DF avalia aumentar salários para atrair médicos para rede pública | G1

Governo do DF estuda aumentar remuneração de médicos para estimular preenchimento de vagas

Segundo Juracy Lacerda, governo pretende contratar mais de 500 profissionais e já recorre à contratação por pessoa jurídica para reduzir déficit na rede pública.


  • O secretário de Saúde, Juracy Cavalcante, afirmou nesta quinta-feira (16) que o DF estuda aumentar o salário de médicos para combater o déficit de servidores na rede pública.

  • Segundo ele, concursos recentes não preencheram as vagas disponíveis. Um processo temporário para 114 médicos atraiu apenas 34 profissionais, levando o governo a contratar por meio de PJ.

  • A coletiva ocorreu após a repercussão de mortes de pacientes em hospitais do DF. O g1 e a TV Globo registraram 6 óbitos por suposta negligência em menos de 1 mês.

Secretário de Saúde do Distrito Federal, Juracy Cavalcante, em coletiva de imprensa. — Foto: TV Globo/Reprodução

O secretário de Saúde do Distrito Federal, Juracy Cavalcante, afirmou nesta quinta-feira (16) que o governo estuda melhorar a remuneração dos médicos da rede pública para atrair profissionais e enfrentar o déficit de servidores.

Segundo Juracy, o desafio não está apenas na abertura de novas vagas, mas na dificuldade de atrair profissionais para a rede pública.

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Apenas 34 profissionais assumiram os cargos.

De acordo com o secretário, a dificuldade também ocorre no processo de contratação de mais de 500 médicos anunciado pelo governo.

"Nós temos buscado alternativas pra contratação de médicos. Pra vocês terem ideia, no nosso concurso de ginecologia obstetrícia, nós chamamos todo o cadastro de reserva e não tivemos nenhum profissional pra assumir. Nós sabemos que tem uma oportunidade de melhoria na questão da remuneração médica e isso o governo está estudando justamente para a gente ser mais atrativo", afirmou.

Contratação por pessoa jurídica

Enquanto tenta ampliar o quadro de profissionais, a Secretaria de Saúde passou a contratar médicos por meio de pessoa jurídica (PJ) em algumas especialidades.

Segundo Juracy, o modelo já é utilizado para a contratação de pediatras, anestesiologistas e neonatologistas. Ele afirma que a medida ajudou a reduzir parte da deficiência nas escalas de atendimento.

"Nós esperamos, com a contratação desses demais profissionais, justamente trazer esse ambiente. Nós sabemos que um ambiente que não tem o quantitativo de médicos necessário gera uma sobrecarga tanto para a unidade quanto para os profissionais", disse.

Denúncias de negligência

Em menos de um mês, o g1 e a TV Globo registraram seis casos de mortes por possível negligência na rede pública do DF.

Quatro deles envolveram a morte de bebês ou de mães – três, relacionados ao momento do parto (veja detalhes abaixo).

Mãe perde bebê após idas e vindas em hospital público do DF

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  1. Vilmar Pereira da Silva, de 49 anos, morreu sem receber atendimento na UPA do Recanto das Emas, em 20 de junho;
  2. Luciana Ferreira, de 34 anos, perdeu a primeira filha no parto após idas e vindas do hospital, em 29 de junho;
  3. Maria Vitória, de 5 meses, morreu depois de ser extubada de forma acidental na transferência entre o Hospital de Planaltina e o Hospital da Criança de Brasília, em 6 de julho;
  4. Maria Graciana Andrade Alves, de 36 anos, morreu durante o parto no Hospital de Samambaia, na sexta (10);
  5. Rodrigo Resende Prado, de 46 anos, morreu na calçada da porta do Hospital de Base, em Brasília, no domingo (12);
  6. Maria Aparecida Galdino dos Santos, de 25 anos, morreu durante o parto no Hospital Regional de Samambaia, na segunda (13);

Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que está em contato com a Secretaria de Saúde do DF para acompanhar a apuração e apoiar na análise técnica.

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