O ministro da Administração Interna reforçou, esta quinta-feira, que vai esclarecer todas dúvidas em relações à polémica em que está envolvido, não adiantando quando. Luís Neves pediu ainda "respeito" pelo trabalho que está a desenvolver na tutela.
"Já disse que, no meu tempo irei esclarecer, ponto por ponto, todas as questões que têm vindo a ser noticiadas. Com toda a transparência e em todos os locais em que seja necessário - e fá-lo-ei convosco num momento próprio, onde colocarão todas as questões", afirmou aos jornalistas em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria.
O governante esclareceu ainda que, neste momento, o foco do seu trabalho estava relacionado com a segurança interna, nomeadamente, no combate aos incêndios - e pediu respeito: "Gostaria que respeitassem o meu trabalho. O foco do meu trabalho neste momento é na esfera da segurança interna. É, sobretudo, apoio e suporte a estruturas que combatem os incêndios, que tenho acompanhado diariamente com os autarcas. Peço o vosso respeito pelo meu trabalho e ação governativa na Administração Interna", acrescentou.
Questionado sobre se havia já alguma data para a conferência de imprensa, o ministro disse que ainda não saberia, mas que "todos terão conhecimento" quando for marcado.
Incêndios: Portugal ajuda França
Ainda quanto ao "foco" com que diz estar agora, Luís Neves sublinhou que Portugal ajudou, ainda ontem, através do Mecanismo Europeu de Proteção Civil, outros países. O ministro falava dos fogos em França, para onde Portugal enviou dois aviões Air Tractor.
Note-se que, devido a este incêndio, as autoridades foram obrigadas a retirar mais de 20.000 pessoas na área da floresta das Landes de Gascogne, perto da bacia de Arcachon, uma região já afetada por fogos violentos no verão de 2022.
E depois, Neves 'voltou' a Portugal, falando das últimas horas: "Tivemos dois grandes incêndios que se podiam ter transformado em enormíssimas catástrofes. O brio de todos os que trabalham nesta esfera debelaram esses grandes incêndios".
Na terça-feira, Luís Neves disse estar a reunir os documentos que considera importantes no âmbito das polémicas que têm sido conhecidas ao longos das últimas semanas, relativas às obras da sua casa em Odemira e do atrelado encontrado em casa do construtor que trabalhou na sua propriedade.
Na sexta-feira passada, a Polícia Judiciária (PJ) anunciou que abriu um inquérito sobre o atrelado apreendido num processo de tráfico de droga que foi encontrado atracado a um camião da empresa Construbarcelos, que fez obras numa propriedade do ministro da Administração Interna.
No mesmo dia, a Procuradoria-geral da República (PGR) confirmou "a existência de um inquérito relacionado com bens apreendidos à ordem do processo designado 'Operação Pacoba'".
A polémica teve início no dia 10 de julho, quando o semanário Nascer do Sol noticiou que o ministro da Administração Interna contratou para remodelar um imóvel que detém em Odemira uma empresa anteriormente responsável por obras na PJ quando Luís Neves era diretor nacional.
Segundo a publicação, entre 2020 e 2025, a empresa Construbarcelos recebeu cerca de 1,9 milhões de euros em contratos públicos, valor confirmado dias depois pelo ministro da Administração Interna, em entrevista à TVI/CNN.
Já na semana passada, a Câmara de Odemira disse que está a verificar a legalidade das obras realizadas no imóvel particular de Luís Neves, na freguesia de São Teotónio.
Em resposta por escrito a questões colocadas pela agência Lusa, o município esclareceu que "não está em curso qualquer processo de licenciamento ou comunicação de obras nos prédios" localizados na freguesia de São Teotónio.
À saída, Luís Neves foi questionado sobre o anúncio do Chega, que, em setembro, vai forçar a constituição de uma Comissão Parlamentar de Inquérito aos mandatos de Luís Neves à frente da Polícia Judiciária (PJ).
Chega avança com CPI e Luís Neves responde: "Ainda bem"
Já depois das declarações sobre a futura conferência de imprensa, o presidente do Chega, André Ventura, anunciou que o seu partido vai forçar a constituição de uma comissão parlamentar de inquérito aos mandatos de Luís Neves à frente da PJ no arranque da próxima sessão legislativa, em setembro.
Questionado sobre este anúncio, Neves respondeu: "Ainda bem. Portanto, conforme já disse anteriormente, estou totalmente disponível para, em todos os fóruns, prestar todos os esclarecimentos. É uma boa altura para se saber e para se conhecer o meu legado à frente da Polícia Judiciária".
O Partido Socialista, por sua vez, disse que aguardava "na próxima semana" o esclarecimento "cabal" do ministro e que "a partir dessa intervenção" de Neves, "o PS não deixará se pronunciar sobre a qualidade da resposta". O líder parlamentar socialista, Eurico Brilhante Dias, disse, no entanto, que o PS não vai embarcar "em momento algum na fragilização da PJ - uma instituição central para o combate ao crime". Depois, deixou um conjunto de questões, entre as quais: "O Chega está a atacar a PJ porque tem algum receio sobre as investigações que ligam alguns financiadores ao Chega e à extrema-direita?"
Luís Neves foi ainda confrontando hoje sobre se colocou o seu lugar à disposição do primeiro-ministro, Luís Montenegro, apontou: "Eu, se sentisse que não tinha condições para estar neste lugar, não estava aqui a desempenhar o meu trabalho".
Já esta sexta-feira, Neves tinha dito que "é com a maior tranquilidade" que é "escrutinado". "É com a maior tranquilidade e até agradeço que aquilo que fiz enquanto servidor público possa ser absolutamente escrutinado. Tenho o maior orgulho, a maior honra naquilo que tenho feito enquanto servidor público e que continuarei a fazer", atirou.
[Notícia atualizada às 14h04]
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