Não foi só um desfile de êxitos: Seal deu um concerto cheio de emoção no MEO Marés

Depois de uma tarde marcada pelas atuações dos Vizinhos e de Diogo Piçarra, a expectativa no MEO Marés concentrava-se num único nome. Seal regressava a Portugal para subir ao palco principal do festival e bastaram poucos minutos para perceber que a espera tinha valido a pena. Durante uma hora e 35 minutos, o cantor britânico alternou entre grandes êxitos, momentos intimistas e uma ligação rara com o público.

Conhecido por clássicos como “Kiss From a Rose”, “Crazy”, “Love’s Divine” e “Prayer for the Dying”, Seal, vencedor de vários prémios Grammy e Brit Awards, soma mais de três décadas de carreira. Com uma voz inconfundível, influências que cruzam soul, pop, rock e R&B, e mais de 20 milhões de discos vendidos em todo o mundo, continua a ser um dos artistas britânicos mais acarinhados pelo público português.

Às 21h15 em ponto, como previsto, uma cortina de fumo começou a cobrir o palco. As luzes apagaram-se e, no ecrã gigante, surgiram imagens que percorriam alguns dos momentos mais marcantes da carreira do músico de 63 anos, numa introdução que arrancou aplausos antes mesmo de o artista aparecer.

Dois minutos depois, entraram primeiro os músicos que o acompanharam em palco. Logo atrás surgiu Seal, debaixo de uma enorme ovação, a bater palmas e visivelmente emocionado perante um recinto praticamente cheio. O concerto arrancou com “All I Know Is Now” e, desde os primeiros segundos, o swing, os passos de dança e a presença em palco contagiaram a plateia, que respondeu com uma das receções mais calorosas da noite.

Sem perder tempo, seguiu-se “Fly Like an Eagle”. Enquanto a noite começava lentamente a cair sobre a Praia do Aterro, o palco principal voltava a encher-se de milhares de pessoas. “É tão bom estar no vosso país. Como estão?”, perguntou no final da segunda música. A resposta chegou num coro de aplausos. Mas Seal queria mais. “Sei que precisamos das luzes para me verem, mas só por dez segundos… Acendam as luzes para vos poder ver. Preciso de ver as vossas caras. Vamos conversar esta noite. Preciso de ver os vossos olhos porque preciso de vos sentir. Lindíssimo.”

Foi assim que arrancou “Future Love Paradise”. Com o recinto iluminado durante alguns segundos, Seal observou demoradamente o público antes de voltar a mergulhar na escuridão do espetáculo.

“Deep Water” trouxe um ambiente mais intimista, mas foi logo depois que aconteceu um dos momentos mais marcantes da noite. “A próxima canção tenho de a cantar mais perto de vocês”, anunciou.

E cumpriu a promessa. Durante “Prayer for the Dying”, desceu do palco e percorreu a frente da plateia, a poucos centímetros dos fãs. Enquanto cantava, estendia a mão a quem estava junto às grades, recebendo centenas de telemóveis apontados e olhares emocionados.

Entretanto, o recinto estava ainda mais composto do que na primeira noite do festival. Com os bilhetes de sábado praticamente esgotados e os de domingo totalmente vendidos, cada vez mais pessoas procuravam aproximar-se do palco principal.

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Créditos de imagem: Rui Bandeira / MEO Marés.

De regresso, pegou novamente na guitarra para interpretar “Touch”, seguindo depois para “Loneliest Star”. O concerto assumia um tom quase confessional. Só no final de “Loneliest Star” dirigiu finalmente as primeiras palavras em português. “Obrigado”, disse, arrancando mais uma salva de palmas. “A próxima canção é inspiradora. Alguns de vocês conhecem-na, outros não… E alguns nem a vão perceber”, brincou entre sorrisos, antes de acrescentar: “Estou a brincar. É uma boa canção.”

Seguiu-se “Life’s What You Make It”, uma versão do tema dos Talk Talk, antes de a energia voltar a subir com “Killer”, o clássico originalmente lançado por Adamski com a voz de Seal.

Em “Bring It On”, o britânico voltou a mostrar todo o seu carisma. Entre passos de dança, sorrisos e movimentos descontraídos, aproximou-se novamente da frente do palco para sentir de perto o calor do público, que continuava longe de dar sinais de cansaço. “Como se estão a sentir?”, perguntou novamente. A resposta chegou sob a forma de um enorme aplauso.

Os primeiros acordes de “Kiss From a Rose” fizeram explodir a Praia do Aterro. Seal começou por alternar versos com o público, que respondeu de imediato. “Lindo”, elogiou, impressionado com a forma como milhares de vozes acompanhavam a música. Foi um dos momentos de maior cumplicidade da noite.

No final, saiu discretamente do palco, enquanto as luzes permaneciam acesas em tons de azul e o fumo continuava a envolver o cenário. Mas ninguém acreditou que fosse o fim. Assobios, aplausos e gritos começaram a ecoar pelo recinto até que, poucos segundos depois, Seal regressou para interpretar “Crazy”.

“Estão prontos?”, perguntou uma última vez. A explosão de entusiasmo voltou a repetir-se. Antes do encerramento, apresentou um a um os músicos que o acompanharam durante toda a atuação e deixou uma mensagem ao público português.

“Quero agradecer-vos por serem tão acolhedores. Fazem-me sentir tão sortudo. Nós podemos fazer aquilo que amamos e só o conseguimos graças a vocês. Olhem só para vocês… Que lindos. Seja o que for que esteja a acontecer nas vossas vidas, os altos e, sobretudo, os baixos, sempre que se sentirem sozinhos, parem por um momento e lembrem-se de que aquilo que estão a viver não está a acontecer vos, é mesmo para vocês.”

A reflexão deu lugar à última música da noite, “Love’s Divine”. Mais uma vez, o público acompanhou o tema do princípio ao fim, encerrando um concerto que durou uma hora e 35 minutos. No final, Seal agradeceu com várias vénias. Primeiro sozinho, depois acompanhado pelos músicos, regressou ao centro do palco para uma despedida coletiva, recebida com uma enorme ovação, aplausos e gritos vindos de toda a Praia do Aterro.

A segunda noite no palco principal do MEO Marés estava longe de terminar, com a aguardada atuação dos James marcada para as 23h30. No domingo, terceiro e último dia do festival, o recinto recebe os Calema, Danny Ocean, Ozuna e Soraia Ramos.

Carregue na galeria para espreitar os melhores momentos do concerto de Seal no segundo dia do festival.