho, mas sem te esquecer de que é aquilo que tu gostas.
É aquilo que eu gosto. Eu vivo pra isto, eu consegui ser a pessoa que sou graças à música. Portanto, eu acho que é isso que me mantém também com os pés muito na Terra, de não deixar-me influenciar por outras pessoas e dizer: "Olha, tens que fazer isto ou tens que lançar isto porque está mais trending." É a minha arte, eu vou sempre debater a minha arte e ser aquilo que eu realmente sou.
Estavas a falar que se tiveres de parar, se tiveres de deixar um bocadinho mais de fazer música, está tudo certo com isso. Tu já tiveste uma fase um bocadinho assim?
Sim, eu tive uma fase que foi ali de 2022 até 2024, em que eu disse: "Olha, eu acho que vou ter que parar, porque já não me sinto bem." E quando algo atinge a tua saúde mental, eu acho que o melhor é sempre cuidares da tua saúde mental e estares bem, mesmo que não apareças, mesmo que não estejas a viver o teu sonho agora, vais conseguir vivê-lo mais à frente, mas o mais importante é tu parares e ajudares, perceberes aquilo que precisas.
Mas tu consegues ver isso agora. Na altura, conseguias perceber que foi o mesmo, "eu preciso mesmo parar"?
Conseguia perceber. E por isso é que parei, ou seja, tive noção que já não estava bem e que não ia conseguir continuar a aparecer, a falar e a expressar aquilo que eu realmente queria, porque não estava bem e eu disse: "Uou, mesmo que isto seja o meu sonho, eu sou a minha própria pessoa e eu tenho que me ajudar a mim mesma e eu preciso de parar, então vou parar."
Mas também não deve ser fácil tomar essa decisão numa altura em que a tua carreira está assim.
Exatamente. Não é nada fácil.
De certeza tinhas muitas vozes de "não posso fazer isso agora, não posso fazer isso agora."
Não posso fazer isto agora, mas também, por um lado, eu já estava numa fase em que eu nem sequer conseguia.
Mas o que te levou a esse ponto? O que te fez chegar aí?
Muitas coisas. Lá está, a tal pressão. Eu cheguei ali aos 20 um bocadinho com uma crise de identidade, que é: "Ok, mas o que eu estou realmente a fazer? O que eu vou fazer mais tarde? O que eu quero representar, deixar aqui? O que tu queres? Queres um legado?"
Tu tiveste a crise que as pessoas têm aos 25, tu tiveste aos 20.
Eu tive aos 20. Percebes, eu fui sempre crescendo mais cedo.
Muito mais rápido.
Muito mais rápido. Eu tive aquela crise de identidade e de existência mesmo. O que eu estou aqui a fazer? É suposto eu estar a fazer o que eu estou a fazer?
E se, se calhar, se é outro caminho, eu não estou nesse caminho.
Exatamente. Será que é mesmo isto? Eu até cheguei a duvidar. Será que eu tenho mesmo capacidade de ser cantora, de ser artista, de ser a artista que tu sonhavas no quarto quando tinhas nove, 10 anos.
Se calhar isso nem é pra mim.
Se calhar nem é pra mim.
Estavas numa fase também, nem estavas a adorar ir a estúdio, não era?
Exatamente, não estava a gostar de ir ao estúdio. Sim, não estava a gostar de ouvir a minha voz e as músicas, os beats, tudo. E eu disse: "Se eu já estou assim, eu preciso mesmo de parar."
E o que é que fizeste nessa paragem?
Portanto, fui aos Estados Unidos, fiz outro tipo de música, que eu já ouvia. São aqueles gêneros musicais que tu ouves, mas tu não tens coragem de fazer ou não podes fazer porque estás a seguir um tal caminho. E foi aquilo que me voltou a ter este amor outra vez pela música, que é: "Ok, eu ouço isto e quando eu ouço isto, apetece-me também falar sobre isto, escrever e dar a conhecer mais às pessoas." Então eu fui pra Nova York, fui pra LA e estive lá simplesmente a fazer música, a passear, a viver, a existir, sem ter aquela pressão de-
De criar alguma coisa pra lançar.
Pra lançar.
Estavas a criar pra ti.
Exatamente, estava a criar só pra mim, sem ter aquela cena de tens que representar Portugal, tens que representar Cabo Verde, Colors, Tiny Desk. Foi ali muita informação e eu precisava um bocadinho de recuar.
