Grande Angular
Associação brasileira da indústria química pede a Trump exclusão das tarifas e diz que a medida abrirá espaço para a China
13/07/2026 12:50

A Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) enviou uma carta ao governo de Donald Trump pedindo que produtos químicos e petroquímicos brasileiros sejam retirados do tarifaço anunciado pelos EUA. A entidade afirma que a medida não fortalecerá a indústria americana e acabará abrindo espaço para fornecedores da China e de outros países asiáticos.
No texto enviado ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), a Abiquim sustenta que as tarifas produzirão o efeito contrário ao pretendido pelos Estados Unidos.
“Para 91,8% dos produtos brasileiros que atualmente não estão isentos da ação da Seção 301, a China já é um fornecedor ativo para o mercado americano”, afirma a associação. Segundo a entidade, as empresas americanas tendem a substituir fornecedores brasileiros por concorrentes chineses, e não por fabricantes dos próprios EUA
A Abiquim também argumenta que as tarifas atingiriam um setor em que os EUA já registram amplo superávit comercial. Segundo a associação, as exportações americanas de produtos químicos para o Brasil somaram US$ 11,5 bilhões em 2025, enquanto as vendas brasileiras aos EUA alcançaram US$ 2,1 bilhões, resultando em um saldo positivo de cerca de US$ 9,4 bilhões para os americanos.
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A associação afirma ainda que as tarifas afetariam empresas americanas com operações no Brasil. Entre os exemplos citados estão Dow, ExxonMobil Chemical e LyondellBasell. Para a Abiquim, a medida elevaria custos, interromperia cadeias de suprimentos integradas e reduziria a competitividade dessas companhias.
A Abiquim reúne 151 empresas e representa um setor responsável por cerca de 11% do PIB industrial brasileiro. Segundo a associação, a indústria química brasileira ocupa a sexta posição mundial em faturamento e registrou receita líquida de aproximadamente US$ 167,8 bilhões em 2025.