Força muscular reduz risco de mortalidade de idosas em até 33%, aponta estudo

Grupo Abril

Mulher idosa de cabelos brancos e sorriso gentil, vestindo camiseta azul, levantando halteres verdes em cada mão, em fundo branco

Força muscular reduz risco de mortalidade de idosas em até 33%, aponta estudo | (Magnific/Magnific)

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Um amplo estudo publicado, em fevereiro deste ano, pela revista científica JAMA (Journal of the American Medical Association) revelou que ter mais força muscular diminui significativamente a mortalidade por todas as causas em mulheres.

O estudo acompanhou mais de 5 mil idosas, entre 63 e 99 anos, por cerca de oito anos e demonstrou que aquelas com melhor desempenho em testes de força de preensão manual e menor tempo de levantamento da cadeira apresentaram um risco de morte até 33% menor.

“O envelhecimento populacional nos obriga a focar na qualidade dos anos que queremos viver daqui para a frente. A capacidade de nos mantermos ativos está diretamente ligada à saúde cardiovascular, e a preservação da força muscular é uma das principais ferramentas para manter a autonomia, a independência e a qualidade de vida na velhice”, comenta o Dr. Breno Giestal, cardiologista do Alta Diagnósticos, da Dasa, no Rio de Janeiro.

No contexto brasileiro, o Censo Demográfico do IBGE de 2022 apontou um crescimento acelerado da população idosa, totalizando 10,9% do total de habitantes do país, o que demanda novas estratégias voltadas para o envelhecimento saudável.

Músculos protetores da saúde

A pesquisa acompanhou de perto uma amostra diversa de 5.472 mulheres com idade média de 78 anos. Para garantir a precisão dos dados, todas usaram um acelerômetro – aparelho que mede o movimento corporal – por sete dias seguidos, o que permitiu registrar exatamente quanto tempo passavam sentadas e quanta atividade física praticavam.

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O resultado surpreendeu: o efeito protetor da força muscular na longevidade foi evidente, mesmo quando os cientistas isolaram fatores que poderiam mascarar o resultado, como o nível diário de sedentarismo, a velocidade da caminhada e até os índices de inflamação no organismo.

Breno Giestal explica como massa e função muscular atuam como um marcador sistêmico de vitalidade e proteção cardiovascular:

“A força muscular é atualmente reconhecida como um importante indicador de saúde e longevidade. Pessoas que a preservam ao longo dos anos costumam apresentar melhor capacidade funcional, maior independência e menor risco de desenvolver complicações associadas ao envelhecimento. Por isso, ela não deve ser vista apenas como uma questão de mobilidade, mas como um reflexo da saúde do organismo como um todo. Quando ocorre uma perda acelerada de massa e força, observamos um aumento da fragilidade e do risco de doenças, hospitalizações e perda da autonomia.”

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Na prática, o médico afirma que os músculos funcionam como um verdadeiro órgão endócrino e metabólico.

“Quando realizamos atividades físicas, especialmente exercícios de fortalecimento muscular, o organismo libera substâncias que ajudam a regular o metabolismo, melhorar o controle da glicose e reduzir processos inflamatórios relacionados com o envelhecimento e as doenças cardiovasculares. Esses mecanismos ajudam a explicar por que pessoas com melhor condição física costumam apresentar mais saúde, maior independência e menor risco de mortalidade ao longo da vida.”

Sob o ponto de vista do diagnóstico e do monitoramento da composição corporal, a perda de massa e da qualidade muscular está muito ligada à fragilidade esquelética.

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A Dra. Laura Mendonça, reumatologista e desintometrista óssea da Clínica CDPI, também da Dasa, explica que a perda mineral óssea e a sarcopenia, que é a perda de massa e força muscular, formam uma via de mão dupla perigosa na terceira idade.

A especialista ressalta que os ossos fortes dependem do estímulo mecânico promovido por músculos fortes. Segundo ela, o estudo valida a importância de avaliar as idosas além do padrão da composição mineral óssea, pois a independência funcional e a prevenção de quedas e fraturas graves estão ancoradas também na resistência muscular.

“Ferramentas como a densitometria óssea avançada hoje permitem analisar, além da osteoporose, a composição corporal completa (massa muscular, gordura subcutânea e visceral), auxiliando os médicos numa conduta preventiva e terapêutica, com a recomendação de atividades físicas resistidas e aeróbicas”, finaliza a médica.

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