Distanciamento disso.
Exatamente. E foi isso que ajudou-me a voltar aqui.
Sair da bolha muitas vezes ajuda Pôs tudo em perspetiva, não é?
Sim.
E voltas a perceber: "O que eu quero fazer?" Quando estás a passar por essa fase, às vezes as pessoas que estão a passar por essas crises dos 25, agarram nas mochilas e vão viajar, para a Ásia.
Exatamente.
Para Bali, para se reencontrar.
Sim, para se reencontrar, porque às vezes quando estás muito dentro do trabalho que estás a fazer, e até podes estar a viver o que tu gostas, só que quando isso se torna muito pesado e quando se torna uma responsabilidade enorme, já não é tão prazeroso.
Se calhar também é aquela sensação de que o comboio está a andar e eu já não estou a conduzir.
Exato.
Eu estou aqui e agora, o que eu posso fazer? Não posso saltar fora.
Principalmente quando são pessoas a dizerem onde é que o comboio tem que ir.
Estão ali a apetir.
Exatamente, as paragens que tens de fazer. Não, eu quero conduzir e quero ir onde eu quiser ir.
E lido eu com as consequências.
Exatamente. Mas é super importante, às vezes, recuar um bocadinho daquilo que nós estamos a fazer, quando deixa de ser prazeroso, obviamente, e voltar com outra perspetiva.
E sentes que deixaste um bocadinho de ser uma adolescente neste processo todo? Tiveste que crescer muito rápido e deixaste de fazer coisas normais que as tuas amigas se calhar fariam?
Exatamente. Há coisas que as minhas amigas fizeram que eu não podia estar, eu não podia ir e o meu irmão mais velho estava sempre comigo e ele dizia: "Olha, cuidado, há coisas que elas vão poder fazer que tu não vais poder fazer, porque estás exposta de uma forma diferente."
Tinhas consciência disso?
Tinha consciência disso. Ou seja, limitava-me no sentido em que não podia estar sempre a sair.
Não podias sair à noite normal, numa discoteca.
Não, até porque também às vezes podia ser um bocado incômodo, até para mim, porque eu às vezes podia só querer ir aproveitar o momento e curtir e outras pessoas estarem ali a olhar para mim. E hoje em dia eu às vezes sinto isso, se eu for num tal aniversário ou se for num batizado, num casamento, eu sei que o momento não é sobre mim, mas vai se tornar sobre mim muito rápido, porque as pessoas vão: "Não, a Neni está aqui." Então, às vezes eu tento evitar para também não criar este choque.
Mas tens pena de algumas coisas que vais perdendo?
Sim, algumas.
Ou é um aspeto negativo num percurso que traz tantos positivos?
Eu acho que é o preço a pagar. Não diria pena, porque acho que é uma palavra bem pesada, mas diria que é o preço a pagar para estar onde eu estou e querer fazer aquilo que faço. É como se fosse um bocado um sacrifício, mas eu também sempre fui um bocado reservada e a minha adolescência não foi aquela cena normal de querer estar sempre a sair e com muitos amigos, eu era sempre ali um bocadinho mais fechada. E quando foi ali nos 20, 19, 20, é que eu queria estar mesmo fora e conhecer o mundo. Mas pronto, havia obviamente coisas que as minhas amigas fizeram que eu queria fazer e sabia que não podia porque alguém ia pegar no telemóvel, filmar e as pessoas podiam ter outra visão e pronto.
Sim, tudo fora de contexto acaba por criar a história. Mas nessa fase em que tu estiveste assim mais parada na música, tu focaste, foste para fora, focaste na música, em descobrir outros estilos, mas também te focaste mais na tua vida pessoal ou nem por isso?
Sim, foquei-me na minha vida pessoal. Tirei a carta. Foi supertraumático. Mas tirei a carta, comprei uma casa, comprei um carro.
Começaste a organizar a vida.
Exatamente. Comecei a pagar impostos. Consegui também crescer e ser adulta nesse sentido. E só estar a existir e viver aquilo que é suposto viver com a minha idade.
Sim, ou seja, organizar um bocadinho a casa para depois voltar.
Para depois voltar.
Em força, já ter tudo.
Exatamente.
