Flamengo: agentes vão à CBF após suspensão de pagamentos | Ge

O manifesto cita como exemplo o atraso em pagamentos de comissões: "A gravidade do episódio se acentua pelo fato de o Flamengo ser, reconhecidamente, o clube em melhor situação financeira do futebol brasileiro", justifica a carta assinada pelo presidente da Abaf, Jorge Moraes, à qual o ge teve acesso. 41 agentes assinam o documento.

Bap, presidente do Flamengo, durante reunião do Conselho Deliberativo — Foto: Mariana Sá/CRF

O movimento não é novo, porque os empresários já se mobilizam para serem incluídos no "rol de credores legitimados a reportar inadimplementos" à Anresf, nome da agência reguladora. A Abaf reforçou o pedido devido a alegada "reorganização financeira" do Flamengo.

No cenário atual, se qualquer clube não pagar uma dívida com algum empresário, ele pode cobrar na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) da CBF ou na Justiça Comum. Caso a Abaf entre para o fair play, os agentes poderão cobrar através da Anresf, com isso os clubes inadimplentes correm risco de sofrer punições esportivas.

O departamento de negociação e contrato do Flamengo enviou série de e-mails aos empresários nos últimos dias. Em mensagem, o clube alega que "identificou-se a necessidade de renegociar e reprogramar determinados pagamentos relacionados às comissões pactuadas até o final de 2026". O clube tem por prática pagar 7% da transação como comissão.

Em outra mensagem à qual o ge teve acesso, o Flamengo explicou que "os pagamentos pendentes de 2026 serão postergados para 2027", sem informar o novo cronograma de pagamentos.

As finanças do Flamengo — Foto: Infoesporte

A reportagem do ge procurou o Flamengo, e o clube reforçou seu posicionamento através da declaração do presidente Luiz Eduardo Baptista em entrevista ao canal "Vene Casagrande", no YouTube, na semana passada, quando Bap confirmou as renegociações e explicou o ponto de vista da diretoria:

– É possível (renegociação) porque em alguns casos a gente entende que as condições não eram necessariamente adequadas. A vantagem é o seguinte: como o Flamengo paga, tem credibilidade na praça. Pergunta para esse empresário se ele está recebendo de todo mundo em dia? Ou se ele está recebendo? Ele sabe que não. Quem não está satisfeito, não faz negócio com o Flamengo. Pode fazer negócio com os outros clubes, não tem problema. Agora, alguns contratos, alguns negócios que foram feitos com o Flamengo, algumas condições que o Flamengo aceitou contratualmente e não nos parecem razoáveis, nós temos, sim, buscado renegociar. Faz parte, é do jogo – comentou.

Não é a primeira vez

Bap assumiu cargo de Rodolfo Landim no final de 2024 — Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

Demanda recorrente

A Abaf solicita a inclusão no fair play desde o início de julho. Enviou cartas à agência no dia 1º e no dia 3, na segunda delas com relato da situação no Flamengo. "A presente reiteração ganha caráter de urgência em razão de fato concreto levado ao conhecimento desta Associação: o Clube de Regatas do Flamengo, por meio de comunicação eletrônica subscrita por sua Diretoria de Negociação e Contratos, informou de forma unilateral a 'renegociação e reprogramação' de comissões contratualmente pactuadas até o final de 2026", cita trecho da carta.

Reunião da Associação Brasileira de Agentes de Futebol (Abaf) — Foto: Divulgação / Abaf

"Se mesmo a agremiação mais solvente do país recorre a reorganizações internas para suspender unilateralmente o cumprimento das obrigações já pactuadas com agentes, o risco sistêmico para os demais clubes, inclusive aqueles em situação financeira mais crítica, é consideravelmente maior", argumenta a Abaf.

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