Lula critica Rubio em convenção que sela apoio do PDT - 20/07/2026 - Política - Folha

O presidente Lula (PT) rebateu o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, um dos principais representantes da imposição do tarifaço contra o Brasil, nesta segunda-feira (20). O auxiliar do presidente americano, Donald Trump, acusou a gestão petista de má-fé nas negociações contra taxação.

A fala de Lula ocorreu na convenção nacional do PDT, evento com reiteradas menções à soberania nacional e combate à extrema-direita no Brasil e no mundo. No evento, o partido confirmou o apoio à candidatura de Lula à Presidência da República neste ano e apresentou seus principais pré-candidatos para a disputa.

"Se o secretário de Estado americano Marco Rubio quiser vir apoiar o meu adversário, que monte um comitê e venha, porque vamos derrotar todos em nome da defesa da democracia desse país", declarou.

"Mais uma vez espero que a gente esteja junto na construção da nossa proposta política. Se depender de mim, nós vamos ganhar as eleições no primeiro turno."

Sem menções diretas a Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que deve ser o principal rival de Lula nas urnas, o presidente disse ainda sentir saudades de disputar eleições contra nomes contra Leonel Brizola, fundador do PDT.

"Hoje o que está estabelecido no país é uma coisa de ódio, uma coisa negacionista, uma coisa de pessoas que primam pela mentira, que primam pela inverdade, que primam por tentar difamar nome e figura de pessoas", disse.

Com a presença de pedetistas e nomes do PT, o evento realizado em Brasília também apresentou alguns de seus pré-candidatos a cargos públicos neste ano. Nomes relevantes para a sigla nos estados e que devem ser palanques do petista participaram da convenção, como Requião Filho, pré-candidato ao governo do Paraná, e Juliana Brizola, pré-candidata ao cargo no Rio Grande do Sul.

As falas dos líderes partidários reforçaram mensagens focadas em soberania nacional e defesa de pautas consideradas chaves para a base de Lula. O presidente do PDT, Carlos Lupi, fez menções críticas diretas a Trump ao longo de suas falas no evento.

"Tem que estar claro para a sociedade que o Trump é o grande mal da sociedade moderna", afirmou. "É o que persegue, que faz guerra com interesse financeiro atrás e está fazendo do mundo uma destruição permanente dos princípios democráticos que a humanidade levou anos para conquistar. Lula pode representar a antítese do que Trump representa."

Também em discurso, o presidente do PT, Edinho Silva, afirmou que é o momento de "superar divergências" e combater a extrema-direita.

"Temos que buscar muito mais aquilo que nos une do que nossas divergências", afirmou ele. "Por isso não tem eleição mais importante que essa, porque a vitória de Lula significa sinalizarmos para América Latina que é possível vencer a ultradireita."

Nas últimas duas eleições presidenciais, a sigla lançou Ciro Gomes, hoje no PSDB. Na convenção, o líder do PDT na Câmara, o deputado André Figueiredo (CE), criticou comentários que afirmavam que o partido "morreu" após a saída de Ciro. "Morreu nada. Voltamos a ser quem éramos", declarou.

O PDT foi um dos partidos da base de Lula atingidos nas investigações da Polícia Federal acerca dos desvios em benefícios do INSS. Carlos Lupi, então ministro da Previdência, foi afastado do cargo após indícios mostrarem omissão de sua parte frente à revelação das irregularidades.

O caso representou uma das principais crises do terceiro mandato de Lula, que na época, também mudou o comando do INSS. Lupi retornou à presidência do PDT após deixar o governo.

O senador Weverton Rocha (PDT-MA), um dos pré-candidatos à reeleição pela sigla, foi apontado como suposto sócio oculto e beneficiário final da organização criminosa comandada por Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.

"Quando o PDT toma decisão política e estratégica de apoiar a reeleição de Lula, não é posição de abrir mão de seus projetos e da construção de ser protagonista de uma bandeira para o Brasil. Isso nós teremos em um momento, e sonharemos em ver o PT apoiando esse projeto", declarou em discurso nesta segunda.

No jingle do partido e nos discursos desta segunda-feira, os representantes reforçaram mensagens mais alinhadas ao governo Lula, como a defesa do fim da escala 6x1, soberania nacional e recados contrários a Donald Trump e à extrema direita. Também criticaram penduricalhos do Judiciário.

Os ministros do governo filiados ao partido Waldez Góes (Desenvolvimento Regional) e Wolney Queiroz (Previdência) participaram do evento após às 18h, horário em que é permitido que os ocupantes de cargos públicos podem comparecer a eventos de partidos.

Ex-ministro de Lula, Celso Sabino também esteve no evento, enquanto pré-candidato ao Senado pelo Pará. Sabino era filiado ao União Brasil e foi demitido do governo em 2025 após Lula romper com a sigla, depois de uma série de conflitos com o presidente do partido, Antônio Rueda.

Como mostrou a Folha, o governo endureceu a cobrança aos ministros quanto às regras previstas pelo chamado defeso eleitoral neste ano. Lideranças do partido que discursaram deram destaque ao fato durante as falas, reforçando a chegada dos ministros após o horário permitido.

As candidaturas estaduais precisam ser formalizadas até o dia 5 de agosto. Caso não haja consenso, a palavra final será das siglas conforme previsto em seus estatutos, o que pode variar entre disputa na convenção ou decisão do diretório nacional.

Até então, já estavam encaminhadas as candidaturas do partido no Rio Grande do Sul, com Juliana Brizola para o governo do estado, com o apoio do PT, além da possibilidade de Alexandre Kalil para governador em Minas Gerais. Os pleitos estaduais ainda devem ser definidos nas convenções de cada estado.

Veja pré-candidatos do PDT

Senado:

  • Weverton Rocha – Maranhão (reeleição)
  • Leila do Vôlei – Distrito Federal (reeleição)
  • Acir Gurgacz – Rondônia
  • Marília Arraes – Pernambuco
  • Celso Sabino — Pará
  • Edvaldo Nogueira — Sergipe

Governo estadual

  • Juliana Brizola - Rio Grande do Sul
  • Requião Filho — Paraná

Câmara:

  • Roberto Requião – Paraná
  • Felix Mendonça – Bahia
  • Martha Rocha – Rio de Janeiro
  • André Figueiredo — Ceará
  • Dorinaldo Malafaia — Amapá