Ministro chama "palhaço" a Milei: "Veio ao Brasil e falou do Brasil"

Durigan explicou que o risco-país do Brasil, um indicador que mede a capacidade de um Estado pagar ou não as suas dívidas externas, é melhor que o risco-país da Argentina.

O ministro da Fazendo (equivalente em Portugal a das Finanças) citou ainda vários índices do país vizinho, como inflação, endividamento e, em comparação, apontou que o Brasil tem menos desemprego, inflação controlada e recordes na balança comercial.

"O palhaço do Presidente da Argentina veio ao Brasil e falou de Brasil, quando o risco-país da Argentina é muito mais alto, a dívida pública é muito mais alta, a inflação lá é muito [alta]", declarou em entrevista à Rádio Jornal.

Javier Milei participou no sábado, em São Paulo, da cerimónia do Partido Liberal (PL) que oficializou a candidatura às presidenciais brasileiras de Flávio Bolsonaro, o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Na ocasião, o político argentino pediu que Flávio Bolsonaro consiga "travar o lixo socialista" nas eleições de outubro, além de atacar o Presidente brasileiro, Lula da Silva.

Milei, que proferiu várias expressões injuriosas contra aqueles que apelidou de "esquerdistas", acusou ainda Lula de não fazer o ajustamento orçamental de que, na sua opinião, o Brasil necessita.

"O desperdício paga-se e esperamos que quem o causou pague nas urnas em outubro", declarou o político argentino.

Milei criticou também, de forma implícita, o juiz do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, relator do processo que levou Bolsonaro a ser condenado a 27 anos de prisão por orquestrar uma tentativa de golpe de Estado após a derrota nas eleições de 2022.

O juiz impediu que Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliária, recebesse a visita de Milei na sua residência, em Brasília, onde cumpre pena, e, por causa disso, o político argentino chamou Moraes de "lixo careca".

As declarações do líder argentino, de extra direita, geraram forte reação na diplomacia brasileira, o que fez o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, convocar o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, ao Palácio do Itamaraty para prestar explicações.

Por meio de nota, o Ministério de Relações Exteriores brasileiro classificou as declarações de Milei como lamentáveis e infames.

"Não há precedentes de um Presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao Chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro", informou.

"É especialmente lamentável que esse episódio infamante envolva o Presidente de um país com que o Brasil mantém 203 anos de amizade e cooperação e que tem, no Brasil, o seu principal sócio comercial", conclui o comunicado.

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