França e Espanha
O alto nível de dominância que a Espanha demonstrou surpreendeu a todos, uma vez que a França vinha mostrando campanha equilibrada até aquele momento no mundial, o que lhe garantia certo favoritismo para a conquista do título. A aplicação tática demonstrada pela equipe de Luis de la Fuente, impediu que a França mostrasse o estilo híbrido e positivo, que utiliza a verticalidade e o controle de jogo como principais características.
O placar de 2 a 0 não replica em números o cenário da partida, pois o que a Seleção da Espanha produziu poderia mostrar um placar bem mais dilatado.
Espanha, foi impositiva nas duas etapas do jogo, utilizando seu estilo de posse de bola, que tornou a França um adversário extremamente acuado e fácil de ser neutralizado, mesmo sendo altamente experiente em grandes decisões.
Os espanhóis não foram somente efetivos na criação de oportunidades, mas também foram aplicados defensivamente. Em vários momentos foram verticais e letais pela lateral do ataque, com Lamine Yamal fazendo uma partida a ser destacada. Os meios-campistas Rodri e Dani Olmo desfilaram qualidade técnica e contribuíram muito para essa atuação quase perfeita coletivamente da Espanha.
Outro jogador que gostaria de destacar é o lateral Cucurella, recém contratado pelo Real Madrid, que fez partida primorosa, funcionando como meia por dentro ou dando efetividade ao esquema de controle de jogo, quando os espanhóis tinham a posse de bola. Também teve papel impressionante defensivamente, conseguindo anular a participação de Ousmane Dembélé, que tentava dar a verticalidade ao sistema da França.
O meio-campista francês Olise não estava conseguindo fazer a conexão entre os setores, o que deixou a França dependente da verticalidade e o atacante Mbappé teve atuação apagada pela ponta direita.
Inglaterra e Argentina
O jogo no primeiro tempo foi equilibrado e muito físico, com a Seleção da Inglaterra ganhando certas divididas e conseguindo impor seu estilo direto e vertical. Podemos dizer, que o gol foi marcado com certa tranquilidade, pelo nível de organização que os ingleses tinham.
Mas, o cenário mudou radicalmente quando o técnico da seleção inglesa Thomas Tuchel tomou atitude excessivamente conservadora com a clara intenção de administrar o resultado. A meu ver foi uma atitude antecipada e perigosa, recuar a equipe mudando seu esquema tático e permitindo que a Seleção da Argentina mantivesse a posse de bola em seu campo de defesa.
Até entendo o fato de se adotar uma postura conservadora quando se está em vantagem no placar, mas faltou à Seleção da Inglaterra um mínimo de ousadia ofensiva para não ficar entrincheirada, só se defendendo. O time inglês tem atacantes que poderiam ter utilizado desta ousadia para mudar o cenário do jogo, como Saka, que ficou no banco de reservas e Rashford, que entrou no início da segunda etapa, mas esbarrou na composição tática altamente equivocada e covarde.
Essa partida pode ser comparada a um jogo de xadrez, pois a cada substituição defensiva que Tuchel fazia para a Inglaterra, Lionel Scaloni qualificava o setor de meio-campo e ataque, fazendo com que a posse de bola da Seleção da Inglaterra ficasse em míseros 12%, no segundo tempo do jogo.
Pelo que criou, a Argentina poderia ter virado o placar muito antes, mas o goleiro inglês Pickford conseguiu fazer defesas importantes. Em apenas seis minutos a vantagem inglesa foi destroçada e o placar final foi a vitória da Argentina por 2 a 1.
Postura excessivamente conservadora requer movimentos friamente calculados para não permitir um gol adversário e a Inglaterra se deixou dominar não sendo capaz de ser eficiente com seu estilo de jogo. O futebol, mais uma vez, premiou a equipe que jogou bola e puniu a que se acovardou tentando administrar o placar, apenas se defendendo. A Argentina teve controle de jogo que ainda não havia sido mostrado com tanta ênfase nessa edição da Copa do Mundo.
Confronto final
Acredito que o jogo entre a Seleção da Espanha e Seleção da Argentina será um deleite para aqueles que gostam de um futebol taticamente bem jogado. O nível de qualidade técnica tende a ser alto e equilibrado, com as duas equipes tendo a posse de bola como ponto em comum de suas estratégias.
Mas, a tendencia é de que nenhuma delas terá comportamento conservador, como teve a Inglaterra, pois são duas Seleções forjadas no setor ofensivo, com esquema dinâmico e qualidade de jogo coletivo.
A principal diferença entre elas é que o estilo da Seleção da Espanha é mais coletivo enquanto a Seleção da Argentina tem seu esquema montado na capacidade criativa individual, principalmente a de Lionel Messi. O meio-campo espanhol é qualificado com Rodri, Omo, Pedri e ainda conta com Lamine Yamal jogando mais aberto pelas laterais do ataque.
As duas equipes deverão rivalizar o índice de posse de bola e tentar o protagonismo tático, para tornar o duelo extremamente interessante e técnico. Não há possibilidade de dar o favoritismo para qualquer um dos lados.
A certeza é que teremos um belo espetáculo na final da Copa do Mundo 2026, mais uma vez o futebol mostrando que uma das melhores características táticas e mais modernas é a de controle de jogo.