O concurso de 1ª época para médicos de família terminou com 62% das vagas por preencher. Ainda assim, foram contratados 273 especialistas em Medicina Geral e Familiar, o que representa um aumento em relação ao número de médicos colocados no concurso do ano passado, revelam os dados da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), enviados ao Observador. A região de Lisboa e Vale do Tejo só conseguiu preencher um quarto das vagas a concurso.
O Ministério da Saúde tomou, este ano, a decisão de abrir todas as vagas que tinham sido solicitadas pelas Unidades Locais de Saúde (ULS), num total de 711, tendo sido ocupados 38% desses lugares, ou seja, 273. Na globalidade do país, ingressaram este ano no SNS mais 42 novos médicos de família do que no concurso homólogo de 2025, embora a proporção de vagas preenchidas tenha diminuído ligeiramente — passou de 39% para 38%.
O concurso “permitiu reforçar os cuidados de saúde primários em todas as regiões do país, traduzindo-se num aumento do número de médicos colocados face ao ano anterior”, assegurou a ACSS, realçando que, com os clínicos contratados, será possível atribuir médico de família a mais 400 mil utentes — isto numa altura em que o número de utentes sem médico aumenta de forma constante há vários meses. Em maio, 1.666.823 utentes não tinham médico atribuído.
Número de utentes sem médico de família volta a aumentar em maio. Região de Lisboa bate recorde
A região de Lisboa e Vale do Tejo continua, a par do Alentejo, a ser aquela que demonstra maior incapacidade de atração de médicos. Das 446 vagas abertas, apenas 113 foram ocupadas (ou seja, cerca de 25% do total), ainda assim mais sete médicos do que no ano passado, o que leva a ACSS a considerar que se registou uma “evolução positiva”.
A Unidade Local de Saúde de Almada-Seixal conseguiu colocar mais três médicos de Medicina Geral e Familiar do que no ano anterior. Já a Unidade Local de Saúde do Estuário do Tejo, que em 2025 não tinha conseguido preencher qualquer vaga, colocou este ano dez novos médicos recém-especialistas.
Já no Alentejo, foram abertas 69 vagas, mas apenas nove foram preenchidas, sendo que, no ano passado, tinham sido ocupadas oito vagas. Este ano, uma ULS (a do Litoral Alentejano) não conseguiu atrair qualquer médico. Já a ULS do Baixo Alentejo, com sede em Beja, atraiu apenas um recém-especialista.
A região Centro foi a que registou a melhoria mais significativa a nível nacional. Este ano, foram colocados 83 médicos especialistas, mais 26 do que no concurso homólogo do ano passado. Desta forma, foram preenchidas 67% das vagas a concurso.
No Norte, e como é habitual, foi preenchida a quase totalidade dos lugares (53 em 56) e também no Algarve a percentagem de vagas ocupadas foi elevada (15 em 17). Dos 273 médicos colocados em todo o país, 246 são recém-especialistas, o que corresponde a cerca de 90% do total dos médicos que acabaram o internato (formação na especialidade) este ano, sublinha a ACSS.
Já em relação ao concurso para a colocação de médicos de saúde pública, das 68 vagas disponibilizadas, 36 foram ocupadas, mais seis do que no concurso de 2025.
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