Milei confirma agenda com Flávio Bolsonaro no Brasil e amplia embate com Lula

O presidente da Argentina, Javier Milei, confirmou que viajará ao Brasil no fim de julho para participar de um ato político em apoio ao senador Flávio Bolsonaro, apontado como pré-candidato da direita à Presidência em 2026.

A visita, que ocorrerá em São Paulo, provocou reações no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e reforça a estratégia de Milei de estreitar laços com lideranças conservadoras da América Latina.

O secretário-geral da Presidência do Brasil, Guilherme Boulos, criticou duramente a iniciativa nas redes sociais, chamando Milei de “imbecil” e afirmando que sua presença poderia prejudicar, e não ajudar, a campanha de Flávio Bolsonaro.

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A viagem ao Brasil faz parte de uma intensa agenda internacional anunciada pelo presidente argentino.

Após a passagem por São Paulo, Milei participará da abertura da Exposição Rural, em Buenos Aires, antes de seguir para Peru, onde acompanhará a posse da presidente eleita Keiko Fujimori.

Em seguida, viajará à Colômbia para prestigiar a cerimônia de posse do presidente eleito Abelardo de la Espriella e encerrará o roteiro no Equador, onde se reunirá com o presidente Daniel Noboa para avançar em acordos bilaterais.

Milei afirma que essas viagens fazem parte de sua estratégia de política externa voltada para ampliar o comércio e atrair investimentos para a Argentina.

Segundo o presidente, o país “deveria comercializar três vezes mais” do que atualmente e a exposição internacional do governo tem ajudado a conquistar novos investidores.

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Economia é principal vitrine do governo

A agenda internacional ocorre em um momento em que Milei busca capitalizar os resultados de seu programa econômico.

Após assumir a Presidência prometendo combater a inflação e reduzir o tamanho do Estado, seu governo implementou um amplo ajuste fiscal, cortou gastos públicos, reduziu subsídios e promoveu uma forte desregulamentação da economia.

O governo também aposta no Regime de Incentivo para Grandes Investimentos (RIGI), criado para atrair projetos de longo prazo em setores como mineração, energia, petróleo, gás e infraestrutura.

Milei tem defendido a ampliação do programa por meio do chamado “Super RIGI”, voltado a investimentos superiores a US$ 1 bilhão, proposta que ainda depende de aprovação definitiva no Senado argentino.

Durante entrevista à rádio Now 97.9, o presidente voltou a defender o programa e afirmou que as províncias que aderiram ao regime já começam a colher benefícios econômicos, enquanto criticou governos locais que resistem à iniciativa por razões ideológicas.

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Com a inflação em trajetória de desaceleração e o governo tentando consolidar a recuperação da atividade econômica após um período de forte recessão.

Milei procura combinar a agenda de reformas internas com uma política externa voltada à aproximação de governos e lideranças alinhados ao liberalismo econômico.

A visita ao Brasil, no entanto, adiciona um componente político à estratégia.

Além de reforçar sua proximidade com a família Bolsonaro, o deslocamento ocorre em meio à relação fria entre Milei e o governo Lula, marcada por divergências ideológicas e diplomáticas desde o início do mandato do presidente argentino.