Kevin Keegan, ícone do futebol inglês, morre aos 75 anos

Jogador de futebol com cabelo escuro e camisa vermelha do Liverpool, segurando uma bola branca, em campo com torcida ao fundo
Kevin Keegan, quando estava no Liverpool, antes de partida contra Nottingham Forest, em 14 de agosto de 1971, em Anfield - (Liverpool FC/Getty Images)

Continua após publicidade

Kevin Keegan, carinhosamente conhecido como “King Kev” ou “Mighty Mouse”, morreu nesta segunda, 20, aos 75 anos, vítima de um câncer em estágio 4 revelado no início do ano. Ele estava cercado pela esposa, Jean, e pelas filhas. Mais do que um ex-jogador e treinador de sucesso, Keegan foi a personificação da paixão e do carisma no esporte, deixando uma legião de fãs enlutados ao redor do mundo.

Nascido em 1951 na cidade de Armthorpe, filho de um mineiro, Keegan começou sua jornada profissional no Scunthorpe United antes de ser descoberto pelo lendário Bill Shankly, que o levou ao Liverpool em 1971. Em Anfield, transformou-se em um superastro nacional. Ao lado de John Toshack, formou uma parceria letal e disputou 323 partidas, com exatos 100 gols marcados pela camisa vermelha. Durante suas seis temporadas no clube, foi o grande motor da equipe, conquistando três títulos do Campeonato Inglês, duas Copas da Uefa, uma FA Cup e a tão sonhada Copa dos Campeões da Europa em 1977 — conquista que coincidiu com sua despedida do clube.

Em busca de novos desafios, o atacante transferiu-se para o Hamburgo, da Alemanha, em uma negociação recorde para a época. Lá, destemido e incansável, atingiu o ápice de sua carreira, vencendo a Bola de Ouro por dois anos consecutivos (1978 e 1979). Com habilidade, dribles e uma impulsão surpreendente para sua baixa estatura, ajudou o clube alemão a conquistar a Bundesliga e a chegar a uma final europeia. De volta à Inglaterra, brilhou pelo Southampton e encerrou a carreira de jogador no Newcastle, em 1984.

Pela seleção inglesa, foi um verdadeiro pilar: acumulou 63 convocações, 21 gols e vestiu a braçadeira de capitão em 31 ocasiões.

Homem de cabelos grisalhos, terno escuro e gravata preta, sorri para a câmera em um estádio de futebol lotado. Ele ajusta o punho da camisa. Ao fundo, outro homem de casaco comprido cumprimenta um torcedor sentado.
RESILIÊNCIA – Kevin Keegan: reagindo bem ao tratamento – (Liverpool FC/Getty Images)

Continua após a publicidade

A carreira de treinador

Fora das quatro linhas, Keegan também deixou uma marca como técnico. Assumiu o Newcastle em 1992, salvou o clube do rebaixamento e o levou à elite com um futebol ofensivo e empolgante que encantou o país. Sua equipe quase conquistou a Premier League na temporada 1995-96 — corrida ao título eternizada por seu famoso e passional desabafo na televisão (“I will love it”), em resposta aos jogos mentais de Sir Alex Ferguson. Depois, comandou o Fulham, o Manchester City e a seleção da Inglaterra entre 1999 e 2000, período em que lidou com a imensa pressão do cargo.

Kevin Keegan nunca foi apenas sobre números ou troféus; ele representava a conexão visceral com os torcedores e a alma das arquibancadas. Sua paixão ardente pelo jogo moldou gerações de fãs e eternizou seu nome na história, deixando um legado que o futebol jamais esquecerá.

Publicidade