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As equipas que combatem o incêndio florestal em Los Gallardos, na província de Almería, em Espanha, passaram de uma estratégia defensiva para uma fase de ataque às chamas, aproveitando a redução da intensidade do vento, diz o El País.
O incêndio já consumiu cerca de 6.600 hectares. O conselheiro da Presidência, Saúde e Emergências da Junta da Andaluzia, Antonio Sanz, explicou que o vento muito fraco e uma humidade relativa na ordem dos 50% criaram, pela primeira vez desde o início das chamas, uma oportunidade para intensificar o combate direto ao fogo.
Também o ministro da Presidência e da Justiça de Espanha, Félix Bolaños, que se deslocou ao local, destacou a coordenação entre as diferentes administrações envolvidas na operação e considerou que as atuais condições permitem atuar em setores do incêndio que até agora eram demasiado perigosos.
O balanço oficial mantém-se nas 12 vítimas mortais confirmadas, uma vez que as buscas realizadas pela Guarda Civil não localizaram novos corpos. Paralelamente, continuam 23 pessoas "por localizar", expressão utilizada pelas autoridades andaluzas em vez de "desaparecidos", uma vez que alguns dos alertas recebidos dizem respeito a pessoas que já não mantinham contacto há vários anos com quem reportou o seu eventual desaparecimento.
Segundo Antonio Sanz e Félix Bolaños, foram apresentadas sete denúncias formais de desaparecimento junto da Guarda Civil, número que não coincide com o total de vítimas mortais confirmadas.
As pessoas que tiveram de abandonar as suas casas devido ao incêndio já foram realojadas em unidades hoteleiras, depois de terem permanecido durante dois dias em abrigos e instalações desportivas preparadas para as acolher.
Entretanto, as amostras biológicas recolhidas às 12 vítimas mortais foram transportadas para Madrid, onde especialistas do Serviço de Criminalística da Guarda Civil irão proceder às análises genéticas necessárias para a respetiva identificação. Em simultâneo, a polícia judiciária espanhola recolheu amostras de ADN de familiares deslocados à região para permitir a comparação com os perfis genéticos obtidos.
No terreno encontram-se 539 elementos das forças estatais, incluindo 220 militares da Unidade Militar de Emergências (UME) e 245 militares da Guarda Civil.
Segundo as autoridades, uma das hipóteses para explicar a morte das 12 vítimas é precisamente o incumprimento das recomendações dadas durante a noite de quinta-feira. Apesar da indicação para permanecerem nas habitações, um grupo de nove pessoas tentou fugir por um caminho agrícola sem saída, enquanto outras quatro procuraram escapar de automóvel por uma ribeira que acabou por se transformar numa armadilha.
A Guarda Civil deteve ainda duas pessoas por alegadamente desobedecerem às ordens de evacuação. De acordo com o porta-voz da corporação em Almería, os detidos regressaram a uma zona considerada de elevado risco e ofereceram resistência às autoridades durante a operação.
Apesar da evolução favorável, o incêndio continua ativo. O flanco sudoeste, o mais próximo da localidade de Los Gallardos, mantém várias frentes de fogo. Dois helicópteros e vários aviões continuam envolvidos nas operações de combate às chamas, enquanto outras 22 aeronaves do Serviço de Prevenção e Extinção de Incêndios Florestais permanecem prontas para intervir caso seja necessário.
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