Ministro da Educação reconhece que alguns alunos “já estão prejudicados”, mas nega “experimentalismo”

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  • O ministro da Educação defendeu a digitalização dos exames nacionais como um processo iniciado há quatro anos, longe do "experimentalismo" com que é criticado.
  • Fernando Alexandre admitiu, contudo, que a criação de uma época especial de exames em setembro surge por já existirem "alunos prejudicados" pela situação.
  • O governante revelou ainda que o Governo não tem nenhum relatório sobre o projeto-piloto realizado anteriormente a Filosofia, responsabilizando o ex-presidente do Júri Nacional de Exames pela falta de informação.

O ministro da Educação rejeitou esta terça-feira que a digitalização das provas dos exames nacionais tenha sido um processo de “experimentalismo”, defendendo que a transição resulta de um trabalho iniciado há quatro anos e acompanhado pela evolução internacional da digitalização na educação. No entanto, reconheceu que a época especial de exames que foi anunciada para o início de setembro resulta do facto de haver alunos que “já estão prejudicados” pela situação. Fernando Alexandre revelou ainda não ter qualquer “relatório” sobre o anterior piloto de digitalização dos exames de Filosofia.

“Alunos com desconformidade que não está corrigida, ou que não têm a classificação final por alguma razão, já estão prejudicados por não poderem ir à segunda fase. E por isso é que foi necessário para manter condições de equidade criar uma época especial que permitirá a todos os alunos que não tiveram condições para ir a segunda fase, reúne essas condições”, afirmou Fernando Alexandre, durante uma audição no Parlamento sobre as falhas na correção dos exames nacionais do ensino secundário.

O governante sustentou, contudo, que o Governo optou por manter a digitalização por considerar que esta representa uma evolução para alunos, professores e para o próprio sistema educativo. “O processo começou a ser implementado há quatro anos, há uma experiência e um conhecimento da digitalização na educação que Portugal tem vindo a acompanhar a nível internacional. Não há experimentalismo”, disse.

Fernando Alexandre anunciou ainda que todos os alunos terão as classificações finais até ao final desta semana e que nesta terça-feira serão divulgadas as orientações relativas ao calendário da época especial, admitindo que o acesso ao ensino superior poderá obrigar ao ajustamento de alguns prazos. “A data final [da época especial] para já é 14 de setembro, mas terá de ser prolongada por mais alguns dias”, adiantou.

Sobre as críticas de que os alunos abrangidos pela época especial poderão ficar em desvantagem no acesso ao ensino superior, Fernando Alexandre rejeitou essa leitura, lembrando que esses estudantes “concorrem sempre para um número mais limitado de vagas”.

Alunos com desconformidade que não está corrigida, ou que não têm a classificação final por alguma razão, já estão prejudicados por não poderem ir à segunda fase. E por isso é que foi necessário para manter condições de equidade criar uma época especial que permitirá a todos os alunos que não tiveram condições para ir a segunda fase, reúne essas condições.

“Governo não tem relatório nenhum” sobre projeto-piloto do exame de Filosofia

Na audição, o ministro da Educação revelou também que “o Governo não tem relatório nenhum” sobre o projeto-piloto de digitalização dos exames nacionais de Filosofia realizados no ano passado, acusando o ex-presidente do Júri Nacional de Exames de nunca o ter entregue. A declaração surge na sequência de uma entrevista à Renascença do ex-presidente do Júri Nacional dos Exames (JNE), Luís Duque de Almeida, na qual acusou o ministro de não ter solicitado “ao JNE qualquer balanço sobre a prova Filosofia”, questionando em que se baseou a tutela para decidir avançar com o processo de digitalização das provas.

"Se [Luís Duque de Almeida] tinha informação, não partilhou nem sequer com a Direção Geral da Educação nem com o EduQa.”

Fernando Alexandre afirmou que os “erros graves” identificados durante o projeto-piloto de digitalização das provas de Filosofia nunca chegaram ao conhecimento da tutela, responsabilizando o antigo coordenador do processo, Luís Duque de Almeida, por não ter deixado qualquer relatório.

“Se tinha informação, não partilhou nem sequer com a Direção Geral da Educação nem com o EduQa. Se tinha essa informação e não a transmitiu vai ter que explicar isso, porque não deu essa informação a ninguém. Foi-se embora em setembro e não deixou relatório a ninguém”, atirou.

O ministro da Educação sublinhou que, se existiam problemas que poderiam ter sido antecipados, essa informação deveria ter sido comunicada às entidades responsáveis pela implementação do modelo. “Se agora, passado um ano, depois de o processo ter tido problemas, vem dizer que havia problemas que podiam ter sido antecipados e que não foram, vai ter de explicar isso”, vincou.

(Notícia atualizada com mais informação às 11h43)

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