Numa reunião de emergência do Conselho de Segurança solicitada pelo Governo iemenita, a diplomata norte-americana Tammy Bruce afirmou que voos iranianos aterraram recentemente no Iémen para transportar membros da Guarda Revolucionária Islâmica, incluindo especialistas em 'drones' e mísseis, "em apoio ao terrorismo dos Huthis", sob o pretexto de participarem nas cerimónias fúnebres do antigo líder supremo iraniano Ali Khamenei.
"Esse tipo de apoio permite que os Huthis aterrorizem o povo iemenita e ameacem a liberdade de navegação no Mar Vermelho e nas vias navegáveis adjacentes. (...) Aliás, os líderes Huthis comemoraram publicamente o voo recente como uma bem-sucedida evasão dos esforços internacionais para isolar o grupo terrorista", afirmou Bruce, representante adjunta dos EUA junto às Nações Unidas.
Essas ações, avaliou a diplomata, constituem uma violação da Resolução 2216 do Conselho de Segurança da ONU, que proíbe o fornecimento, a venda ou a transferência de armas, assistência técnica, treino ou outro tipo de apoio aos Huthis relacionado com atividades militares ou uso de armas e material similar, incluindo 'drones' e mísseis.
De acordo com Tammy Bruce, os rebeldes xiitas têm demonstrado, devido à assistência iraniana, uma crescente sofisticação militar, incluindo frequentes ataques transfronteiriços com 'drones' e mísseis, além do uso de munições de fragmentação.
"Essa crescente capacidade, por si só, é uma evidência de que os Huthis receberam apoio externo, em violação ao embargo de armas imposto", defendeu.
"O desrespeito deliberado da República Islâmica do Irão pela soberania do Iémen e pelas decisões coletivas deste Conselho é simplesmente inaceitável", frisou a representante de Washington.
Tammy Bruce fez ainda referência aos recentes ataques iranianos contra navios que passam pelo estreito de Ormuz e contra países vizinhos, os quais considerou uma provocação deliberada que contradiz o memorando de entendimento alcançado em maio.
"Os EUA não implementarão unilateralmente o memorando de entendimento enquanto o Irão continuar a ameaçar a passagem segura protegida pelo Memorando. Em resumo, se o Irão disparar contra navios, responderemos imediatamente com força", assegurou.
Na mesma reunião, o embaixador francês frisou que, ao pousar aeronaves nos aeroportos iemenitas de Sana e Hodeida sem o consentimento das autoridades legítimas do Iémen, o Irão violou o direito internacional.
"Isso demonstra o comportamento desestabilizador do Irão na região. Essas ações precisam de acabar", apelou Jérôme Bonnafont.
Por outro lado, Moscovo insistiu que o voo de 03 de julho do Irão para Sana teve um propósito "estritamente humanitário".
A diplomata russa Anna Evstigneeva reconheceu que o voo deveria ter sido acordado com as autoridades oficiais, insistindo, no entanto: "Este foi um voo estritamente humanitário".
O incidente não causou vítimas nem danos materiais, porém, resultou numa escalada da violência no Iémen e na região, o que é "particularmente perigoso", acrescentou.
Na mesma reunião, o embaixador Abdullah Al-Saadi, do Iémen, afirmou que os recentes acontecimentos no seu país constituem "um verdadeiro teste" dos princípios sobre os quais o sistema internacional se fundamenta, principalmente o respeito à soberania e a não interferência.
O diplomata afirmou que o Iémen solicitou a reunião de hoje pois o recente voo não autorizado constitui um "precedente extremamente perigoso", questionando se o Conselho é capaz de proteger as regras do sistema internacional.
O uso do aeroporto de Sana poderia encorajar grupos armados a explorar instalações civis que estão fora do controlo de governos legítimos, alertou ainda.
Os Huthis, apoiados pelo Irão, controlam Sana e grande parte do norte do Iémen, enquanto o Governo internacionalmente reconhecido está instalado sobretudo no sul do país e conta com o apoio de Riade.
O Irão nega repetidamente que esteja a armar os Huthis, apesar das conclusões reiteradas de peritos da ONU e de governos ocidentais que associam Teerão a envios de armas e apoio militar ao grupo xiita.
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