Olha, e vamos falar aqui também um bocadinho de uma experiência que nós as duas vivemos, que eu tenho um videozinho para te mostrar.
Ok.
Está muito giro. Portanto, nós estamos aqui também porque a Tampax está com uma campanha que é "Estou indo" e nós estamos indo para planos.
Nós estamos super indo.
Indo para planos, planos de verão. E fomos as duas jogar voleibol para a praia. Foi muito giro.
Foi muito fixe.
Mas tu nunca tinhas jogado na vida.
Foi a primeira vez. Nunca tinha jogado.
Foi mesmo giro de estar a explicar como é que se faz uma manchete, como é que se faz um passe.
Sim, e eu só pensava no triângulo.
E eu estava uma má a ensinar a outra que nunca fez na vida.
Não, mas eu via-te e eu pensava: "Não, ela deve ser pró, ela é pró, porque ela já está assim."
Ela já está assim e ainda nem começou.
E faz o triângulo e depois começa assim, porque lembras-te tu até ensinaste.
O servir.
O servir. Não, ela é pró.
Mas tu em 10 minutos já estavas a apanhar.
Já estava a apanhar um bocadinho, sim.
Portanto, olha, foi uma carreira ali de desportista também que passou ao lado.
E a minha mãe: "Olha, se calhar tens jeito." E eu: "Não tenho nada jeito."
Mas eu vou te dizer que eu já vi o vídeo, que nós vamos ver agora, e disfarça muito bem.
Olha, cumpriram bem a missão deles.
Ya.
Eu também a minha, e estava super calor Estava muito calor. Eu acho que naquele momento valorizei mesmo o desporto. Eu disse: "Uau, como é que elas conseguem estar aqui?"
Estão 30 °C, ao meio-dia.
O pé a queimar e estão ali, tens que fazer triângulo e tens que servir. Olha, muito fixe.
Também gostei muito. Vamos lá, vamos passar ao vídeo. Elas a combinar. Olha lá a servir. Viste? É que parece que nós fizemos tipo dois passes seguidos.
Nós fomos pró.
Não é? Aqui falhei eu. Uau! É que parece que fizemos imensos passes.
Exato.
O nosso máximo foi três. Conseguimos, estamos muito bem.
Nós estivemos ali um tempinho, foi a minha primeira vez a jogar. Achei isto muito bem.
E tu, quer estejas da vibe de praia, piscina, spa ou o que tu quiseres, com a Tampax tu também podes ganhar €500 para fazeres aquilo que te apetecer este verão. Period.
Oh, yes. Foi muito giro. Nós estávamos ali a competir.
Quem vir o vídeo, parece que fizemos para aí uns 10 passes seguidos. O objetivo era três.
Nós fizemos três.
E já foi uma vitória.
E foi uma vitória.
Com aquelas condições, desculpa lá.
Estão a areia a vir para os olhos.
Eu não jogava desde secundário. Tu nunca tinhas jogado na vida.
Eu nunca tinha jogado. Eu acho que nos saímos muito bem.
Eu também acho que sim.
Se nós tivéssemos ficado mais tempo ali até ao pôr do sol, já tínhamos feito uns 10 ou 15.
Não, é que eu em meia hora já estava: "Eu não consigo". E eu treino muito, eu estava: "Não consigo, estou a suar, já não consigo mais."
Mas muito fixe.
Mas foi muito giro, foi uma grande experiência. Não diria que iria jogar agora com esta idade voleibol, mas gostei muito.
Tu já tinhas feito na escola.
Sim, educação física. Eu não sou muito boa em desportos coletivos, mas até era aquilo que eu gostava mais. Mas eu já não jogava há anos. Pôr as mãos e coisas assim eu sabia fazer, mas depois na prática também saí-me tão bem quanto tu.
Olha, eu gostei, eu até fiquei: "Se eu realmente estiver focada e estiver aqui a apostar, talvez consiga fazer pelo menos uns 10."
Conta-me como é que foi quando tu tiveste a menstruação pela primeira vez, se foi complicado de lidar, se para ti foi fácil, se usaste logo tampão, se não.
