Ministra defende renaturalização da zona de campismo da Galé

"Há muita evolução no sentido de cumprirem o que nós dissemos", no que respeita à existência de "parques de estacionamento e acessos", assim como nos apoios de praia que devem ser de "acesso público", afirmou a governante. 

Maria da Graça Carvalho falava aos jornalistas no final de uma visita às praias das Camarinhas, Golfinhos, Pego, Pinheirinho, Galé-Fontaínhas e Melides, realizada um ano depois de ter ordenado uma fiscalização aos acessos às praias do concelho de Grândola, no distrito de Setúbal.

A visita, efetuada a convite do presidente da Câmara de Grândola, teve como objetivo acompanhar no terreno a situação dos acessos e estacionamentos e conhecer as principais intervenções em curso ao longo da costa do concelho.

Segundo a ministra, na Galé-Fontaínhas, a comitiva encontrou uma cancela pertencente ao parque de campismo instalado naquela zona "há 40 anos" e com "uma qualidade que não é condizente com a beleza e a natureza deste território".

"Há ali direitos adquiridos de há 40 anos, mas nós também temos instrumentos, nomeadamente o plano da orla costeira, e uma alteração pode ajudar a resolver este assunto", explicou.

Apesar de estar previsto um acesso público paralelo ao parque de campismo, a ministra reconheceu que o problema não se limita à passagem para a praia.

"Não é só uma questão de acesso. É uma questão de aquela natureza merece outro tratamento", sustentou.

A governante revelou ainda já ter abordado a situação com os presidentes da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

"Na revisão do plano da orla costeira, vamos exigir que haja ali uma renaturalização e um melhoramento do ponto de vista ambiental daquela zona", indicou.

No balanço efetuado, Maria da Graça Carvalho referiu que, à exceção da Galé-Fontainhas, as restantes praias "têm acessos públicos [e] têm parques de estacionamento".

"Alguns já estão acabados, outros estão em construção, mas já estão em bom andamento", acrescentou.

Na praia das Camarinhas, foi transmitido à comitiva que o apoio de praia será deslocado "para mais perto do acesso público", cumprindo uma indicação deixada pela APA durante a fiscalização realizada no ano passado, adiantou a governante. 

Questionada sobre a praia da Raposa, situada junto ao Estabelecimento Prisional do Pinheiro da Cruz, onde se mantêm cancelas e limitações à circulação, Maria da Graça Carvalho explicou que o acesso continuará condicionado devido à presença da prisão e de uma área utilizada pelas Forças Armadas.

Sobre as habitações existentes junto à praia, a ministra afirmou serem "construções ilegais" e que a APA está a desenvolver o respetivo processo para "renaturalizar aquela zona".

Quanto à pressão turística e imobiliária sobre o litoral de Grândola, a governante defendeu a manutenção de processos rigorosos de licenciamento ambiental, embora tenha reconhecido que estes devem ser mais rápidos: "Devemos ser mais rápidos, mas mantendo o mesmo rigor", afirmou.

Por seu lado, também em declarações aos jornalistas, no final da visita, o presidente da Câmara de Grândola, Luís Vital Alexandre, sublinhou o diálogo e o trabalho que tem sido desenvolvido com os promotores turísticos e com a APA.

"Estamos a trabalhar e, prova disso, foi o parque, ainda de retaguarda, [na praia] do Pego. Nas Camarinhas, com o promotor, tenho a certeza que vamos encontrar uma solução de parqueamento e de acesso à praia", exemplificou.

Apesar de existirem "propostas concretas" para melhoria das condições de acesso às zonas balneares, que "ainda não estão no terreno", o autarca disse acreditar que, em 2027, o município terá "muito mais praias acessíveis ao público".

[Notícia atualizada às 22h52]

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