O proprietário de um restaurante na Coreia do Sul distinguido com duas estrelas Michelin arrisca uma pena de um ano de prisão após ter incluído formigas na ementa. Em causa está o recurso a este inseto – excluído da lista de espécies cujo consumo está aprovado - como decoração numa sobremesa.
Gafanhotos, gafanhotos-migratórios e grilos-de-duas-manchas. Estes são alguns dos insetos que a cozinha do restaurante sul-coreano agora a contas com a justiça poderia ter polvilhado sobre o sorvete da polémica. A escolha recaiu, todavia, em formigas - o que, na perspetiva dos procuradores sul-coreanos encarregados do caso, deve ditar um ano de prisão para o proprietário.
A acusação do processo contra o restaurante, que não foi publicamente identificado, pede ainda a aplicação de uma coima de 20 milhões de wons, o equivalente a 11,8 mil euros. A sentença deve ser proferida no início de setembro.São dez os restaurantes na Coreia do Sul distinguidos com duas estrelas Michelin. Localizam-se em Seul.
O proprietário do restaurante admite ter utilizado formigas, mas argumenta que se tratou de uma “pequena parte” de uma ementa de 15 pratos. Afirma também que os clientes podiam optar por coberturas sem insetos. Ainda segundo o dono do estabelecimento, só 60 por cento dos clientes quiseram prová-los.
O jornal sul-coreano The Chosun Daily noticiou que as autoridades sanitárias detetaram, no restaurante premiado, formigas que “continham até 55 vezes mais metais pesados do que insetos comestíveis comuns”.A investigação foi espoletada depois de as autoridades sanitárias terem encontrado avaliações online do restaurante com fotografias de formigas em pratos.
Em quatro anos, o restaurante sul-coreano terá utilizado, em diferentes pratos, perto de 49 mil formigas importadas da Tailândia e dos Estados Unidos.
O consumo de formigas na culinária é comum em vários países asiáticos, africanos e latino-americanos. No Camboja e na Tailândia, por exemplo, são consideradas iguarias as formigas-tecelãs e os respetivos ovos.
Em Portugal, é permitida a comercialização de espécies de insetos como o grilo-doméstico e larvas de besouro, usadas em produtos como barras energéticas, chocolates e massas. A regulação do sector cabe à Direção-Geral da Alimentação e Veterinária.