Olha, sim, eu até diria no ano passado. Eu estive a fazer um writing camp, que é juntar vários artistas para escrever, e eu estava numa casa em Colares, enorme, gigantesca. O que é que acontece? Aparece-me o período lá. E eu assim: "Eu quero ir à piscina, como é que eu vou fazer? Não dá." E eu até ligo à minha prima e: "Olha, preciso mesmo de Tampax, porque eu quero ir à piscina, não posso ficar sem ir à piscina." E eu não fui nos dois primeiros dias porque tinha que estar a gravar e não podia mesmo ficar sem voz, porque eu estava: "Olha, se eu cair aqui na piscina, posso ficar sem voz e eu tenho que gravar amanhã."
Tu pensas nisso?
Sim, eu penso nisso. Eu sou super responsável, não posso ir à piscina enquanto eu acabar de gravar. E no último dia eu fui, usei o tampão, fui e finalmente consegui desfrutar.
Mas sentes-te 100% confortável com o tampão, ir à água na mesma, tranquila.
Ir à água na mesma. Não tenho aquela preocupação de se surgir.
Mas sempre foi assim?
Não, nem sempre. Eu até tinha um certo receio de usar tampão, porque eu ficava: "Será que realmente resulta? Será que é confortável?" A primeira vez é sempre aquela...
É estranho e tu não sabes bem como usar.
Não sabes bem como usar, como aplicar. E depois veio aquele com o aplicador mesmo, que era muito mais fácil e a explicar. E eu: "Ah, ok, com estes aqui já é muito mais fácil."
Mas tu a primeira vez que tiveste de pôr um tampão, tu pediste ajuda a alguém para te explicar?
Pedi à minha mãe, sim. E a minha mãe também nem sabia. "Mas eu tenho medo, isto pode doer ou pode ser superdesconfortável." Minha mãe: "Olha, vê, tenta." E até os primeiros, assim normais, sem aplicador, eu ficava: "Olha, acho que não é mesmo para mim." E depois, mais tarde, quando veio com o aplicador, eu disse: "Olha, agora sim, agora é muito mais fácil." E até explica na embalagem. E assim já consigo e a meter é superconfortável.
Tu lembras-te de alguma coisa que tenhas deixado de fazer por estares com o período?
Sim, olha, quando eu dançava. Tanto que quando me surgiu, surgiu-me aos 12 anos.
Supercedo.
Supercedo, sim, surgiu-me aos 12 anos. Eu não tinha dado conta que estava num dos fatos de treinos que eu dançava. Eu não tinha mesmo dado conta e a minha mãe foi tirar a roupa suja para meter a lavar. "Mãe, olha aqui." E eu:
"O que é que se está a passar? Por que eu estou a sangrar?"
Mas a minha mãe já me tinha explicado, na verdade, desde criança, a minha mãe explicou-me: "Olha, as mulheres passam por uma fase em que elas vão ter o período." E a minha mãe sempre me explicou cedo, porque ela diz que os pais dela não lhe explicaram e quando ela teve achou que estava doente ou que estava com uma doença grave qualquer, que tinha mesmo que ser internada.
A quantidade de sangue que estava aqui.
Exatamente, o que está aqui a acontecer, devo estar a morrer com uma doença supergrave. E ela, por acaso, já me tinha informado assim desde criança. Imagina, eu já sabia. E depois também na escola foram informando, mas não tinha noção que ia chegar a essa idade. Nós nunca sabemos.
Nunca estamos à espera. E é sempre assustador.
É sempre assustador. Quando me aconteceu, eu não tinha dado conta. A minha mãe é que viu. Eu não tive dores, não tive nada. A minha mãe assim com o fato de treino: "Olha aqui A minha mãe: "Estás com o período. Já estás com o período."
Eu estou: "Não, nunca serei mulher."
Não. E havia meses que tinha dores, outros meses que não sentia. Foi uma fase ali-
De descoberta também.
De descoberta, total.
Foi começar a ser adulta aos 12.
Sim.
É ser adulta na música.
Não, precoce em tudo. Eu fui precoce em tudo. A minha mãe diz que eu comecei a falar com oito, nove meses, já começava a falar e a dizer coisas. Comecei a andar também super cedo, ela diz que nove meses, 10, já estava a andar. Eu vim mesmo para ficar.
A ser pioneira em tudo.
Para ser pioneira e estar aqui. Mas aquela fase, esquece. Quando temos o período, adolescência, puberdade, é tudo bem complicado.
