Os trabalhos do 17.º Congresso do Livre ficaram esta tarde marcados por divergências sobre o funcionamento da rede de autarcas do partido, além de apelos para uma maior autonomia dos núcleos territoriais.
Depois de uma manhã marcada pelos discursos de Rui Tavares, e dos candidatos à direção do Livre Isabel Mendes Lopes e Jorge Pinto, a discussão das moções de caráter específico decorreram ao longo de três horas, num ambiente morno, sem grandes divergências, até à intervenção de Martim Freitas.
O membro do partido subiu ao púlpito para apelar ao voto contra duas moções: uma que propõe a criação da “Rede GEI — Género, Emancipação, Interseccionalidade” no partido, e outra de uma Linha de Contacto, Acolhimento e Solidariedade Ativa do Livre, intitulada CASA, para apoiar pessoas que sejam alvo de discurso de ódio.
Martim Freitas alertou que o partido cria estruturas e depois não lhes dá continuidade, dando como exemplo a rede de autarcas, criada em outubro “mas que ainda não está a funcionar”, avisando: “Não chega plantar a semente”.
Esta intervenção levou a que quatro dirigentes do núcleo duro do partido pedissem a palavra.
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Safaa Dib foi a primeira a classificar esta crítica como “injusta e descabelada”, admitindo que a rede ainda não está a funcionar em pleno mas “ainda está a dar os primeiros passos”.
A dirigente Joana Alves Pereira, autarca em Lisboa, subiu ainda mais o tom: “É preciso ter muito cuidado quando se abre a boca para falar, não é só vim aqui mandar umas bocas”.
O deputado Paulo Muacho defendeu que o Livre “está a crescer e precisa de responder aos problemas” que encontra.
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Defendendo que é preciso “melhorar o que está mal”, o parlamentar apelou a um trabalho conjunto: “Não é uns fazerem e outros ficarem a criticar”.
Também o dirigente Tomás Cardoso Pereira, que substituiu Isabel Mendes Lopes no Parlamento durante um mês, sustentou que a rede de autarcas “precisa de uma dinamização maior, mas para construir este projeto não vale só ficar no protesto”.
O chefe de gabinete do Livre na Assembleia da República assinalou que “construir coisas demora tempo, dá trabalho, e é preciso empenho”.
“Enquanto autarca, conto contigo Martim”, apelou.
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ARL/FM // SF