O eurodeputado João Cotrim de Figueiredo falou, este domingo, sobre os exames nacionais, tema que tem vindo a ser falado nos últimos dias, dadas as dificuldades na correção - que já levaram à alteração da publicação das notas.
Lembrando o ano passado, que "correu mal", o liberal apontou: "Este ano, alarga-se a amostra e a juntar a todos os problemas temos estes de que professores contratados para as disciplinas erradas, professores convocados à última da hora. Professores aposentados a serem convocados e um ou dois casos de professores falecidos a serem convocados. Confusão total".
Criticando, durante o seu espaço de comentário, "Visto Assim", emitido pela SIC Notícias, a falta de organização por parte do Ministério da Educação, Cotrim de Figueiredo lembrou ainda a 'luz verde' para "despesa nacional de meio milhão de euros de repente para meter, parece, a empresa Delloite, para tentar resolver alguma coisa a tempo".
Falando em particular do ministro, Fernando Alexandre, o eurodeputado afirmou: "Até acho que o ministro tem alguns créditos. Tem algumas coisas no passado com polémicas e onde se saiu bem. Nesta não acho que tenha estado bem. Foi arrogante com os professores, com as escolas. Só faltou acusar os alunos de terem feito exames a mais".
Em relação às declarações de Fernando Alexandre acerca de as famílias serem, eventualmente, ressarcidas devido aos constrangimentos que estes atrasos estão a causar - nomeadamente, em relação às férias -, Cotrim de Figueiredo questionou: "Ressarcidos por quem? O Estado somos nós. É o contribuinte a pagar asneiras que possam ter sido feitas no ministério? E quando? E que avalanche de pedidos de indemnização poderão acontecer no Ministério da Educação? Tudo isto parece-me muito, muito, muito amador. E não me parece nada consentâneo com a imagem do ministro até agora".
Questionado sobre se, chegada sexta-feira, altura em que as notas estão previstas ser publicadas, a situação não estiver bem, o comentador considerou: "Não terá condições para continuar. Acho que isto é demasiado grave para passar incólume - tendo eu muito pena porque havia muita coisa que o Ministério da Educação estava a tentar mudar".
Recorde-se que pela primeira vez, este ano as provas dos 11.º e 12.º anos, que continuam a ser realizadas em papel, estão a ser corrigidas em formato digital, um processo que implica que sejam digitalizadas e só depois distribuídas pelos professores para serem avaliadas.
No entanto, os sistemas informáticos têm apresentado problemas desde o início e, nas últimas semanas, professores classificadores relataram atrasos na disponibilização das provas, erros na digitalização das folhas de resposta e problemas técnicos na plataforma de distribuição e classificação.
Os constrangimentos obrigaram ao adiamento dos prazos e os professores têm agora até terça-feira para terminar as classificações, para que as pautas sejam afixadas no dia 17, mas os classificadores, que devem concluir o trabalho até terça-feira, continuam a receber itens para corrigir.
No sábado, a Federação Nacional dos Professores (Fenprof) anunciou que vai apresentar uma queixa na Procuradoria-Geral da República para pedir a abertura de um inquérito ao processo de classificação eletrónica dos exames nacionais do ensino secundário.
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