Conta-me, tu já falaste um bocadinho sobre isto, mas que planos é que tu estás sempre in e que gostas assim mais de fazer no verão?
No verão, piscina, spa.
Por acaso tu falaste do spa.
Eu adoro ir para o spa. Eu adoro spa.
Mas fazes isso muito?
Faço.
Mas o que gostas no spa? É relaxamento, é piscinas, sauna, banho turco?
Piscina, sauna, banho turco, relaxar. Eu adoro aquela música mais zen, estar ali supertranquila. Relaxa-me, estou só ali simplesmente tranquila.
É a tua forma de meditação, desligar um bocadinho a mente.
Não é uma forma, é literalmente a minha meditação, um bom spa é a minha meditação.
Que giro. Por acaso eu não faço isso há muito tempo, mas também gosto muito.
Tens que ir, uma boa massagem.
Ai, massagem é tão bom.
Sim, piscina. Eu sou menina de piscina.
Já fizeste isso esta época de mais calor?
Ainda não. Estou aqui com algum trabalho. Ainda não fiz, mas já tenho ali uns três, quatro dias reservados para.
Basicamente, aquilo que nós também estamos aqui a trazer com a Tampax é que nesta campanha do Estou In, outras pessoas também podem fazer atividades diferentes. Que pode ser spa, pode ser ir jantar fora com amigas, pode ser o que bem quiserem, ou desportos radicais, como também já fiz aqui alguns desportos com outras convidadas. E no fundo, a Tampax está a dar a liberdade para poder escolher aquilo que te apetece fazer e estão a oferecer € 500 para essas coisas que te apeteça fazer este verão. Portanto, uma maravilha.
Uma maravilha. As pessoas deviam aproveitar logo, deviam aproveitar já.
E esta campanha, também só para dar aqui algumas informações, está válida desde dia 15 de maio até dia 28 de agosto, na compra de duas embalagens Tampax, e só têm de partilhar qual é o plano que estão in no verão. Tal como fizeste aqui esta partilha. É só fazer essa partilha, daquilo que mais lhes apetece fazer, e depois vão ser 10 vencedores selecionados para poderem fazer atividades diferentes. Podem consultar todas as informações também em www.tampaxestouin.com.
We are in.
We are.
Eu vou já avisar as minhas amigas, minhas primas.
Para irem comprar duas embalagens Tampax.
Comprem duas embalagens Tampax.
E vamos todas para o spa.
Vamos todas para o spa. Sim. Preciso.
Eu reparei também que todas as tuas músicas trazem uma mensagem por trás do novo álbum, trazem essa mensagem que tu queres também transmitir com este novo álbum, seja características tuas, ou seja, impacto, propósito, que tanto falamos por aqui. E a tua família veio de Cabo Verde.
Sim.
E veio com aquele rótulo de que as mulheres negras têm de seguir um certo caminho, um certo percurso. E quando é que tu sentiste que vieste para quebrar esse ciclo e quando é que achas que essa quebra aconteceu?
Eu acho que a partir do momento em que eu comecei a apostar covers para conseguir viver disto e fazer a minha arte uma profissão, eu acho que foi aí que eu tive noção e que consegui dizer: "Eu estou a fazer isto com o propósito de tornar-me profissional na música." Nós sentimos.
E é sempre com esta mensagem por trás para provar também que é possível quebrar o ciclo, é possível fazer outras coisas.
Exatamente. E eu tive uma fase ali um bocadinho com a minha mãe complicada, em que ela queria que eu continuasse a estudar e estivesse sempre, para sempre, se fosse preciso, a estudar. E eu tive que chegar ao pé dela e dizer: "Eu quero mesmo aproveitar e viver o meu sonho." Até foi ali perto do "Colors", em que eu tinha que faltar uma semana para conseguir viajar, ir a Berlim gravar o "Colors". E a minha mãe: "Tens que estudar, vais ter que conciliar os dois." E eu não consigo. Ou eu sou 100% num, ou sou 100% noutro. E eu acho que temos que ter um plano B caso o plano A não funcione, mas eu vou sempre dar tudo no plano A, porque é a minha única alternativa e é o que vai fazer dar certo e estar nos lugares em que eu quero estar. Não tenho outra opção sem ser que isto funcione.
Como é que a tua mãe vê isto hoje em dia?
