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"Guerra Traduzida" para acompanhar o conflito no Irão. Passamos agora em revista os destaques da imprensa do Médio Oriente e também dos Estados Unidos. A edição de hoje é com o jornalista Carlos Pedro. Carlos, o fim de semana marcou um novo escalar do conflito no Médio Oriente, com mais ataques entre Estados Unidos e Irão. O que se sabe?
Sabemos que o Irão fechou por tempo indeterminado o estreito de Ormuz, depois de ter visto embarcações a tentar navegar por uma rota não autorizada pelos iranianos. Os norte-americanos responderam com uma vaga de ataques durante esta última madrugada. Washington também atacou em força Teerão. O Irão, por sua vez, respondeu. A Guarda Revolucionária Iraniana atacou várias bases militares dos Estados Unidos na região do Golfo, bases no Bahrein, sistemas de radar em Omã e ainda ataques contra a Jordânia e o Kuwait, foram os alvos mais recentes do exército iraniano. Teerão justifica esta escalada como uma resposta aos ataques norte-americanos.
E o Irão que prometeu ontem respostas ainda mais devastadoras, caso persistam estes ataques inimigos.
Sim, neste caso, ataques dos Estados Unidos e de Israel. O Irão promete ataques ainda mais destrutivos e promete também que não vai reabrir o estreito de Ormuz, caso os Estados Unidos continuem no Golfo Pérsico. Pete Hegseth, o secretário de defesa de Donald Trump, diz que o Irão fez uma má escolha ao atacar os Estados Unidos.
E quanto aos ataques norte-americanos, atingiram que partes do Irão, Carlos?
Foram atingidos ontem mais de 100 alvos militares do Irão. Nesta madrugada os números baixaram, mas ainda assim, o Comando Central do Exército Norte-Americano confirma ataques a dezenas de alvos, incluindo no sul do país. De acordo com o Comando Central Norte-Americano, foram utilizados pela primeira vez nestes ataques em simultâneo caças, navios, drones aéreos e drones navais. Nestes ataques norte-americanos, o Irão reporta para já a morte de uma pessoa em Mashhad.
Vamos aos impactos, Carlos. Sem grande novidade, estes ataques já se notam nos mercados energéticos.
Sim, o número de embarcações que transitam pelo estreito de Ormuz caiu para o nível mais baixo em cinco semanas, relata a Al Jazeera. Seis navios atravessaram o estreito no dia de ontem, de acordo com dados da empresa de inteligência comercial Kepler, transportando dois milhões de barris de petróleo iraniano e 500 mil barris de produtos petrolíferos. Quanto aos preços do petróleo, voltaram a subir. O petróleo Brent subiu de $70 por barril para $78 por barril. Em Portugal, esta manhã as gasolinadas abriram com o aumento do preço dos combustíveis, cerca de €0,7 o gasóleo e cerca de €0,3 a gasolina.
Entretanto, Carlos, o Irão continua a ter como principal prioridade vingar a morte do antigo líder supremo, Ali Khamenei.
É o que diz o portal Iran International, que cita as mais recentes declarações do Ministro dos Negócios Estrangeiros deste país islâmico. Esmail Baghaei diz que o Irão procura justiça e vingança de sangue. Diz, aliás, que este é um dever claro do Executivo iraniano. E quanto ao cumprimento das normas do memorando de entendimento, não serão cumpridas, enquanto os Estados Unidos não cumprirem também as suas, diz o Irão. É o que diz o chefe da diplomacia iraniana, que acusa os norte-americanos de violarem diversas cláusulas do acordo, antes sequer de se completar um mês desde a assinatura. Entretanto, o mesmo responsável garante que Qatar, Omã e Paquistão continuam os esforços de mediação para resolver este conflito.
Nos Estados Unidos, o Washington Post publica um exclusivo com uma entrevista aos sobreviventes do ataque iraniano que matou seis soldados americanos. Ora, quem sobreviveu diz que os generais norte-americanos ignoraram os avisos.
Sim, o ataque com drones ao porto de Shuwaiba, no Kuwait, ocorreu no segundo dia da guerra, a 1 de março. Um drone atingiu o centro do prédio em porto Shuwaiba e a forte explosão provocou a morte a seis militares. Um dos sobreviventes relata que segundos após o drone atingir o centro de operação de uma unidade no Kuwait, um responsável gritou para que todos os presentes abandonassem o local, isto enquanto permaneciam dentro da estrutura atacada, noutros espaços, outros militares. A decisão terá deixado vários elementos do exército norte-americano ressentido com o comandante. Esta é uma reportagem em destaque no Washington Post, com base em 17 entrevistas. O mesmo artigo conta que em Shuwaiba não havia coberturas para amortecer ataques ou ocultar as tropas da vigilância aérea, um erro de preparação que contraria todas as diretrizes do exército norte-americano.
Ponto final neste episódio da "Guerra Traduzida" do Irão. Hoje foi com o jornalista Carlos Pedro.