MRV (MRVE3) frustra no 2T26, mas analistas veem ação quase dobrar

Mercado Financeiro

Maíra Telles

A MRV (MRVE3) apresentou números operacionais mais fracos que o esperado no segundo trimestre de 2026, especialmente no Brasil. Segundo relatório do BTG Pactual, os lançamentos somaram R$ 3,3 bilhões, queda de 11% na comparação anual, enquanto as vendas líquidas chegaram a R$ 2,94 bilhões, recuo de 7%.

Apesar da prévia mais fraca, os analistas Gustavo Cambauva e Gustavo Fabris mantiveram recomendação de compra para MRV (MRVE3), com preço-alvo de R$ 12. Considerando a cotação de R$ 4,84 usada no relatório, o potencial de valorização estimado é de 147,9%.

MRV (MRVE3) tem vendas abaixo do esperado

No Brasil, os lançamentos das operações de Minha Casa Minha Vida e Sensia somaram R$ 3,04 bilhões, queda de 13% em relação ao mesmo período do ano passado. Já a Urba registrou R$ 251 milhões em lançamentos, alta de 18%.

As vendas líquidas também vieram abaixo das projeções do banco. No Minha Casa Minha Vida e na Sensia, chegaram a R$ 2,8 bilhões, avanço de 4% em um ano. Na Urba, somaram R$ 127 milhões, alta de 51%.

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Com isso, a velocidade de vendas sobre oferta ficou em 22%, estável em relação ao 2T25. Para os analistas, a prévia operacional veio mais fraca que o esperado, com vendas e geração de caixa no Brasil abaixo das estimativas.

Geração de caixa decepciona no Brasil

O principal ponto negativo foi a queima de caixa de R$ 39 milhões nas operações brasileiras. O BTG esperava geração de caixa livre de R$ 150 milhões no período.

Excluindo os efeitos da venda de recebíveis, a MRV (MRVE3) gerou R$ 20 milhões no segmento de baixa renda, mas queimou R$ 47 milhões na Urba e R$ 12 milhões na Luggo.

Segundo o relatório, o descasamento entre unidades produzidas e transferidas continuou pressionando a geração de caixa no segundo trimestre, mesmo após um tom mais positivo da companhia em atualização operacional divulgada em maio.

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Nos Estados Unidos, as operações Resia e MRV US geraram R$ 15 milhões em caixa livre, cerca de US$ 3 milhões. O relatório ressalta que a entrada de caixa da venda dos projetos Rayzor Ranch e Ten Oaks deve ocorrer apenas em julho e, por isso, não entrou nos números do 2T26.

Compra mantida apesar da prévia fraca

Mesmo com os números abaixo do esperado, o BTG manteve a visão positiva para MRV (MRVE3). A casa avalia que o momento do Minha Casa Minha Vida segue forte e que o potencial de alta continua relevante quando os resultados se normalizarem.

A ação negocia a 0,7 vez o preço sobre valor patrimonial tangível, segundo o relatório. Para os analistas, apesar da pressão de curto prazo nos resultados, o valuation ainda sustenta a recomendação de compra.

No caso da MRV (MRVE3), o ponto de atenção para os próximos trimestres será a recuperação da geração de caixa no Brasil. A tese positiva segue apoiada no Minha Casa Minha Vida, mas a prévia do 2T26 mostrou que a execução operacional ainda precisa melhorar para o potencial projetado pelos analistas se materializar.