Ela vê de uma forma muito mais positiva do que no início. E obviamente que é completamente normal, porque as nossas mães só querem que-
Mãe é mãe, só quer o teu bem.
Só quer o teu bem, ela só quer que tu estejas bem, estável.
Que tenhas esse backup.
Que tenhas essa estabilidade, exatamente. Eu diria que no meu primeiro concerto, que foi no Festival Imminent, levei minha família toda Levei os Wet, obviamente. Levei minha avó, minhas tias, meus tios. Eu sinto que eles sabiam que eu cantava, gostava de ser artista, as pessoas ouviam, mas eu vou sempre ser a Marlene, um membro da família. Vou sempre ser a Marlene e não a Neni. E quando eu os convidei para esse concerto, quando eles ouviram as pessoas a cantar as músicas, eu a criar interação e as pessoas interagirem de volta, foi aí que eu saí do palco e eles disseram: "Podes fazer disso o teu trabalho". E a minha mãe: "Olha, estás bem, sentes-te bem, sentes-te feliz com isso teu?" "Sim, é tudo o que eu quero fazer. Isto é o meu habitat, isto é o meu sonho, eu quero continuar a fazer isto." E eu sinto que a partir daí ganhei outro tipo de respeito, outro tipo de valor e consideração. Não, isto pode ser realmente um trabalho. É que tu vês técnicos.
Porque era aquilo que estavas a dizer no início, de estar escondida atrás de uma tela de números.
Exatamente.
Não parece real.
Não parece real.
Vão lá, sentem a energia, veem as pessoas, veem que é real.
Exato, tu vês as pessoas interagirem contigo. Eles viram os técnicos a trabalhar nas máquinas, o técnico de frente, de trás, do led wall, os músicos que estão ali a constituir a banda, fazer com que o som saia de uma certa forma e não saia de outra, a ter aulas de vocal. Eles conseguem perceber que é realmente um trabalho, não só meu trabalho, mas também da equipa que está ali a fazer para com que o concerto corra bem e as pessoas tenham um bom momento e tenham um bom concerto. E eu: "Já viste o que as pessoas estão ali a fazer, o que estão a trabalhar? Podes viver disso. Agora sim, estás tranquila."
Agora tens a bênção.
Exatamente. E a partir daí eu acho que eu já sabia dentro de mim, já tinha a minha confirmação, mas ali foi um bocado a minha validação.
Sai-te um peso de cima, não é? Se calhar.
Eu senti muito mais leve.
Apesar de estares a fazer por ti.
Exato.
Teres as pessoas que tu gostas também a irem contigo na caminhada é diferente.
É sempre diferente. E eu trabalho com a minha família. E, por exemplo, a primeira pessoa a acreditar e a convencer a minha mãe que eu era feita para isto e que eu devia fazer e a partilhar tudo foi o meu irmão. O meu irmão foi a primeira pessoa a apoiar-me em tudo. Quando eu comecei nos covers, ele partilhava todos os covers. Mostrava a toda a gente no bairro. "Vejam minha irmã, vejam como ela canta." Nós até tivemos uma reunião com pessoas da escola no Luxemburgo, porque na altura eu ia representar no Colors Portugal e em Cabo Verde, e a resposta da escola foi: "Se não vai representar o Luxemburgo, não tem justificação para não faltar às aulas." E nós tivemos essa reunião e para a Marlene conseguir voltar para a escola, tinha que se inventar uma lei nova no Luxemburgo.
A sério? Que complicação.
Se ela não vai representar o país, se o país não vai se beneficiar de uma certa forma, não tem como. E eu fui expulsa da escola. Eu fui expulsa.
Jura?
Eu fui expulsa. Mas eu só pensei: "É uma oportunidade."
A tua mãe não deve ter gostado nada.
Não, a minha mãe estava: "Olha, tu vais ser expulsa." "Eu, mãe, vou ser expulsa, mas vou ser expulsa de um lado e vou abrir caminhos de outro, que é ir ao Colors, uma plataforma internacional em que eu vou cantar. É uma oportunidade enorme, eu não posso perder, desculpa."
Mas se calhar a tua mãe não tinha bem noção o que aquilo era também.
