Jorge Pinto diz que o Livre é "o futuro da Esquerda"

Jorge Pinto e Isabel Mendes Lopes, que lideram uma das listas candidatas ao Grupo de Contacto, apresentaram hoje, perante o 17.º Congresso do Livre, a sua visão para o futuro do partido.

O dirigente considerou que o Livre é "o principal partido de esquerda à esquerda do PS": "É graças a cada uma e a cada um de vocês que provou que o Livre é o partido que Portugal precisa, que o Livre é o futuro da esquerda, quer queiram, quer não queiram", defendeu, dizendo que o partido "veio para ficar".

No seu primeiro discurso perante o congresso, o candidato à liderança acusou o PS de "passar cheques em braço" ao Governo e de pré-aprovar orçamentos de Estado "independentemente do que lá está". 

"Não é esta a nossa política, não é esta a maneira de nós vermos a política. Uma esquerda que esteja na oposição tem de ser uma esquerda muito mais forte, muito mais ágil e muito mais clara em relação àquilo que defende. E connosco vos garanto, amigas e amigos, não haverá nunca nenhum cheque em branco, seja a quem seja", assegurou.

Jorge Pinto criticou igualmente o Governo PSD/CDS, afirmando que é um executivo "minoritário que age como se tivesse maioria absoluta e que de cada vez que apresenta uma proposta, ela piora a vida dos portugueses".

O deputado acusou ainda o Governo, e nomeadamente o ministro da Educação, de "fugir com o rabo à seringa" na questão dos exames nacionais.

O candidato a porta-voz disse ainda que "o Livre sempre foi muitas caras" e antecipou que "é mesmo inevitável que vai chegar ao poder", tanto à escala nacionais, como à escala local, estabelecendo como objetivo eleger mais vereadores e deputados municipais.

Sobre a organização interna do partido, Jorge Pinto salientou uma das novidades que a sua lista quer trazer é introduzir a figura do secretário-geral, que "fará toda a gestão operacional, a coordenação de equipa, no fundo que irá atar estas pontas soltas".

Jorge Pinto indicou ainda que quer que o Livre "seja muito mais do que um partido clássico", e não "um partido cinzentão e aborrecido", dizendo que desses "já há muitos".

O candidato a porta-voz dirigiu-se depois à primeira candidata da lista, considerando que Isabel Mendes Lopes "tem uma maneira de fazer política, uma maneira de estar na política que mais ninguém em Portugal tem" e mostrou-se convicto de que "ela vai ser futura ministra".

Pela mesma lista, a atual porta-voz e recandidata, traçou como objetivo fazer o Livre crescer e recuperar "os desiludidos e os zangados" e defendeu que "está aqui a refundação da esquerda".

"Está aqui a refundação da esquerda, da esquerda que quer crescer e quer crescer mais para ter o poder de mudar as coisas, da esquerda que não tem medo de dizer que quer ser governo, quer ser governo nas freguesias, nas câmaras municipais, nas regiões autónomas e no Governo da República, porque é no poder executivo que nós mudamos mais diretamente a vida das pessoas e o rumo do país", afirmou Isabel Mendes Lopes.

A líder parlamentar deixou um aviso: "Nestes próximos dois anos não podemos correr o risco de nos fecharmos nos processos do Livre e por isso temos de crescer por dentro, com cada e cada uma de vós, e de crescer para fora". 

Também Mendes Lopes defendeu que o partido "tornou-se incontornável" na política portuguesa, como quinta maior força no Parlamento, mas considerou que "isto não basta".

"Não nos podemos dar por satisfeitos, sobretudo nesta altura em que temos um país virado para a direita, mas que não é uma direita qualquer", advertiu.

Focando-se nos problemas do país, a deputada defendeu que "uma política de habitação é a que permite que as pessoas mantenham a sua casa, não é a que incentiva os despejos".

A dirigente indicou que o partido vai insistir na sua proposta "3C - Casa, Conforto e Clima" e na semana de quatro dias.

O 17.º Congresso do Livre decorre entre hoje e domingo no Hockey Club de Sintra, Lisboa.

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