Morreu Gunther von Hagens, polémico médico que expôs cadáveres sem pele

Morreu Gunther von Hagens, o anatomista responsável pela exposição "Real Bodies - Descubra o Corpo Humano", onde vários corpos humanos sem pele, órgãos e também animais sujeitos à mesma técnica foram exibidos. O médico alemão tinha 81 anos.

A morte de von Hagens aconteceu na sexta-feira, mas só foi confirmada esta segunda-feira - pela família e pelo Instituto de Plastinação, fundado pelo próprio em 1993. O médico é natural de Skalmierzyce, hoje território polaco, mas que à altura do seu nascimento, em 1945, estava ainda sob domínio da Alemanha.

Note-se que a técnica de plastinação é uma técnica de preservação de corpos ou partes de corpos que foi criada por Gunther von Hagens em 1977. O processo substitui a água e os líquidos corporais por polímeros de plástico (como silicone ou resina), ficando então 'peças' sem cheiro, que duram e que não se decompõem.

Segundo a Associated Press (AP), não foram dados mais detalhes sobre a morte, tendo a agência lembrado que, em 2010, o médico alemão disse que sofria de Parkinson.

O comunicado divulgado hoje refere também que o desejo de von Hagens era o de que o seu corpo fosse disponibilizado para a plastinação e que "a sua família respeitará e cumprirá esse desejo".

A AP aponta ainda que o trabalho deste médico surge entre a ciência, entretenimento e o negócio, com as suas exposições ou mesmo com eventos onde chegou a realizar autópsias públicas.

A técnica de plastinação que foi desenvolvendo ao longo dos anos 70 resultou na exposição "Real Bodies - Descubra o Corpo Humano" ["Body Worlds"] mostra esta exibida pela primeira vez em 1995, no Japão.

Dois anos mais tarde, a coleção da cadáveres parcialmente sem pele foi também exibida na Alemanha, tendo líderes religiosos locais apontando que esta exposição era desrespeitosa. Von Hagens afirmou, na altura, que estava a tentar mostrar como funcionava o corpo humano a todos aqueles que visitassem a mostra.

O anatomista "é forçado, no seu trabalho diário, a rejeitar os tabus e as convicções de que as pessoas têm sobre a morte e os mortos", foi dito por von Hagens sobre o seu trabalho.

"Toco aqui em um tabu, que é o nosso corpo, e nada nos é tão próximo quanto o nosso corpo", afirmou ainda no início deste trabalho, e citado pela AP.

Havendo o tabu a pairar, as suas obras foram descritas pelos críticos como sensacionalistas, já que, entre elas, estavam corpos de um cadáver montando a cavalo, uma mulher grávida de oito meses e bebés.

Von Hagens "brinca com os cadáveres como uma criança brinca com bonecas", defendeu o reverendo Ernst Pulsfort, reitor espiritual da Academia Católica de Berlim, quando, em 2001, a exposição abriu pela primeira vez na capital alemã. O reverendo argumentou então que a exposição satisfazia uma "sede de sensacionalismo do público".

Em 2002, por exemplo, durante uma exposição "Body Worlds" fez a primeira autópsia pública no Reino Unido em 170 anos. A plateia estava esgotada, com centenas de pessoas. O médico desfiou desta forma todos os avisos do governo britânico de que tal poderia ser ilegal. No fim, o médico disse que tinha sido "um enorme sucesso". Mas, mais uma vez, as opinião dividiram-se, já que o diretor da Associação de Médicos Britânicos, Michael Wilkes, referiu que tudo não tinha passado de algo "degradante e desrespeitoso".

O trabalho, a vida e as exposição: Recorde von Hagens na galeria acima.

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