Não, não tinha. Não tinha, de todo. A minha mãe não tinha noção, até porque ela também tinha outras prioridades, tinha que trabalhar, tinha que pagar as contas, não acompanhava. Eu estava sempre na internet a ver o que os artistas faziam, as plataformas, onde eles iam. E a minha mãe não tinha essa noção toda. E o meu irmão chegou a falar com ela.
Tentar convencê-la.
Tentar convencê-la. Ele até usou esta frase, ele disse assim: "Olha, eu acho que o Cristiano Ronaldo não fez uma faculdade para jogar futebol e para ser o melhor do mundo."
Esmarto o teu irmão.
E a minha mãe: "Hum, ok." Pensou melhor.
Se é o Cristiano Ronaldo, então se calhar vou pensar.
Realmente é um bom exemplo, deste um bom argumento. E ele convenceu minha mãe. A partir desse espetáculo, eu acho que a minha mãe conseguiu ver que era realmente um trabalho a sério e não só um hobby, um passatempo em que eu quisesse só atuar. Mas também, graças a Deus, tive esse privilégio de conseguir fazer o meu trabalho e há muitas pessoas que não têm possibilidades e que têm que ter um trabalho ao lado para conseguir também sustentar e investir na carreira.
Sim, tinhas essa rede de apoio.
Eu tinha essa rede de apoio. Sempre tive o apoio dos Wet, de outros artistas também, que já estavam cá. Ou seja, o Fénix RDC, que também já estava antes dos Wet, abriu-lhes as portas, o Jimmy P., os Wet abriram-me as portas a mim e eu mais tarde provavelmente vou abrir as portas, que é o meu objetivo, a outros artistas. Portanto, consegui ter essa rede de apoio.
Sim, mas isso não é sorte. Também fizeste isso acontecer.
De todo. Não é de todo sorte. Nós temos de trabalhar. E quando dizem que talento é 10%, é mesmo 10%, porque o resto é muito trabalho. É muito trabalho com a tua equipa, teres a responsabilidade de, como eu estava a dizer, não ir para a piscina, porque podes ficar sem voz e podes apanhar um vento e depois não gravar no dia a seguir. São regras a ter Que fazem com que mais tarde tenhas o teu mérito e consigas ter o melhor resultado possível.
Como é que está a ser o feedback deste novo álbum? A ser aquilo que estavas à espera?
Super bom. Na verdade, eu não estava à espera de nada. Eu já estou numa fase em que não crio expectativas de nada. Eu simplesmente lanço aquilo que quero lançar e estou confortável com as músicas que quero lançar. E não tinha expectativas de nada e as pessoas têm estado a gostar, porque também acho que é o momento em que consegues conhecer mais da Neni, não é o EP "Aura". A Neni chegou ali com a energia dela, com aura, mas agora consegues perceber o que a Neni pensa.
Mais deep.
Mais deep, muito mais profundo.
Então, mas devias estar ansiosa por partilhar.
Estava superansiosa.
Esse lado teu.
Sim, estava superansiosa. Quero mostrar ao mundo as minhas músicas, aquilo que eu quero partilhar, mas o feedback tem sido muito bom.
Que bom! Tu dizes que ainda não estás no teu prime. O que tu achas que ainda vais alcançar mais? Para onde é que tu queres ir? Que sonhos é que tens? Qual é o teu prime?
Girl, eu não sei qual vai ser o meu prime, mas eu sei que ainda não aconteceu. Vai acontecer, não sei, provavelmente aos 30. Mas obviamente que um dos meus objetivos é tornar-me cada vez mais internacional e pisar palcos supergrandes e conseguir dar atuações em que eu estou a cantar e a dançar ao mesmo tempo. Eu diria que se eu consigo visualizar, eu consigo me tornar.
E tu não te assusta o facto de já teres atingido tanta coisa tão nova?
Assusta-me, mas também ajuda-me a alcançar as coisas.
Ainda mais.
Ainda mais. Ou seja, e quando eu estou num momento mais insegura: "quero mesmo que isto aconteça agora", eu fico a pensar: "mas lembras-te há cinco ou seis anos atrás, quando estavas ali naquele sítio e sonhavas estar onde estás agora, hoje?" Às vezes é preciso ter calma e sermos pacientes e simplesmente acreditarmos e passarmos pelo processo, porque eu sinto que principalmente a minha geração é-
Queremos tudo para ontem.
Tudo para ontem, tem que acontecer agora. E às vezes vai acontecer, mas simplesmente curta o processo. Eu acho que isso também é importante para que as coisas aconteçam de forma mais natural possível e orgânica. Vai acontecer. Trabalha e acredita nisso.
Tu comparas-te muito. Estavas a dizer que comparas com a tua versão passada.
Sim.
Fazes mais essa análise do que te comparares com outros artistas à tua volta?
Sim, eu digo, eu tenho que vencer a Neni 2019. Eu tenho que vencer a Neni dos 16.
Mas também não é fácil vencer essa Neni.
Não é fácil, mas para mim, eu já estou a conseguir, porque eu tive uma fase nos 20, disse que ia-me embora e duvidei e voltei. E para mim, só o fato de ter voltado, já estou a conseguir. Estamos ali às turras. Já estou a conseguir vencer a Neni dos 16, mas ao mesmo tempo, tenho aquele carinho especial de dizer: "Girl, olha onde estás" e muita gente costuma perguntar: "o que dirias à Neni dos 16?" Diria para continuar e por mais que seja difícil, vá ficar tudo bem. E está tudo bem, mas eu tenho esta paranoia de competir comigo mesma. Não tenho esta cena de competir com outros artistas, até porque a minha visão de ver as coisas é de que cada um tem a sua própria experiência de uma forma única. Tu és única, vieste ao mundo com experiências únicas que ninguém vai ter. Os teus pais são só os teus pais, a educação que tiveste é só a educação que tiveste, os teus sonhos, os teus pensamentos, as tuas experiências, ninguém vai viver isso exatamente como tu viveste e como tu vives. Então em todos os aspetos és única. E não consigo comparar a minha trajetória à de ninguém, porque eu sou única e sou a pessoa que sou como eu vim, mas eu comparo-me com a Neni do passado, com as minhas versões passadas e o meu objetivo é sempre vencê-las.
E também como a tua forma de arte também é trazer muito de ti, por isso é que também entras aí nessa espiral e comparares-te com pessoas à tua volta não faz sentido quando tu estás a trazer aquilo que tu és ao mundo. Tanto mais ninguém vai conseguir fazer da mesma forma. Estamos a falar de música, como estamos a falar de qualquer outra forma de arte.
Exatamente. Eu olhava e olho para alguns artistas de uma forma em que uau.
Inspiração.
Inspiração, gostaria de pisar este palco, gostaria de fazer um feat. Gostaria de fazer, não sei, uma certa publicidade da forma que o artista fez, mas nunca vai ser igual, porque eu sou eu e a minha arte é a minha arte.
Olha, só uma última pergunta para ti. Sarar é a última faixa do teu álbum.
Sim.
Sentes que já estás completamente sarada ou que ainda estás no processo?
Sinto que ainda estou no processo. Já sarei muitas outras feridas, mas sinto que é um processo constante e acho que nós conseguirmos pelo menos ter vontade de ter o nosso amor próprio, ir à procura do nosso autoconhecimento, já é uma vitória enorme. Eu diria que este álbum, o "ID", é literalmente o meu sarar. É literalmente o meu healing process e tudo aquilo que eu represento e tudo aquilo que eu sou.
O que te deixa entusiasmada nos próximos tempos?
Olha, concertos deixam-me superentusiasmada, próximos projetos, feats que tenho guardados, músicas que tenho guardadas também para lançar, deluxe, trabalhar num deluxe e lançá-lo. Isso é que me deixa superentusiasmada.
E também aproveitar o processo. E aquilo que estás a fazer agora e acabaste de lançar um álbum, portanto tens de aproveitar isso.
Sim, aproveitar isso.
Não estamos a pensar no próximo.
Sim, às vezes estamos sempre o que eu gostaria de fazer.
Qual é o próximo marco? E agora este, este grande marco. Que está a acontecer agora.
Temos que aproveitar este que está a acontecer agora, porque na verdade nós vivemos no agora. O futuro e o passado não existem, na verdade. O que existe é o presente, é o agora e vamos aproveitar o agora, simplesmente.
É isso. E you can be your damn hero.
I can be my own damn hero.
É isso. E é assim que terminamos.
Yes, period.
Obrigada.
Obrigada.
Adorei.
Também eu.
Não é fácil, eu sei, mas amiga, faz parte. Encontramo-nos domingo à hora do costume?